sexta-feira, abril 17, 2015

A Teimosia em subestimar os brasileiros

Leia o artigo escrito pelo jornalista Marcio Dotti https://www.facebook.com/profile.php?id=100001245599109&fref=ufi

A TEIMOSIA EM SUBESTIMAR OS BRASILEIROS
O PT já poderia ter se convencido de que esse esquema de não saber de nada e de fingir que não está acontecendo nada já deveria ser trocado por uma postura mais séria diante da opinião pública. A culpa é da imprensa, o escândalo é produto da mídia que detesta o partido ou no caso de administrações mal sucedidas, a culpa é de governos anteriores. Gasta-se dinheiro público e de fundo partidário para peças publicitárias que dizem o que ninguém mais acredita. Nunca, um partido teve tanta gente nas redações do país como o PT. Se não tem mais, deveria deduzir o porquê. A desfaçatez, contudo, não é de agora - vem desde os momentos mais graves do escândalo do mensalão, as vozes do PT continuam a ser ouvidas como se nada estivesse acontecendo que merecesse todo o esforço da sigla e de seus membros para se penitenciar ou tentar se explicar diante da população brasileira. É certo que não se pode julgar precipitadamente, mas os fatos já revelam quadros graves de envolvimento e constatações.

O mais recente, a prisão do Tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, acusado entre outras coisas, de se utilizar de uma gráfica para recolher doações ilegais de empreiteira com negócios na Petrobras. Ele é apontado pelo Ministério Público Federal como o operador do PT nos desvios apurados na Operação Lava Jato. Também é fato que cinco delatores apontam Vaccari Neto como envolvido no esquema de propinas. O partido reclama, todavia, afasta o tesoureiro do cargo. A Oposição considera que a prisão do Tesoureiro comprova a relação do partido com o esquema de corrupção. Por outra via, o Tribunal de Contas da União, o TCU, aprovou relatório que considera crimes de responsabilidade as manobras fiscais para esconder déficit do governo com dinheiro de bancos públicos federais. Dezessete membros do primeiro governo Dilma estão implicados no caso que também pode motivar pedido de impeachment.
E olha, é certo que ninguém sensato quer isto, mas quando a fome apertar nas barrigas e o desemprego bater ainda mais nas mesas, muita gente pode ir para as ruas com algo mais do que faixas e cartazes.

Márcio Dotti é jornalista mineiro e, de segunda a sexta-feira, faz o seu comentário no Jornal da Itatiaia, a rádio mais ouvida em Minas Gerais, das 7 às 9 horas. Itatiaia.

terça-feira, abril 14, 2015

Para não deixar de caminhar

PARA NÃO DEIXAR DE CAMINHAR
Paulo Botelho
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos; ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? – Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Eduardo Galeano, escritor uruguaio.
“Os meus pulmões estão endurecendo, mas tenho que continuar trabalhando, pois tenho muitos clientes!”  -  É o que me dissera Ildefonso, o dono daquela concorrida marmoraria. Portador de silicose irreversível, contaminou-se – ele e seus operários – com sílica, matéria-prima empregada em marmorarias, além de fábricas de tijolos refratários muito utilizados em siderúrgicas e, também, em churrasqueiras. Falei-lhe, na ocasião do nosso contato, que ele deveria procurar isolar as fontes de poeiras dos mármores umedecendo o ambiente com água. Quando lá voltei para ver o resultado, Ildefonso só faltou me beijar dizendo que a sugestão solucionara o problema. Todavia, meses depois, soube de seu falecimento aos 48 anos de idade. Toda doença, basicamente, vem a ser doença do trabalho; tanto as físicas como as emocionais ou espirituais. Desde a Revolução Industrial, até poucas décadas atrás, apenas alguns cientistas – isolados e não ouvidos – alertaram para os perigos da contaminação e da alteração ambiental. A opinião que prevalecia – e prevalece ainda hoje – é aquela surrada: “Temos que pagar o preço do progresso”. O preço inaceitável é a existência da contaminação que consiste na difusão de fatores patogênicos da produção para o ambiente externo (do trabalho para o consumo) por meio de materiais perigosos como a Sílica ou Asbestos, entre outros; contaminadores também do ar, da água e do solo. O absurdo incêndio de vários dias nos tambores de combustíveis do Porto de Santos é o pior, e mais recente, dos exemplos. Os custos humanos e materiais, até agora, não foram avaliados e divulgados. E aí fica a pergunta: O que faltou fazer lá? – Resposta: Faltou a aplicação continuada da Metodologia Kaizen (Melhoria); do Seiri (Organização) e do Shitsuke (Disciplina) ingredientes básicos da filosofia de gestão que os japoneses praticam há quase cem anos.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é professor, escritor e consultor de empresas; associado-docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. www.paulobotelho.com.br