sábado, abril 18, 2009

Artigo do Eduardo Machado: Por uma cultura de paz.

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Eduardo Machado, coordenador da Pastoral do Colégio Machado, de Belo Horizonte.

POR UMA CULTURA DE PAZ.


“Boa noite!”
Assim começa, de segunda a sábado, o noticiário de TV de maior audiência no país, o Jornal Nacional, da Rede Globo. Na seqüência, o simpático casal de jornalistas, William Bonner e Fátima Bernardes, se alterna no anúncio das manchetes do dia. Não há surpresas...

Bala perdida mata criança no Rio de Janeiro.
Mais um escândalo no Congresso Nacional.
Atentado na Índia mata 40 pessoas
Acidente espetacular na Formula I
Crise derruba o PIB
Empresas demitem milhares de funcionários
MST invade fazendas no interior de São Paulo.
Cresce o número de mortos em acidentes nas estradas...”

E pra amenizar um pouco e nos preparar para as
emoções da novela das oito, que começa às nove...

“Fenômeno faz gol no último minuto...”

No sofá, acuado, o telespectador se pergunta: o que pode haver de bom nesta noite, neste dia, neste país, neste mundo?
Inseguro, assustado, por via das dúvidas vai até as portas e janelas e confere a tetra chave, a tranca, o alarme. O alarme...
Vivemos, literalmente, alarmados. O som irritante de buzinas e sirenes já se incorporou ao nosso dia a dia. Ninguém mais liga. Ou quase. O alarme é estridente, mas o resultado é silencioso...
Na surdina, cresce entre nós uma cultura de violência, medo e morte. Tão forte que se apropria do nosso medo, o pasteuriza, industrializa e transforma em mercadoria e diversão.
A indústria que “vende segurança” é uma das que mais cresce. Desde o ferrolho na porta, o motoqueiro, versão pirata de polícia, que passa na madrugada com sua buzina subliminar pontuando nosso sobressaltado sono de medos e presságios, até os sofisticados aparelhos eletrônicos de vigilância, vivemos essa paranóia angustiante e sufocante.
Mas o mercado, no seu frenesi de consumo, ‘capitaliza’ também a paranóia e a transforma em faturamento e lucro. Nas telas da TV e do Cinema o medo garante audiência e bilheteria em filmes e programas que seduzem pela banalização da violência em efeitos especiais de última geração. Sem falar nos joguinhos eletrônicos onde o sangue explode na tela do computador e escorre pelos olhos anestesiados, insensibilizados e idiotizados das nossas crianças, adolescentes e jovens.
Exagero? Terrorismo? Conversa de adulto chato?
Prefiro dizer que é um convite a VER, JULGAR e AGIR. Como propõe a Campanha da Fraternidade deste ano, através do tema “Fraternidade Segurança Pública”, com o lema “A Paz é fruto da Justiça”.
E a proposta da Campanha vai além do Tempo da Quaresma, que vai terminando. O desafio não termina. Continua presente, pedindo nossa reflexão. E ela começa por um exercício de memória.
Outro dia ouvi um deputado, num discurso, dizer que precisamos “tirar as crianças da rua”. Tudo bem, a intenção é ótima, melhor que o discurso e muito melhor que a prática que fica, muitas vezes reduzida apenas às palavras. Mas não consigo deixar de pensar...
Fui moleque de rua, num tempo em que ser moleque e estar na rua, brincando com os amigos, era a coisa mais saudável do mundo. Lá joguei futebol, bente altas, finca, brinquei de pique esconde e mãe da rua.
Lá aprendi a ganhar, perder e conviver. Descobri o valor da amizade e cantei, sem nunca ter ouvido, o refrão que o Gonzaguinha ainda nem tinha escrito: E a vida? É bonita, é bonita e é bonita...
E é bom esclarecer que não nasci ou cresci num bairro zona sul. Minha rua era a Mendes de Oliveira, no Santo André. Meu quintal era a Pedreira Prado Lopes.
Quem conhece BH sabe do que estou falando...
“A paz é fruto da justiça”, diz o lema da Campanha. E eu pergunto. É justo e nos dará paz erguer muros cada vez mais altos, cercas elétricas cada vez mais extensas, alarmes cada vez mais sofisticados?
A paz virá com mais polícia na rua, mais gente na cadeia, pena de morte, prisão perpétua, redução da maioridade penal?
De onde virá a paz, a segurança que buscamos? Estamos condenados a essa paranóia de medo, pavor, desconfiança? Somos tão fracassados assim, como espécie, como civilização?
No Colégio Imaculada, onde trabalho, iniciamos um projeto que quer envolver toda a Escola, na verdade toda a comunidade educativa, incluindo famílias e ex alunos:
“Por uma cultura de Paz - Um outro mundo possível”.
O objetivo é desenvolver atividades diversas visando à discussão do tema “Segurança”, em seus vários aspectos, respeitando as características de cada faixa etária, pensando soluções e buscando um AGIR coerente e conseqüente com os valores e princípios do “Nosso Modo Próprio de Educar”.
Mas o objetivo maior, lá na frente, é levar a uma transformação desta cultura de medo, uma mudança de comportamento, sem ingenuidade ou terrorismo. Pois educar também é isso: denunciar o Mal descartável, anunciar o Bem desejável, mudar atitudes e comportamentos.
Afinal, entre o medo global e a paz essencial, um outro mundo tem que ser possível.
E você, o que pode fazer...?

Eduardo Machado
03/04/2009

sexta-feira, abril 17, 2009

Cervejinha de quinta-feira: 16 de abril de 2009.

Estiveram presentes na cervejinha desta quinta-feira: Jaburu, José Derval, Alex Fantini, Noraldino (Chibeta), Aloísio Tirado (Jaó), Tachinha, Carlos Augusto (Coelhinho), Paulo Petermann, Amaury, Valjean (Canela), Frei Cristóvão e Marcos Vasconcelos (Quinho - filho do João Marques)

quinta-feira, abril 16, 2009

Diferentes formas de dar uma notícia.

Leia o e-mail enviado pela Thamar, filha do David Venutto (Tampinha) com diversas formas de dar a mesma notícia.

AS DIFERENTES FORMAS DE DAR UMA NOTÍCIA NA IMPRENSA BRASILEIRA

A história de Chapeuzinho Vermelho

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'.
(Fátima Bernardes): '... mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.

FANTÁSTICO
(Glória Maria): '... que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'

CIDADE ALERTA
(Datena): '... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.'

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'.
Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente.

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no Rio Grande do Sul.

AQUI
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS (Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'

PLAYBOY (Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE (Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado.

segunda-feira, abril 13, 2009

Veja o video de Mayra do BBB9 e ganhe um vírus de presente.

Como o assunto ainda é atual os pilantras que mandam vírus aproveitam que ele ainda está "quentinho", pois o BBB acabou de acabar, e manda umas arapucas para você aguçar a sua curiosidade e aumentar a quantidade de vírus no seu computador.

Esta eu recebi pelo Orkut de alguém que faz parte da minha relação de amigos (com toda a certeza estão usando o nome dele) com uma mensagem:

Veja o video de Mayra do BBB9.

Abaixo vem uma sugestão de vídeo com a dita cuja da Mayra só de calcinha e passando o mouse sobre a indicação para "ver (????) o tal vídeo aparece um link para: www.nytimes.com/e um endereço enorme e no final ainda tem o nome da Air France????

Quem se habilita a ler o New York Times, viajar pela Air France e buscar mais um vírus para o seu computador?

P.S: Após esta publicação desta postagem o meu Blog teve mais de 30 acessos de internautas que também receberam o tal convite-armadilha e ao pesquisarem sobre o assunto visitaram o meu Blog e ficaram sabendo que este e vários outros tipos de e-mail com assuntos sensacionalistas e/ou pornográficos são enviados somente para pegar os incautos que queiram ver seus computadores infestados de vírus.
Quando receberem mensagens deste tipo NÃO ABRAM NUNCA, NEVER, JAMAIS, pois COM CERTEZA É MUTRETA E VÍRUS.
Normalmente você recebe este tipo de e-mail ou de convite de pessoas que não são conhecidas suas e acha que eles vão mandar coisas interessantes ou despretensiosas para alegrar você???

P.S: Se você gosta de canto gregoriano e quer conhecer mais de 1.000 links interessantes, por favor, visite a minha outra página: Canto Gregoriano

Artigo do Eduardo Machado: A Paixão não está acabada...

Leia, abaixo, mais um artigo do Eduardo Machado, coordenador da Pastoral do Colégio Imaculada, de Belo Horizonte.

A paixão não está acabada...


Lentamente caminho pelo corredor da Igreja. Nas paredes, as estações da Via Sacra. São quadros de traços tradicionais, figuras familiares, de cores vivas que combinam com a arquitetura do templo.

Estou diante da 1ª estação. Jesus é levado pelos soldados de Pilatos. Acabou de ser condenado...

Paro e fico pensando no quadro, na frase sob ele:

“Jesus é condenado à morte...”.

Um outro quadro vem à minha lembrança...

Há pouco, na rua, parei num sinal em frente a um posto de saúde. A fila, longa, estendia-se pelo quarteirão, dobrava a esquina.

Mulheres de olhares tristes, velhos cansados, crianças chorosas.

Entre os carros parados, o habitual grupo de pedintes, mendigos, desempregados, malabaristas, oportunistas, todos em busca de uma improvável fresta nos vidros e corações fechados. Enfim, o sinal abriu-se e segui em frente, deixando para trás e levando comigo uma imensa falta de esperança.

Do rádio do carro, outras imagens vieram num turbilhão: o noticiário das guerras, os números das mortes anônimas, a brutalidade sem nome, a dor.

Políticos engravatados, com discursos que prometem liberdade e paz, semeiam desespero e terror.

As estatísticas do desemprego, da violência. As crianças sem escola, as escolas sem merenda, os sem casa, os sem terra, os sem teto, os sem futuro...

Angustiado parei aqui, nessa Igreja, em busca de silêncio e, quem sabe, alguma paz.
E agora, estou diante da primeira estação da via sacra que ganha outras cores e significados. No rosto de Jesus, vejo os rostos anônimos que vislumbrei na fila, que encarei no sinal, que imaginei nas notícias que vieram pelas ondas do rádio. Penso comigo:

Ele continua sendo condenado...

A paixão continua acontecendo. Mudaram os nomes, os rostos, mas o enredo continua quase o mesmo. Pilatos e os fariseus hoje podem chamar-se Eduardo, Ângela, Antônio, Luiz, Marina...

No quadro, contemplo a multidão que passa pela fila, assiste a TV, ouve o rádio, lê os jornais, fecha o vidro do carro nos sinais, trava as portas e segue em frente, alienada, cega, insensível, impotente. Em meio às buzinas, posso ouvir um grito que atravessou os séculos e agride, agora, o silêncio dessa igreja vazia:

CRUCIFICA-O!!!

Olho mais uma vez o quadro. Há outras figuras ali, ao redor de Jesus. Percorro cada rosto em busca de algo ou alguém.
No meu coração, a pergunta brota, espontânea: quem sou eu, hoje, no drama da Paixão? Que papel represento nessa história que continua sendo contada e vivida todos os dias?

Seria o de Judas, o amigo traidor que ‘topou tudo por dinheiro’...?
Pedro, o líder impetuoso que diante do risco preferiu negar e depois chorou escondido o seu arrependimento, a sua covardia...?
Os outros amigos que fugiram, abandonando Jesus à sanha dos seus algozes...?
Os sacerdotes que para não perderem o poder, a influência, o controle, tramaram, mandaram prender, interrogaram, torturaram, mentiram e forjaram um julgamento de cartas marcadas...?
Pilatos, o juiz que declarou a inocência do réu, mas, por fraqueza pessoal e conveniências políticas, condenou-o, entregando sua vida nas mãos da turba que, insuflada e manipulada, pedia sangue...?
Herodes, que se divertiu e, entediado, resolveu passar a outro a responsabilidade...?
Os soldados que, cumprindo ordens, fizeram o serviço sujo...?
Os curiosos que estavam lá, para ver e comentar...?
Os que acharam um absurdo, uma brutalidade, mas permaneceram calados, omissos, assustados...?
Não consegui continuar a via sacra. Parei na 1ª estação. Lá fora, outra via me esperava. O imenso calvário do cotidiano onde eu precisava encontrar, de alguma forma, sinais de ressurreição em meio a tanta presença da morte. No coração, a pergunta insistia:

Onde eu estava naquela sexta feira, em todas as sextas feiras, em todos os dias dessa interminável semana de paixão e dor?

Eduardo Machado
01/04/2003