quarta-feira, abril 14, 2010

Casos e causos de Minas e de mineirim.

Estas pérolas foram enviadas pelo Lincoln de Castro, amigo da turma do ENFRADES - ex-seminaristas franciscanos.


AUTOR: Augusto Vieira


MO-DE-RA-DA-MEN-TE


Quando trabalhei em Jequitinhonha passei a gostar tanto do “rio das areias claras”, como o chama, carinhosamente, Chico Pereira – em Montes Claros, mas em Jequitinhonha “Chico Lota” – que mudei a sala de audiências para a parte de baixo do Fórum, de modo que eu trabalhasse vendo aquela maravilha da natureza.
Um cidadão montou um barzinho rústico, em frente, na beira do rio. Toda tarde eu saía do expediente e ali tomava minha cervejinha estupidamente gelada, porque o proprietário do bar, para agradar o ilustre freguês habitual, punha a garrafa no congelador meia hora antes de minha chegada.
Um belo dia, em 1983, estava a presidir um Júri. O julgamento era de repercussão social e o salão, que não ficava em frente ao rio, mas na parte de cima do prédio, ao lado do local onde era a antiga sala de audiências, estava lotado.
Quando interrogava o réu, perguntei-lhe:
– O Senhor bebe???
Respondeu ele:
– Bebo sim, dotô, ingualzinho o Sinhô: umazinha, todo dia, no bar da beira do rio, em frente ao Fórum.
Fechei a cara, franzi o cenho, dei um tempinho, pigarreei para limpar a goela e ditei, praticamente gritando, ao Escrivão, encarando a platéia pelos quatro cantos do salão e de dedo em riste:
– Que o réu bebe mo-de-ra-da-men-te!!!




ÁS DE COPAS E FREI LAMBAS


Em 1983, no Tribunal do Júri de Jequitinhonha, no interrogatório de um réu, perguntei-lhe:
– Por que o Sr. atirou na vítima?
O réu responde:
– Porque ele me mandou tomar no ás de copas.
Retruquei:
– O que significa ás de copas?
O réu, tranqüilamente, responde:
– É cu, dotô, é cu, dotô...


Estória semelhante contaram-me do grande Lamberto de Oliveira Santana, meu querido Frei Lambas, hoje Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, quando Juiz em Curvelo.
Perguntou ao réu, com aquele ar de arcebispo:
– O Sr. atirou na vítima?
O réu respondeu:
– Não atirei não, dotô, é que eu tava cum revolve na cintura e ele disparou e a bala bateu numa pedra, ripicou e furou a testa da vítima.
Frei Lambas esfrega as mãos e com ar sacerdotal fixa os olhos no réu e diz:
– O Senhor está pensando que bala de revólver é peido, que sai pelo ânus, desce pela boca da calça e reflete no nariz?
O réu se arrependeu do que dissera, emendou-se e confessou, tranqüilo, a autoria do crime ao paciente Juiz...


TRÊS DE PROFESSORES


Do mestre Osvaldo Pataro Moreira, em 1968, ao iniciar uma aula sobre defloramento, no 5º ano, na cadeira de Medicina Legal:
– Vou lhes ensinar a oração da mulher virgem.
E recitou:


“Virgem Santíssima, Vós que concebestes sem pecar, Permiti que eu peque sem conceber.”


Do mestre Cândido Martins de Oliveira, sobre o defloramento, em 1964:
– O defloramento, na conceituação de Orlando Gomes, é um ato delituoso, mas eu preferiria dizer que é um ato delicioso.


De um antigo Professor da Federal, ao pegar o filho se masturbando em sua cama de casal, contando o fato à esposa:
– Minha cara consorte, ao transpor os umbrais de nossa alcova nupcial, o mais horrendo quadro se me deparou. É que o nosso primogênito, despido de sua fatiota nova, olhar esgazeado, pênis ereto, jaculava a esmo.


“HABEAS CORPUS” EM SERENATA


1966. Plínio Arantes preso numa passeata estudantil. Não tinha jeito de soltá-lo. Grandes advogados não haviam conseguido. Descobrimos que o Joaquim Ferreira Gonçalves, Secretário de Segurança, adorava serenata e era atleticano doente.
Reunimos a turma da arte e fomos, em bando, à residência dele.
Recebeu-nos com alegria. Caprichamos nas músicas. Abriu-nos a casa e vieram salgadinhos e bebidas as mais variadas. Quatro horas da madrugada ainda cantávamos, ele e a gentil e educada esposa também, intercalando entre uma e outra música o grito de guerra “Galôôô!!!
Na despedida, disse ao Secretário:
- Tem um colega nosso, atleticano roxo, que é o maior artista da turma. Canta como uma patativa e toca uma viola lerda. Foi injustamente preso e está no DOPS. Por caridade, manda soltar ele. É arrimo de família.
No outro dia, chegamos, ressaqueados, na Faculdade, por volta das nove horas.
Dez horas da manhã chega o Plínio, que era americano doente, não cantava nem mulher - por ser fiel à namorada e hoje esposa, Mirtis -, que não era arrimo de família e que nunca tocara violão, branco que nem neve, amarrotado, pálido, fedorento e surpreso, dizendo que estava livre e não sabia o porquê, reclamando:
– Será que esses caras estão achando que eu sou de direita?

Pequenos anúncios:
Com a devida licença, estou começando, hoje, a colocar alguns pequenos anúncios neste outro Blog que eu tenho: Canto Gregoriano. Dê uma olhada lá.
É uma oportunidade para os amigos do Enfrades ou outro grupo de ex-seminarista ou mesmo alguem leitor do Blog poderem divulgar alguma coisa que possa ser interessante para a turma ou para os demais leitores deste Blog. 

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