segunda-feira, outubro 26, 2015

A Vida e o Direito

O ministro Luis Roberto Barroso foi patrono de uma turma de formandos em Direito e fez o discurso durante colação de grau.
 

A vida e o Direito: breve manual de instruções

I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro.

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro.

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa.

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5

Em uma de suas fábulas, Ésopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em voo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:

1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;

2. A verdade não tem dono;

3. O modo como se fala faz toda a diferença;

4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;

5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:

(i) Fique vivo;

(ii) Fique inteiro;

(iii) Seja bom-caráter;

(iv) Seja educado; e

(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.

Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência 
inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".

Fonte: http://g1.globo.com/index.html

Oito horas de canto gregoriano

segunda-feira, outubro 05, 2015

Canis Majoris

Aí vai uma crônica do Renato Maurício Basso que me foi enviada pelo César Techio.


CANIS MAJORIS
 

Renato Mauricio Basso

















Andiamo fare uma passegiata, pero no molto píccola, breve, quiçá, para não se perder por aí.

A coisa é breve mesmo. Nos transportemos para fora do nosso sistema solar para compararmos o nosso pequeno sol com a maior estrela conhecida, a VY Canis Majoris, também conhecida como VY Cma, que fica a 5 mil anos-luz da Terra e tem 2,9 bilhões de quilômetros de diâmetro, porte 1.800 a 2.100 vezes maior que o nosso Sol. O diâmetro da superstar equivale a nove vezes a distância da Terra ao Sol! Mas pode haver astros ainda maiores, já que hoje se conhecem "apenas" 70 septilhões de estrelas no Universo. A VY Canis Majoris fica na constelação de Cão Maior, na Via Láctea, e ganhou o nome da mitologia grega. A constelação representava o cachorro de Órion, o caçador gigante. Apesar do tamanho descomunal da Cma, não é possível vê-la da Terra - ela está morrendo e despejando parte de sua massa em uma nebulosa que encobre nossa visão.

De lá, então, percebemos que o nosso pequeno sol é invisível, um grão no universo, e a Terra? Um nada, um átomo em órbita de outro átomo um pouco maior, um elétron, um próton, um núcleo, sei lá, mas coisa ínfima mesmo, quase um nada. Ao lado da VY Canis Majoris nosso sol nem aparece de tão minúsculo.

Como é, então, que uns miseráveis micróbios como nós, morando neste planeta, neste microscópico sistema solar, podemos estar dotados de um cérebro que pode abarcar essa loucura toda, pensar em inclusão em tudo isso? Quem somos? Qual a nossa função neste contexto inexplicável? Pensar grande sem ir à loucura não é para fracos, e é por isso que um bom vinho uma vez ou outra não faz mal, pelo contrário.

Mas não é verdade? O que é que esses bichinhos matreiros estão fazendo por aqui, procriando, construindo, brigando, se digladiando consigo mesmo, com seus semelhantes e adoecendo o planeta, seu lar? Estão no caminho da destruição se valendo do seu sistema cerebral arcaico, de uma energia que muitos chamam espírito, ou alma. Mas que valor tem para o universo a mente de um terráqueo, o seu espírito, a sua alma? Diante dessa imensidão toda, será que não tem uns espíritos mais energizados, com energia em maior quantidade do que no humano? Uns espíritos gigantes, um paradoxo? Quem somos para afirmar que a humanidade representa a única forma de vida pensante do universo? Que somos os únicos, ou até, os escolhidos pelo Criador? Que diferença fazem meus atos diante do universo? Não dá nem coceira.

Não dá para buscar entender tudo o que nos é mostrado se não temos uma boa base de conhecimento, e conhecimento para sustentar a compreensão do universo ainda não temos. Vamos deixar quieto, por enquanto, porque o micróbio pensante está entretido com outras prioridades, outros focos que lhe deem satisfação imediata e uma singela possibilidade de se manter no formigueiro, de matar suas necessidades biológicas e suas fantasias.

É de se perder, não é mesmo? Que encrenca! Em que enrascada essa maluquice pode nos enlear... Lembro do meu filho aos nove anos de idade me perguntando “Pai, o universo tem fim?” É aí que o bicho pega. Fiquei a ruminar uma resposta plausível na minha cabeça pensante e acho que demorei demais, porque não deu tempo para evitar uma segunda e não menos intrigante pergunta, “Porque se tiver fim, tem de estar dentro de alguma coisa, não é?” E lá veio a bomba H pra acabar de vez com minha perplexidade, “E essa outra coisa teria fim? Caso contrário estaria, também, dentro de outra coisa maior”... Pode parar meu filho, eu disse, isso ninguém explica, não se incomode por enquanto.

E aí “dois problemas se misturam: a verdade do Universo e a prestação que vai vencer”, não é mesmo?

Mas não é uma barbaridade a gente não poder entender as coisas? O vivente fica mais perdido que cachorro caído de caminhão de mudança, do que cusco em procissão.

E lá fui eu pra VY Canis Majoris meus amigos. De lá vi só coisa que nunca tinha visto antes, nada familiar, nada parecido com o que se vê em Brasília ou na Conchinchina, na Rússia ou na América Latina. Mas como eu dizia no início, o passeio tem que ser breve nessas horas, e, rapidamente, voltei à minha condição de micróbio, tendo que me encher o saco com aumento de gasolina, inflação alta, corrupção, impunidade, cara dura, falcatrua, violência e amargura. Como é que vou explicar essa porcaria toda? Esse micróbio filho-da-mãe pensa que é Deus, uns até se intitulam filhos dele, escolhidos por ele e tudo o mais. Como é que vou explicar que o homem precisa de regras para conviver em sociedade – outros até receberam umas tábuas, marmelo, chicote, holocaustos, dilúvios, êxodos, escravidão e peregrinações e não aprenderam nada -, se ninguém obedece as leis que estão aí? São os deuses da impunidade. Ninguém toca nos safados caras-de-pau.

Que enrascada hein? Mas volto, de leve, para Canis Majoris, só para aliviar minha mochila cheia de conceitos, preconceitos, raivas, frustrações (do ódio e da inveja tento me afastar o mais longe possível), da eventual soberba, do medo e da ignorância. Pronto! Acho que me sinto um pouco mais leve... então, de volta, já, para o teu mundinho insignificante, meu filho.

Vamos trabalhar com o que temos de palpável, senão complica tudo. Pois então, nós micróbios – que deveríamos ser macrobióticos e não matar animais para comer – e lá do fundo da plateia, meio na penumbra o cara grita “não abro mão do meu churrasco”, e eu concordo -, nós micróbios devoradores de outros micróbios e que somos devorados por ainda outros micróbios, precisamos nos organizar para manter a nossa colônia viva dentro do macrocosmo. É uma questão de sobrevivência gente. Uns micróbios aí, os do mal, estão bagunçando o coreto e a coisa não está andando conforme manda o figurino. Sabe aquelas amebas que moram no intestino? Essas mesmo, as que vivem na podridão, do estrume, se você não controla o número delas, acaba sendo por elas, e por outras, devorado. Vê como fica se tua imunidade vai abaixo de um índice razoável...É caixão na certa!

Gelo em Marte, diz a Viking, lembra dessa? Bem atual, não é? No entanto, não há galinha em meu quintal...

Mas que é difícil a tarefa de organizar a colônia humana, lá isso é uma grande verdade, ainda mais com essa bicharada toda querendo ganhar espaço, poder, dinheiro, idolatrias de toda sorte. E é em todo o lugar, em todo o aglomeramento. Moluscos, antas, metidos a parar em pé, sobre dois pés, vomitando impropérios de estelionatos e orgias em nome da justiça social...uma tristeza. Mais triste, porém, o admirável gado novo que os segue, ou o que é o cúmulo da desesperança, aqueles que assistem a tudo de forma passiva e covarde, esses são os piores. Nem Jeová, Jesus de Nazaré ou Maomé, são suficientes para controlar os ímpetos da humanidade, que falar de Buda (não o molusco), pastor ou pagé.

É amigo, viver não é fácil não. Ninguém se entende, estamos todos perdidos, todos em busca de uma explicação para tudo que é coisa e pouca coisa é explicada. Religar o ser ao transcendente? Mas será que algum dia já foi ligado a Isso? É engano em cima de engano e não é para menos que o pixuleco tem o número 171 no peito. O estelionato é o delito mais abundante no relacionamento humano, e está tudo bem. Que barbaridade, que pouca vergonha, que falta de brio e de capacidade para se indignar com a roubalheira que essas amebas estão a praticar,  autorizados pelo nosso voto. Giárdias vorazes. Vocês não irão muito longe, não irão tomar conta do organismo  todo, da sociedade toda. Serão punidos pela sua volúpia que nasceu das guerrilhas e nos porões, pela gula, por seu dolo. O seu voo é de galinha e seu destino é ciscar o chão em busca de vermes outros que é o seu alimento.

Aliás, que projeto social tinha um tal Guevara? Ops, o cara é fera, estão dando a escolas o nome dele. Menos. Cheirou uns talcos, fumou uns boa-noites fedorentos, saiu de uma aldeiazinha na Argentina e foi matar gente em florestas tropicais, enlouquecido pelo ópio vermelho. Qual era mesmo a sua proposta para as gerações futuras, para a educação, para a melhoria da sociedade? Nenhuma pessoal. Seu negócio era metralhadora e terror, nada mais, tudo para alcançar fama, um bolivarzinho de cuecas, libertador de arrotos e flatos com cheiro de enxofre do quinto dos infernos.

Que plano prático tem essa corja de protozoários para a evolução mental, ética, moral, da sociedade brasileira nesse pedaço de torrão desse grão de areia no cosmo? Precisa responder ou vocês tem a resposta bem na frente dos seus narizes, nos mensalões, petrolões, apedeutas e falastrões que infectam palácios planaltinos e repartições públicas no meio do nada? Até uma prefeitazinha metida a besta lá no interior do Maranhão (bem, lá tem escolas excelentes e bons professores sarnentos para ensiná-la), teve o topete de meter a mão na merenda escolar das criancinhas. Está tudo dominado, não é? Por quanto tempo ela irá ficar em cana Dias Toffoli? Como é primária, tem bons antecedentes, coisa e tal, tempo irrisório. E a farra continua com esses vermes fervilhando numa ebulição desenfreada dentro dos cofres públicos, sem que a sociedade conteste, berre, grite... a impunidade é uma droga!

Que mais se quer? Estão infiltrados no próprio Poder Judiciário, na sua mais alta Corte. Alerta vermelho pessoal! O paciente está ficando com sua imunidade muito baixa e pode ir a óbito. Vamos ministrar o remédio devido urgentemente antes que seja tarde demais. Temos bons médicos e creolina da boa para extirpar a bicheira.

Como é que iremos evoluir se não nos mostram o caminho certo, se não nos dão o exemplo de retidão, de postura correta? Bactérias e vírus não brigam entre si em suas colônias, ao contrário, procriam velozmente em ambiente favorável para manter sua espécie. Mas e o micróbio humano? Precisa de sacanagem na busca do poder e o brasileiro tem a lei de Gerson em prática desde mil e quinhentos. É, olhando lá de cima, de Canis Majoris, é tudo ninharia, mas como incomoda...

Em que universo estamos inseridos, hein meu filho? Será que tem fim? E eu que ia ser breve... Que micróbio pretencioso eu sou... Já pensou?


terça-feira, setembro 01, 2015

Na Casca de Noz

Aí vai mais um artigo enviado pelo nosso colega do seminário Paulo Botelho (Debanda)
Na Casca de Noz
Por Paulo Botelho
A primeira vez que vi uma foto do físico inglês Stephen Hawking  fiquei desolado. E me perguntei: Como é possível pensar, formular e defender teorias com tantas limitações físicas, prisioneiro em uma cadeira de rodas? Reconhecido pela comunidade científica mundial como o mais legítimo sucessor de Albert Einstein, Hawking sofre de Esclerose Lateral Aminiotrófica que o mantém privado de locomover-se e de falar; ele ainda escreve, mas com dificuldade. O príncipe Hamlet, de William Shakespeare, sentia-se também prisioneiro na Dinamarca pelas angústias que o atormentavam. Mas, dizia que ainda que dentro de uma casca de noz poderia sentir-se rei do espaço infinito. Creio que para Hawking ocorre a mesma coisa. Para ele, o universo tem a sua história em tempo imaginário como uma esfera minúscula, ligeiramente achatada; lembra uma noz. A Editora Ediouro relançou o clássico “O Universo numa Casca de Noz”, dele. Utilizando-se de uma linguagem simples, com poucos adjetivos e muitos substantivos, Hawking conduz o leitor às fronteiras da física para explicar os princípios que controlam o universo. E a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica estão lá na Casca de Noz. E o que o também inglês Shakespeare coloca na boca de Hamlet tem muito significado: significa que podemos ser, com frequência, prisioneiros da sociedade que dita as regras e as leis; prisioneiros dos juízos de valores com seus conceitos e preconceitos. No entanto, nosso pensamento é livre. Livre para pensar e livre para dizer – e escrever – o que quisermos.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor.


Curso de Canto Gregoriano


sexta-feira, julho 17, 2015

Por um Pouco de Paz

Ai vai mais um artigo escrito pelo Paulo Botelho (Debanda)
Por um pouco de paz
Paulo Botelho
Neste país não aprendemos por soma. Por multiplicação, nem pensar!  Temos aprendido a aprender por subtração ou por perdas e danos. Mas, foi lá em minha distante adolescência, quando vivia aprendendo, que conheci um verdadeiro multiplicador; um Quixote do Meio Ambiente. Surdo-mudo, pequeno e frágil, chamava-se Alcides. Nada se sabia de seus pais, irmãos, parentes, seu sobrenome. Expulsava os gambás dos galinheiros e roçava as ervas  daninhas ao redor das sedes das fazendas em troca de um caldo de feijão, um pedaço de pão, uma pousada. Ia sobrevivendo de roça em roça no eixo Cabo Verde - Monte Belo, em Minas Gerais. Certo dia, logo ao amanhecer, acenou, pedindo à dona América Bueno Alves, dois ovos, uma porção de farinha de trigo, açúcar, manteiga e leite. – Misturou tudo com uma colher de pau e levou ao forno de lenha para assar. – Até hoje eu sinto o cheiro e o sabor daquele bolo tão gostoso! Assim, dessa maneira, ele expressou sua gratidão pela acolhida de minha bisavó. Alcides foi um multiplicador do meio-ambiente sustentável. Ele era capaz de chorar para impedir a morte de um animal;  de lutar para evitar a derrubada de uma árvore. Alcides sabia o que sente uma árvore quando está sendo cortada, pois o cabo do machado é da madeira de outra árvore. – Mas, com a rapidez – e a estupidez – de hoje, uma árvore não percebe de onde vem o material que fabrica a motosserra que a detona!
Mia Couto, escritor moçambicano, em seu livro “O Último Vôo do Flamingo” tenta entender o que ocorreu com o seu país cuja história coletiva foi consumida pela ganância dos poderosos e, também, pela ignorância cívica de seus habitantes.  Ele relata a história dos flamingos que desapareceram para sempre de Moçambique; justamente esses pássaros reconhecidos como anunciadores da paz e da esperança.
Como os flamingos, Alcides não mais habita esse planeta tão insustentável.  Entretanto, ainda têm  nele pessoas capazes de somar e fazer multiplicar os moinhos da criatividade humana com suas pás. – Das pás dos moinhos à paz na Terra!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br


quarta-feira, junho 03, 2015

Cesar Techio
Economista – Advogado
     


    Quem diria, foi preciso o FBI prender em Zurique, na Suíça, sete dirigentes e cinco executivos da FIFA, indiciados por extorsão e corrupção, para que no Brasil, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), despertasse.  E no início desta semana, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também foi indiciado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documento público. Meio bilhão de reais foi o valor que o dirigente movimentou na sua conta pessoal. O COAF estava fazendo o que, nestes últimos três anos? Mas, o que mais impressiona é que por trás da estrutura do futebol, torcedores contribuem financeiramente para concentrar altos valores nas mãos de dirigentes espertalhões, que enriquecem explorando a paixão popular. E, convenhamos, a cartolagem do futebol é perfeitamente dispensável para a prática do esporte. Nesta senda, não dá para entender como é possível tanta gente perder tanto tempo sentada para ver um monte de pernas peludas correndo atrás de uma bola. Não deveria ser o contrário? Ao invés de sentar na arquibancada o povo é quem deveria jogar. Seria muito mais democrático participativo e divertido.

          Mas, realmente, o que chama a atenção nesta história, é que foi preciso a justiça americana dos EUA, intervir na roubalheira do futebol mundial para que o COAF, o Ministério Público, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Congresso Nacional começassem a agir. E olha que o Romário já vinha denunciando a corrupção na CBF há muito tempo. Senador da República ele tem se esmerado nos últimos anos para moralizar o esporte. Finalmente, neste 1º de junho de 2015 recebeu apoio do procurador-geral da República Rodrigo Janot. E já existem assinaturas suficientes para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a roubalheira no futebol brasileiro. Aliás, ultimamente sentimos certo alívio com a ação da justiça e da polícia que vai pegando peixinhos e peixões em investigações brilhantes e corajosas por todo o país.  E não se trata de pescaria de aquário ou no Rio dos Queimados, mas de pescaria de alto mar, cujas profundezas obscuras trazem peixes gigantes, das mais variadas matizes.

         A propósito, a seleção brasileira foi blindada no início deste mês de junho, na Granja Comary, local onde se prepara para a Copa América. Os jogadores foram proibidos de comentar a investigação da FIFA, como se não fossem pessoas adultas e não tivessem personalidade ou opinião própria. Por que será? Ora, com este quadro, não é defeso questionar se a vergonhosa derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014 não teve o dedo da corrupção padrão FIFA. Que estrondosos erros defensivos foram aqueles, os das pernas de pau, ou melhor, caras de pau? A seleção saiu vaiada e os brasileiros humilhados. Afinal, foi incompetência ou corrupção, na linha do que estamos vendo hoje? “Padrão FIFA”, baaah!


Pensamento da semana: "Algum ortopedista pode me explicar como uma joelhada no Neymar deixou 11 paraplégicos?" Klatu

sexta-feira, maio 29, 2015

Estrangeiros X Vagas dos Trabalhadores Brasileiros = Decisão do Consumidor Cidadão

Estrangeiros X Vagas dos Trabalhadores Brasileiros = Decisão do Consumidor Cidadão

Cesar Techio
Economista – Advogado

         Era só o que faltava. Além da grave crise econômica que está matando os brasileiros, frigoríficos, cooperativas e outras empresas do setor agroindustrial estão contratando, a todo o vapor, trabalhadores estrangeiros num absurdo desprezo à mão de obra nacional. Segundo o IBGE, neste mês de maio de 2015, a taxa de desemprego chegou a 7,9% chegando a 8 milhões de trabalhadores desempregados. E isso num quadro no qual 50% buscam a sobrevivência de suas famílias na informalidade, ou seja, sem carteira de trabalho assinada, sem FGTS, sem previdência social, habitando em favelas ou em sub-habitações. Todo mundo sabe, que para contratar mão de obra estrangeira é preciso que os empregadores comprovem ao Ministério do Trabalho e Emprego, real necessidade, uma vez que a prioridade é contratar e manter o emprego de trabalhadores nacionais.

         Desconsiderando esta realidade, a absorção de mão de obra estrangeira braçal segue uma lógica capitalista exploradora, impiedosa, altamente prejudicial ao desenvolvimento do país, na medida em que mantém os níveis salariais baixos e gera desemprego. Portanto, acaba com o poder de compra, detonando a demanda por produtos e serviços, o que gera queda na produção e mais desemprego, num efeito dominó. O caos já se instalou na Europa, que é rica. Aqui, num país pobre e de terceiro mundo, a mão de obra importada (braçal e desqualificada), veem se somar a miséria e a pobreza já existente. Não se trata, portanto, de xenofobia (aversão ou antipatia aos estrangeiros), mas de perceber que o nosso país deve, em primeiro lugar, resolver o problema do desemprego, da informalidade e da miséria dentro de suas próprias fronteiras para somente depois tentar resolver o problema dos outros.

          É papo furado, pura falácia, a justificativa de que brasileiros não querem trabalhar em atividades pesadas, em condições antiergonômicas ou em atividades laborais exigentes de frigoríficos. Basta pagar um salário justo, para que a mão de obra brasileira seja abundante. Todo mundo sabe que agroindústria é o setor da economia que mais agrega valor na cadeia produtiva, desde o produto “in natura” até o produto final. Portanto é o setor que possui maior capacidade para gerar renda, emprego, criar riquezas e impactar positivamente a economia. Também é o setor que pode pagar melhores salários e promover de forma mais intensa a inclusão social de brasileiros com carteira assinada. Portanto é o setor que mais pode melhorar a qualidade de vida das famílias e da sociedade como um todo.

         Mas, contratando mão de obra braçal estrangeira a agroindústria e outros setores geram um grave problema social interno, uma sociedade miserável em detrimento da manutenção de seus altos lucros. E atrasam o desenvolvimento do país, porque a mão de obra nacional tem a força de permitir aos brasileiros e suas famílias, ascensão social, acesso aos bens de consumo, à propriedade privada, além de dinamizar a economia. Obviamente que parcela dos que contratam mão de obra braçal estrangeira não estão nem aí para essa realidade. Motivo pelo qual é hora do consumidor optar por consumir produtos feitos com 100% de mão de obra nacional.

         Pensamento da semana: Consumidor: proteger a mão de obra nacional passou a ser questão de sobrevivência do país e de segurança social.



sábado, maio 23, 2015

O Ferrabrás do RH

O Ferrabrás do RH
Por Paulo Botelho
Era Doutor Antonio Carlos o tempo todo; assim sendo nomeado e decantado naquela multinacional italiana de produtos farmacêuticos. Alto, atlético, pouco menos de 30 anos de idade, ar desafiador e um tanto imbecilizado, lembrava um pouco o ator americano Sylvester Stallone desidratado. A empresa adotara, para cargos de chefia, o Teste de Rorschach. Tal teste, desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach, consiste em dar respostas sobre o que se parecem cerca de umas doze pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica da personalidade do indivíduo. Embora o seu funcionamento ou aplicação estivesse sob a responsabilidade dos psicólogos do Setor de Recrutamento e Seleção, Antonio Carlos queria ver todos os resultados;  acho que mais por curiosidade ou para demonstrar quem mandava, efetivamente, no RH.Não obstante eu tivesse sido convidado pelo Diretor de Produção para assumir o cargo de Gerente de Desenvolvimento Operacional, tive que me submeter ao teste. Alguns meses depois de meu ingresso na empresa, o Diretor de Produção me contou que Antonio Carlos ficou “puto nas calças” com a minha contratação, pois o resultado do “meu Rorschach” continha contra-indicações para o cargo. Todavia, a vida seguiu em frente, e o meu desempenho no cargo desmentiu os prognósticos, pois consegui avanços em produtividade e qualidade nos resultados da empresa. Depois de 4 anos, pedi demissão para ir compor a equipe de desenvolvimento do Projeto Bandeirante: um avião turbo-hélice que deu origem à Empresa Brasileira de Aeronáutica – Embraer – a atual segunda maior fábrica de aeronaves do mundo. Eu soube, recentemente, que Antonio Carlos é um consultor de empresas muito requisitado, especializado em liderança situacional: um pacote questionável de treinamento vendido, sob licença, dos americanos.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é professor, escritor e consultor de empresas. - www.paulobotelho.com.br


domingo, maio 03, 2015

Essa Pizza Pode Queimar a Vergonha Nacional

Leia este artigo do jornalista mineiro Márcio Dotti, publicado na sua página no Facebook:

ESSA PIZZA PODE QUEIMAR A VERGONHA NACIONAL

Não é preciso ser costureira para confeccionar uma imensa pizza com os panos sagrados da Bandeira Nacional. Basta juntar os retalhos desse imenso escândalo e desse momento repugnante da vida brasileira. Nada contra em se juntar argumentos jurídicos convincentes para o pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef. Mas não é preciso ser tão passivo diante de fatos estarrecedores como esse enfraquecimento das ações contra empresários que estavam presos por ordem de um juiz corajoso, o juiz Moro, e que agora foram soltos por ordem da maior instância judicial do país, o Supremo Tribunal Federal, ainda que por uma nítida divisão entre os votos da turma que julgou o pedido de soltura. 


Os próprios advogados dos ex-presos reconhecem que isso enfraquece as delações premiadas e também o juiz Moro. Também foi tímido o grito de protesto contra a utilização de parte do Fundo de Garantia, um dinheiro do trabalhador brasileiro, agora empregado para esquentar as turbinas do BNDES. Foi assim que o dinheiro da Previdência correu para o ralo e quem paga por isso é a imensa massa de aposentados, ou melhor dizendo, massa de trabalhadores tratados à míngua na aposentadoria porque se alega falta de dinheiro. O dinheiro foi gasto em empreguismo, empréstimos cujos valores não foram corrigidos quando cobrados dos felizes proprietários que chegaram ao absurdo de pagar de prestação habitacional o equivalente a uma passagem de ônibus. 

E não nos esqueçamos das fraudes e mais fraudes com o dinheiro da Previdência. Pouco barulho se ouviu por mais essa solapada no dinheiro do FGTS. A primeira foi a criação do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Muita empresa saiu com bolsos cheios de dinheiro injetado a título de formar melhor o trabalhador. No Congresso, ouvem o governo e deixam para o próximo ano a reavaliação da dívida dos estados. Em troca, permitem aos estados e municípios que se utilizem do dinheiro de precatórios, dinheiro de cidadãos, depositado à espera de decisões judiciais e que certamente vai faltar na hora em que as decisões saírem. 

E por último, vale considerar o comentário do ex-diretor da Petrobras para quem o que aconteceu na Petrobras também ocorreu em outros empreendimentos públicos. Para descobrir, basta a justiça se aprofundar. Aprofundar?

sexta-feira, abril 17, 2015

A Teimosia em subestimar os brasileiros

Leia o artigo escrito pelo jornalista Marcio Dotti https://www.facebook.com/profile.php?id=100001245599109&fref=ufi

A TEIMOSIA EM SUBESTIMAR OS BRASILEIROS
O PT já poderia ter se convencido de que esse esquema de não saber de nada e de fingir que não está acontecendo nada já deveria ser trocado por uma postura mais séria diante da opinião pública. A culpa é da imprensa, o escândalo é produto da mídia que detesta o partido ou no caso de administrações mal sucedidas, a culpa é de governos anteriores. Gasta-se dinheiro público e de fundo partidário para peças publicitárias que dizem o que ninguém mais acredita. Nunca, um partido teve tanta gente nas redações do país como o PT. Se não tem mais, deveria deduzir o porquê. A desfaçatez, contudo, não é de agora - vem desde os momentos mais graves do escândalo do mensalão, as vozes do PT continuam a ser ouvidas como se nada estivesse acontecendo que merecesse todo o esforço da sigla e de seus membros para se penitenciar ou tentar se explicar diante da população brasileira. É certo que não se pode julgar precipitadamente, mas os fatos já revelam quadros graves de envolvimento e constatações.

O mais recente, a prisão do Tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, acusado entre outras coisas, de se utilizar de uma gráfica para recolher doações ilegais de empreiteira com negócios na Petrobras. Ele é apontado pelo Ministério Público Federal como o operador do PT nos desvios apurados na Operação Lava Jato. Também é fato que cinco delatores apontam Vaccari Neto como envolvido no esquema de propinas. O partido reclama, todavia, afasta o tesoureiro do cargo. A Oposição considera que a prisão do Tesoureiro comprova a relação do partido com o esquema de corrupção. Por outra via, o Tribunal de Contas da União, o TCU, aprovou relatório que considera crimes de responsabilidade as manobras fiscais para esconder déficit do governo com dinheiro de bancos públicos federais. Dezessete membros do primeiro governo Dilma estão implicados no caso que também pode motivar pedido de impeachment.
E olha, é certo que ninguém sensato quer isto, mas quando a fome apertar nas barrigas e o desemprego bater ainda mais nas mesas, muita gente pode ir para as ruas com algo mais do que faixas e cartazes.

Márcio Dotti é jornalista mineiro e, de segunda a sexta-feira, faz o seu comentário no Jornal da Itatiaia, a rádio mais ouvida em Minas Gerais, das 7 às 9 horas. Itatiaia.

terça-feira, abril 14, 2015

Para não deixar de caminhar

PARA NÃO DEIXAR DE CAMINHAR
Paulo Botelho
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos; ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? – Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Eduardo Galeano, escritor uruguaio.
“Os meus pulmões estão endurecendo, mas tenho que continuar trabalhando, pois tenho muitos clientes!”  -  É o que me dissera Ildefonso, o dono daquela concorrida marmoraria. Portador de silicose irreversível, contaminou-se – ele e seus operários – com sílica, matéria-prima empregada em marmorarias, além de fábricas de tijolos refratários muito utilizados em siderúrgicas e, também, em churrasqueiras. Falei-lhe, na ocasião do nosso contato, que ele deveria procurar isolar as fontes de poeiras dos mármores umedecendo o ambiente com água. Quando lá voltei para ver o resultado, Ildefonso só faltou me beijar dizendo que a sugestão solucionara o problema. Todavia, meses depois, soube de seu falecimento aos 48 anos de idade. Toda doença, basicamente, vem a ser doença do trabalho; tanto as físicas como as emocionais ou espirituais. Desde a Revolução Industrial, até poucas décadas atrás, apenas alguns cientistas – isolados e não ouvidos – alertaram para os perigos da contaminação e da alteração ambiental. A opinião que prevalecia – e prevalece ainda hoje – é aquela surrada: “Temos que pagar o preço do progresso”. O preço inaceitável é a existência da contaminação que consiste na difusão de fatores patogênicos da produção para o ambiente externo (do trabalho para o consumo) por meio de materiais perigosos como a Sílica ou Asbestos, entre outros; contaminadores também do ar, da água e do solo. O absurdo incêndio de vários dias nos tambores de combustíveis do Porto de Santos é o pior, e mais recente, dos exemplos. Os custos humanos e materiais, até agora, não foram avaliados e divulgados. E aí fica a pergunta: O que faltou fazer lá? – Resposta: Faltou a aplicação continuada da Metodologia Kaizen (Melhoria); do Seiri (Organização) e do Shitsuke (Disciplina) ingredientes básicos da filosofia de gestão que os japoneses praticam há quase cem anos.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é professor, escritor e consultor de empresas; associado-docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. www.paulobotelho.com.br

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Crise de Identidade

CRISE DE IDENTIDADE


Nesta altura da vida, já não sei mais quem sou.
Na ficha do médico, apareço como cliente.
No restaurante, sou freguês.
Quando alugo uma casa, viro inquilino.
Na condução, sou passageiro.
Nos correios, sou remetente
No supermercado, sou consumidor
Para a Receita Federal, sou contribuinte.
Com o prazo vencido, sou inadimplente, e se não pago, sou sonegador.
Para votar, sou eleitor; mas, no comício, sou massa.
Em viagem viro turista.
Na rua, caminhando, sou pedestre, e se me atropelam, viro acidentado.
No hospital, me transformo em paciente.
Para os jornais, sou vítima.
Se compro um livro, viro leitor.
Se ligo o rádio, sou ouvinte.
Para o Ibope, sou espectador.
No futebol, eu, que já fui torcedor, virei galera.
E, quando morrer, ninguém vai se lembrar do meu nome:
vão me chamar de finado, extinto, defunto e, em certos
círculos, até de desencarnado.
E o pior, para o Governo eu sou um IMBECIL.
E pensar que, no meu apogeu, já fui mais EU.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Carnaval e os Demônios do Estado Islâmico.

Leia mais um artigo enviado pelo César Techio

CARNAVAL E OS DEMÔNIOS DO ESTADO ISLÂMICO


 Cesar Techio
Economista – Advogado

  
          Alguns dizem que no carnaval viramos crianças, brincamos, festejamos e curtimos a alegria em um ritmo que nos confraterniza e nos aproxima uns dos outros. O Brasil é assim mesmo, feito de um povo que tem sentimento, coração e gosta de viver. Fazemos nosso dever de casa durante o ano, com a seriedade de quem quer prosperar, crescer, evoluir. Mas basta tocar uma boa musica que um largo sorriso aparece e saímos dançando. No sul, os gaúchos sisudos se alegram facilmente com um “bugio”, “chamamé”, “chimarrita”, “fandango”, “milonga”, “vanerão”, entre outras musicas nativistas que falam de um mundo valoroso, cheio de amor pela terra, pela família, pela pátria e por lindas morenas de olhos verdes. Espalhando-se pelo território nacional, outros estilos musicais fazem dos brasileiros o povo mais afortunado do mundo: sertaneja, musica popular brasileira, samba, pagode, forró, rock, eletrônica, gospel, axé, funk, country, músicas italianas, polonesas, alemãs, africanas, latino-americanas, entre outras.


            O que norteia o brasileiro é espírito de amor, de tolerância e de acolhida enfeitada por danças e festas como o carnaval, bumba meu boi, maracatu, cavalhada, capoeira, Iemanjá, festa da uva (italiana), oktoberfest (alemã), entre centenas de outras festas culturais. Este modo de viver nasceu dos costumes de povos de várias partes do mundo que migraram para o Brasil e que apreenderam a conviver de forma pacífica e fraterna, independente de religião ou raça. Assim, a misturança e o respeito são leis naturais no coração do nosso povo e este jeito é regra de ouro que permitiu com que todos criassem seus filhos e vivessem em paz. Aliás, sempre foi assim, desde o descobrimento, com sistemas sociais que foram se humanizando com o tempo e que atingiram um grau de civilidade e de democracia que é modelo para todos os demais povos. Aqui, índios, negros, mulatos, imigrantes italianos, japoneses, judeus, alemães, poloneses, árabes, muçulmanos, entre outros, se abraçam e convivem dentro da mais absoluta normalidade.

            Nossa constituição e práticas dão espaço para todas as religiões. Aqui tem direito de ser felizes, budistas, cristãos, adventistas, católicos, umbandistas, maometanos, testemunhas de Jeová, espíritas, protestantes, hinduístas, islamistas, entre outras tantas denominações religiosas. Por isso, parece surreal, uma grotesca mentira, as notícias diárias sobre o Estado Islâmico (EI). Enquanto festejamos o carnaval, na Líbia o El sequestrou e decapitou 21 cristãos coptas egípcios. Filmaram tudo e botaram na internet. Na semana retrasada mostraram outro vídeo ateando fogo num piloto da Jordânia, enjaulado, que morreu gritando pelo pai e pela mãe. Os cristãos foram mortos barbaramente, somente por serem cristãos. Não tenho dúvidas que as portas do inferno se abriram. Estes terroristas enlouqueceram completamente. Perderam a noção de humanidade. Agora, entre outras atrocidades, deram para enterrar, queimar e crucificar crianças vivas, demonstrando com isso que na realidade são monstros terríveis, demônios sem alma, cujo cérebro é feito de merda e cuja mentalidade funciona diferente do resto da raça humana. Sem piedade, o coração deles não bate, não sabe amar, perdoar, confraternizar e muito menos pular carnaval.  



Pensamento da semana: “Vamos avançar no ecumenismo, que é testemunhado no ecumenismo do sangue. Os mártires pertencem a todos os cristãos” Papa Francisco. 

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Havemos de amanhecer

Havemos de Amanhecer
Por Paulo Botelho
“Havemos de amanhecer,
 o mundo se tinge com as tintas da antemanhã;
 e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
 para colorir tuas pálidas faces, aurora”.

“Sentimento do Mundo” do poema de Carlos Drummond de Andrade dedicado ao pintor Cândido Portinari.
O paraibano Romualdo foi meu aluno de Pós-Graduação na disciplina Logística Reversa. Bastante aplicado, aprendeu corretamente o inglês por conta própria. Ele mora na Suécia e trabalha na Volvo, uma fábrica de caminhões que tem filial no Brasil. Romualdo me escreveu um e-mail contando que a primeira vez que foi a Estocolmo, para estagiar, um dos colegas costumava pegá-lo de carro toda manhã no hotel. Chegavam bem cedo à sede e o colega estacionava longe do portão de entrada. Depois de vários dias assim, Romualdo não aguentou e perguntou: “Se chegamos mais cedo, por que você não estaciona mais perto do portão de entrada?” – E o colega sueco respondeu: “É porque chegamos cedo, assim temos tempo para caminhar um pouco; quem chega mais tarde já vai entrar atrasado e terá desconto no pagamento. – Melhor que fique mais perto do portão, você não acha?” – Romualdo escreveu que não sabia onde enfiar a cara! – É aqui, mesmo nessa nossa Botocúndia, que acontece isso com frequência, além de crescente violência no trânsito. – Quem explica é o psiquiatra Jurandir Costa em seu livro “A Ética e o Espelho da Cultura”: “A pessoa que estaciona em fila dupla para esperar o filho na porta da escola age, ainda que em proporções diferentes, com a mesma arrogância delinquente do bandido que fuzila o caixa de um banco”. Em decorrência, a preocupação com a vida desemboca numa busca de sobrevivência ou de oportunismo. Mas, a verdadeira compreensão se exerce no espaço que se situa entre “o que é” e  “o que deveria ser”. – Deixa que chova, eu também estou precisando de chuva; deixa que o céu lave essa minha dor. –  Havemos de amanhecer!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br

Rádio de canto gregoriano