quarta-feira, outubro 31, 2012

O Medo Causado pela Inteligência


Estou muito relapso em colocar novas postagens no meu Blog, apesar da boa vontade do César Techio que tem mandado alguns artigos publicados por ele.
Isto é uma falta para com aqueles amigos de gostam de visitar o Blog e esperam que eu seja mais assíduo em colocar novidades.
Este artigo foi enviado pelo Cássio Câmara, amigo da turma do ENFRADES - ex-seminaristas franciscanos

O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:
" Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa.
Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos.
O talento assusta. E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui no Brasil.

Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:
Há tantos burros mandando 
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma Ciência.

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do
poder.
Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.
Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos. Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social.

Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.
É um paradoxo angustiante. Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.

Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues.
Finge-te de idiota e terás o céu e a terra.

O problema é que os inteligentes brilham sem perceber, sendo assim, que Deus os proteja!

Artigo escrito há mais de 25 anos e publicado no extinto Jornal da Bahia, em 23/09/1979, de autoria de José Alberto Gueiros.
JORNAL DA BAHIA - Sábado, 23/09/79

Veja 13 vídeos da série Cosmos, da BBC, do Carl Sagan.

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