sábado, agosto 15, 2009

Artigo do Frei Cristóvão: Compromisso e Envolvimento.

COMPROMISSO E ENVOLVIMENTO

1. Uma primeira aproximação da temática (Visão genérica)

São dois conceitos que se exigem, se perfazem reciprocamente. Um não vai sem o outro; ao contrário se imbricam, se entrelaçam.
Temos aqui um típico exemplo do que se entende por dialética inclusiva.
Dialética é o pensamento em movimento: Tese x Antítese: Síntese. A síntese se transforma em tese que tem sua antítese que, por sua vez, desabrocha numa nova síntese que transforma em tese. E assim vai.

A x B: C. C contém A e B e algo mais que os ultrapassam.
(“Conforme: O QUE É DIALÉTICA”, Pereira Cristóvão, in “A Revolução da Cordialidade, a Mulher no Novo Paradigma Civilizacional”, Belo Horizonte, 2003:41-43).

2. Uma segunda aproximação da temática (Visão específica)

Especificando o tema, poderíamos, numa visão sintética, dizer que o conceito “Compromisso” apela mais para a razão, buscando mais a dimensão objetiva, lógica, racional do tema proposto para a nossa Oficina. Exige uma metodologia de cunho dedutivo.

Já o conceito “envolvimento” seria mais de cunho pessoal, existencial. Falaria mais ao coração, à vida, à existência. Impõe uma metodologia de cunho fenomenológico.

O primeiro busca mais a essência da coisa em si. Procura definir as coisas.
Já o segundo se contenta mais em descrever do que explicar as coisas. Temos, então, a distinção entre essência (Razão), e existência (Coração).
E não nos esqueçamos de que “o coração tem razões que a própria Razão desconhece” (W.Shaskespear). E de que “o essencial se vê com o coração e não com os olhos” Antoine de Saint-Exupéry – “Pequeno Príncipe”).

3. Alimentar o Compromisso

Como? Pelo processo de conscientização.
Consciência-conscientização.
Consciência no sentido de mundividência, de cosmovisão. De leitura, compreensão, hermenêutica da Realidade.

4. Tipos de consciência
a. Consciência ingênua: as coisas são assim porque são assim; por força de sua natureza. A coisa complica quando se crê que a Realidade se apresenta como tal por vontade de Deus! Fala-se, então, em destino. Estamos à beira da fatalidade, do fatalismo. Não dá para mudar a Realidade; resta-nos a ela nos submetermos!

b. Consciência mitológica ou totêmica. O Mundo, a Realidade, a História são dirigidos e governados por forças superiores, misteriosas, divinas das quais dependemos. Cabe a nós respeitá-las e segui-las.

c. Consciência alienada. Alienado vem do latim “alienus”, isto é, alheio, de outro, de outrem. Algo de que não me é próprio. É pensar com a cabeça dos outros; a partir do meio em que se vive; dos jornais e noticiários que lê e assiste. “É uma Maria que vai com as outras”. “Anjinho de presépio”.

c. Consciência Crítica.
Os conceitos “Crise – Crítica” são muitos ricos. Veja na minha obra acima referida onde analiso a semântica do conceito “Crise”.
Uma consciência crítica busca as raízes, as causas que sustentam a Realidade. Busca o porquê das coisas. Quer uma explicação estrutural dos fatos, da Realidade, da História.

O mundo, a Sociedade, os fatos, a História são criações nossas. Uma vez que fomos nós que os criamos, nós também podemos recriá-los, mudá-los, transformá-los. Para os cristãos, o “Homo” é co-criador do Mundo.

5. Aplicação, no caso, para o MFC (Movimento Familiar Cristão)

O Compromisso será mais firme e consistente na proporção de uma maior conscientização do que venha a ser o MFC. Sua identidade, origem, evolução, história, serviço aos valores humano-cristãos em prol da Família. Suas publicações, serviços prestados à Juventude, ao casal, à Família. Equipes de Base, Equipe Familiar de Base (EFB). Encontros de Jovens, Pastoral Pré-Matrimonial, Encontros de casais, Retiros, Encontros de Formação, Encontros Regionais, Conselhos Estaduais, Encontros Nacionais, Latino-Americanos,os INFA (Institutos da Família).
Estamos aqui no nível do racional, do objeto. São realidades concretas verificáveis.

O Envolvimento

O casal, os filhos participando das Equipes de Base, das EFB,e demais promoções do Movimento passam a experienciar, vivenciar o projeto, a proposta do Movimento.
Estamos aqui no nível da Vida, do apelo à mudança do coração; do convite à mudança de vida, de sua consciência.

Um convite para uma revisão do relacionamento conjugal, familiar e social.
A Pedagogia Participativa, onde cada um entra com sua experiência no que comporta de positivo e de negativo; a troca de idéias e apoio mútuo criam o clima de que o projeto do MFC (Compromisso) é enriquecedor e humanizador; com isso há mais abertura para um compromisso-envolvente com a causa do MFC.

6.
A dialética masculino x feminino: Na convivência e intimidade do casal, o masculino engendra o feminino e vice-versa. Somos seres andrógenos. Dentro de cada homem mora e se esconde uma mulher; dentro de cada mulher mora e se esconde um homem.

A dialética Pais e Filhos. Educar para a Liberdade e para a Justiça. O diálogo no processo educacional. O Conselho de Família. Educar para a responsabilidade. A autonomia dos filhos é a razão de ser da paternidade e da maternidade. Os filhos são vocacionados a se tornar pais de seus pais; e os pais, filhos de seus filhos.

O Social: somos condicionados pelo meio ambiente onde vivemos, pela Sociedade que construímos. Se fomos nós que a construímos, nós também podemos mudá-la, transformá-la. Participação política. O exercício da “Cidadania Ativa”.

Com isso o Conjugalismo, o Familiarismo e o Social constituem um processo contínuo que se perfazem.

8. Veja meus artigos:
• Poder e Autoridade
• A dimensão libertadora do Poder
• A Arte de ser pai-mãe é deixar de ser pai-mãe
• Educar para a Liberdade e para a Justiça
• A palavra é a morada do ser.
• O exercício da cidadania ativa
• A Família na Atualidade
• A Crise Financeira mundial (I-II-III)

Frei Cristóvão Pereira, ofm.
freicristovao@gmail.com

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