sexta-feira, janeiro 27, 2012

Carta amorosa de Olavo Bilac



Leia abaixo uma maneira "diferente" de terminar um noivado. Esta carta foi enviada pelo Helvécio Chaves (Jaburu) nosso amigo do Enfrades - ex-seminaristas franciscanos.

CARTA AMOROSA DE OLAVO BILAC


(Pouco conhecida, nem sei se está inserida na sua biografia)


Exma. Sr.ª
D. Maria da Conceição Selika M. da Costa

Creio que esta carta não poderá absolutamente surpreendê-la. Deve ser esperada. Porque V. Excelência compreendeu com certeza que, depois de tanta súplica desprezada sem piedade, eu não podia continuar a sofrer o seu desprezo.
– Dizem que V. Excia. me ama. Dizem, porque da boca de V. Excia. nunca me foi dado ouvir essa declaração. Como, porém, se compreende que, amando-me V. Excia, nunca tivesse para mim a menor palavra afectuosa, o mais insignificante carinho, o mais simples olhar comovido? Inúmeras vezes lhe pedi humildemente uma palavra de consolo. Nunca a obtive, porque V. Excia. ou ficava calada ou me respondia com uma ironia cruel. Não posso compreendê-la: perdi toda a esperança de ser amado.
Separemo-nos. Para que hei-de eu, que a amo tanto, fazer a sua desgraça? É preciso que V. Excia. saiba que a minha vida tem sido um grande combate. Já sofri fome: sobre essa miséria criei a minha independência. Chamaram-me infame: sobre essa afronta criei a minha honestidade. Chamaram-me estúpido: sobre essa injustiça criei o meu talento. E foi sobre esses três alicerces que eu edifiquei o meu orgulho. Amo-a tanto que esta separação cedo ou tarde matar-me-á. Acima, porém, do meu amor está o meu orgulho. Não o quebrei aos pés do meu pai, não o quebraria aos de minha mãe: não posso, nem quero, quebrá-lo aos pés de V. Excia. Creio que nos valemos, minha Senhora; V. Excia. está muito acima de mim. Há de reconhecer que nunca houve um noivado, cercado de tanto gelo e de tanta indiferença. Por que? Talvez porque V. Excia. acredite que os homens devem viver esmagados pelas mulheres. Concordo. Mas isso é bom quando se trata de homens vulgares: e eu não sou um homem vulgar. Quando pela última vez nos falamos, eu preveni V.Excia. de que tomaria esta resolução, se não se modificasse o seu modo de proceder. Desta vez, como de todas as outras, ficou V.Excia. impassível. Que me perdoe ter perturbado a tranquilidade da sua existência. Mas eu amava-a muito, amava-a como ainda amo, e queria, depois de tanta luta e de tanto sofrimento, ter um pouco de felicidade. Perdoe-me e fique certa de que para seu sossego, nunca mais me verá.
                                                                                    (A) OLAVO BILAC.


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Agora veja neste vídeo uma maneira divertida de se casar.