terça-feira, maio 11, 2010

Causos e casos de tribunais

Mais uns casos de tribunais enviados pelo Lincoln de Castro, ex-juiz e amigo da turma do Enfrades - ex-seminaristas fransicanos.

DIDÁTICA DO DESESPERO

Lecionei Teoria do Estado e Direito Constitucional por doze anos. Tive um aluno muito chato. Perguntei a ele:
– O que é forma unitária de organização do Estado?
Respondeu:
– Não sei e duvido que tenha alguém aqui na Escola que saiba!
Numa aula dissertava sobre a evolução do poder. Começava nos grupos primitivos, nas gens, nas tribos, nas frátrias, para chegar naquelas teorias do Direito Divino, do Direito Divino Providencial, do Direito Natural,  da soberania nacional de Rousseau e na soberania popular. Deitava falação, intercalando História e ele me enchendo o saco durante a exposição. Ao final disse que não havia entendido nada. Expus tudo novamente e ele... nada. Perdi a esportiva e exclamei:
– Olha aqui, seu QI de ameba, antes da Revolução Parlamentarista Inglesa e antes da Revolução Francesa de 1789, povo e merda era a mesma coisa. Entendeu agora???

VAI TUDO À MERDA

Estava eu a presidir uma audiência de uma justificação liminar numa possessória. Uma das partes era parente de um Desembargador.
Quando estava inquirindo uma testemunha, chega um parente da parte e do Desembargador, interrompe a audiência e fala, desejando me pressionar:
– Doutor, estarei amanhã com tio (e diz o nome). O Sr. quer alguma coisa para ele?
Respondi:
– Quero sim, diga a ele que vá à merda... e continuei na busca da verdade.

JUIZ DE FUTEBOL

Gosto muito de conversar com o “povão”. Aprendo muito. As pessoas são sinceras, desinteressadas e boas de prosa. Certa feita, em Pirapora, estava batendo papo com a turma do time conhecido como “Ferro Velho”, onde joga o Nilsinho, Nilson Aladia da Cunha, que foi lateral do Cruzeiro e do Atlético e é ex-Delegado de Polícia.
Conversa vai, conversa vem, cerveja vem, tira-gostos vêm, lá pelas cinco da tarde, um deles pede a palavra, dirige-se a mim e fala:
– Ainda bem que o Nilsinho me contou agora que o Sr. é Juiz de Direito, porque desde o meio-dia eu estava a matutar como era que um gordo e careca como o Sr. conseguiria correr noventa minutos apitando um jogo de futebol.
A gargalhada foi geral.

UMA!!!

Quem me contou a estória foi o Wagner Wilson Ferreira, meu colega de magistratura. Disse que na cidade de Passos, no Sudoeste de Minas, um jovem se casara com uma filha única de um fazendeiro muito rico. O pai ofereceu uma de suas fazendas para o casal passar a lua-de-mel e disse ao genro:
– Óia, essa minha fia tem um gênio terrível. Eu nunca vi muié tão implicante. Cê pensa bem se ocê qué mesmo casá cum ela....
Celebradas as bodas, o casal vai para o recanto do ‘enfim sós’, ambos montados numa mula preta.
A mula dá uma empacada e o noivo lhe desfere violenta chicotada, gritando:
– Uma!!!
A noiva começa a reclamar da viagem... O noivo, calado, segue caminho por mais duas horas.
Novamente a mula empaca. O noivo grita para o animal chicoteando-o duas vezes, com maior violência ainda:
– Duas!!!
A mula anda e a mulher inicia um berreiro, reclamando da sorte. Andam mais uma légua.
Pela terceira vez a mula empaca. 
O noivo, então, diz: três... saca um revólver e dá um tiro na cabeça da mula, matando-a. Seguem o restante do caminho, a pé, o noivo carregando a pesada bagagem,  chegando, três horas depois, ao destino.
Quando a noiva vê a casa, de adobe, toda esculhambada, no meio de um grotão, esbraveja:
– Como papai faz uma coisa dessa comigo, arranjá um casebre vagabundo desse pra minha lua-de-mel, longe pra daná, ainda mais, muntada numa mula manca que só sabia empacá e tendo qui andá de pé mais de três légua carregando bagage?
O noivo olha para ela, sério, teso e só diz:
– Uma!!!
E a donzela vestal nunca mais lhe encheu o saco...

Veja nesta página do jornal Boston belas e impressionates fotos da erupção do vultão Eyjafjallajokull, na Islândia. Se você quiser traduzir a página para alguma língua clique no 

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