quarta-feira, junho 03, 2015

Cesar Techio
Economista – Advogado
     


    Quem diria, foi preciso o FBI prender em Zurique, na Suíça, sete dirigentes e cinco executivos da FIFA, indiciados por extorsão e corrupção, para que no Brasil, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), despertasse.  E no início desta semana, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também foi indiciado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documento público. Meio bilhão de reais foi o valor que o dirigente movimentou na sua conta pessoal. O COAF estava fazendo o que, nestes últimos três anos? Mas, o que mais impressiona é que por trás da estrutura do futebol, torcedores contribuem financeiramente para concentrar altos valores nas mãos de dirigentes espertalhões, que enriquecem explorando a paixão popular. E, convenhamos, a cartolagem do futebol é perfeitamente dispensável para a prática do esporte. Nesta senda, não dá para entender como é possível tanta gente perder tanto tempo sentada para ver um monte de pernas peludas correndo atrás de uma bola. Não deveria ser o contrário? Ao invés de sentar na arquibancada o povo é quem deveria jogar. Seria muito mais democrático participativo e divertido.

          Mas, realmente, o que chama a atenção nesta história, é que foi preciso a justiça americana dos EUA, intervir na roubalheira do futebol mundial para que o COAF, o Ministério Público, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Congresso Nacional começassem a agir. E olha que o Romário já vinha denunciando a corrupção na CBF há muito tempo. Senador da República ele tem se esmerado nos últimos anos para moralizar o esporte. Finalmente, neste 1º de junho de 2015 recebeu apoio do procurador-geral da República Rodrigo Janot. E já existem assinaturas suficientes para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a roubalheira no futebol brasileiro. Aliás, ultimamente sentimos certo alívio com a ação da justiça e da polícia que vai pegando peixinhos e peixões em investigações brilhantes e corajosas por todo o país.  E não se trata de pescaria de aquário ou no Rio dos Queimados, mas de pescaria de alto mar, cujas profundezas obscuras trazem peixes gigantes, das mais variadas matizes.

         A propósito, a seleção brasileira foi blindada no início deste mês de junho, na Granja Comary, local onde se prepara para a Copa América. Os jogadores foram proibidos de comentar a investigação da FIFA, como se não fossem pessoas adultas e não tivessem personalidade ou opinião própria. Por que será? Ora, com este quadro, não é defeso questionar se a vergonhosa derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014 não teve o dedo da corrupção padrão FIFA. Que estrondosos erros defensivos foram aqueles, os das pernas de pau, ou melhor, caras de pau? A seleção saiu vaiada e os brasileiros humilhados. Afinal, foi incompetência ou corrupção, na linha do que estamos vendo hoje? “Padrão FIFA”, baaah!


Pensamento da semana: "Algum ortopedista pode me explicar como uma joelhada no Neymar deixou 11 paraplégicos?" Klatu

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