quarta-feira, maio 21, 2014

Uma Receita de Resultado

Leia mais um artigo enviado pelo Paulo Botelho (Debanda - 1956/58), nosso amigo do Enfrades.
Uma Receita de Resultado
Por Paulo Botelho
O investimento veio de dona América do Perpétuo Socorro Bueno, fazendeira no Sul de Minas Gerais; mãe de quatro filhas. E a tecnologia, a “Arte de Fazer Pão-de-Queijo”, veio de quatro irmãos italianos: Fabrizio, Enzo, Mino e Aldo. Para a sogra – e sogra tem sempre um adjetivo para nomear genro – eles não passavam mesmo de quatro “sacos vazios”(leia-se pobretões) que não serviam para outra coisa a não ser engravidar suas filhas. – Coitadas! O nome do negócio fora dado, depois de muita discussão em família, prevalecendo o nome  dela: América; “Pão-de-Queijo Nova América”. - Uma homenagem, sem dúvida!
Era o ano de 1978, início do empreendimento com altos e baixos. O negócio, entretanto, prosperou no eixo Poços de Caldas – Campinas - São Paulo. E funcionou a todo vapor até o início de sua profissionalização, em meados de 1992, com Marcos, o filho mais velho de Mino, à frente do empreendimento. Fabrizio, Enzo e o próprio Mino já tinham ido para o descanso eterno; e Aldo, o sobrevivente, foi morar em Belo Horizonte. – E a sogra morreu nos braços de Morfeu, o deus grego do sono, aos 98 de idade!
Logo que se formou em Administração de Empresas, Marcos resolveu colocar em prática os conceitos que aprendera nas aulas. E começou a repassá-los para seus auxiliares da Nova América utilizando-se de uma linguagem simplificada e prática. Aos poucos, ele foi observando que não falava sozinho. Naquele tempo, a Nova América já contava com um quadro de 35 funcionários espalhados pelas três lojas.
Depois de perguntarem, numa pesquisa, o que os clientes gostavam – ou não – na Nova América, Marcos e seus auxiliares olharam para os números. E constataram que os clientes queriam pães-de-queijo mais crocantes, macios por dentro, e que derretessem na boca junto com o café-com-leite bem quentinho.
Marcos e seus auxiliares decidiram corrigir o que não parecia ser um problema difícil de resolver: 45% da produção era perdida com produtos queimados. Isso significava pães-de-queijo nas latas de lixo. A partir do momento em que ele e seus auxiliares decidiram resolver, em definitivo o problema, a luz veio de um ajudante geral, o Gabriel que fez um projeto de mecanismos elétricos com esteiras rolantes para fazer circular as massas por dentro dos fornos. Dito e feito: aquelas maquinetas praticamente zeraram com os pães-de-queijo queimados. De vez em quando, ainda queimam alguns devido a falhas humanas, o que é natural. Mas, depois disso, a demanda de consumo subiu para 90%. Qualidade assegurada!
Dia desses, passei lá na loja de São Paulo que fica no Brás - e pedi dois pães-de-queijo e um copo de café-com-leite. Eram cerca de 11 da manhã. Nem precisei almoçar; desceu tudo, leve e solto, para dentro do meu estômago!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br


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