terça-feira, julho 21, 2009

Artigo do Frei Cristóvão: A Vingança do Sagrado (III)

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Frei Cristóvão. Para variar, eu perdi um monte de mensagens que estavam na Caixa de Entrada e não sei se havia outros artigos sobre o assunto (o I e o II).

A VINGANÇA DO SAGRADOO (III)
A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA

Minhas observações partem de uma experiência concreta: um retiro que preguei para um grupo carismático. 70 jovens no primeiro dia; 130 no segundo dia com a presença de muitos pais dos jovens participantes. O tema que me foi proposto: “Reconciliação”; além das mensagens nas duas eucaristias previstas no roteiro dos dois dias que passaríamos juntos.

Senti muito entusiasmo, dedicação e espírito de doação e serviço no grupo que coordenou o retiro, desde a turma da cozinha, do grupo de animação, dos responsáveis pelas celebrações eucarísticas. Muitas confissões que transpiravam uma conversão interior, verdadeira mudança de vida. Momentos gratificantes no exercício do sacerdócio. Muito sofrimento acompanhado por lágrimas purificadores.

Nas duas reuniões preparatórias com a equipe coordenadora não foi fácil negociar momentos de silêncio para um encontro mais íntimo e pessoal consigo mesmo na busca da presença de Deus que nos interpela através do que acontece com cada um de nós no desenrolar de nossas vidas.

Conseguimos introduzir algumas propostas no sentido de deixar o “grupão” se manifestar, externando suas interrogações, dúvidas e melhor compreensão do que venha ser “crer em Jesus e crer em que Jesus creu” (Seu Projeto de Vida – a Causa que abraçou e que o levou ao comprometimento extremo da cruz: fazer a vontade do Pai (Vida e Justiça para todos a partir dos pobres e excluídos).

Os “Momentos de Cura”. São momentos fortes, a exemplo dos cultos das igrejas evangélicas, o testemunho pessoal de conversão cria um clima de como que hipnose coletiva com o conseqüente colapso da razão crítica. São momentos de quando o afeto, a sensibilidade, o coração falam mais forte. O que vem de encontro como resposta ao pós-modernismo com suas exigências de subjetividade como resposta à solidão da vida urbana, à perda da auto-estima, ao estresse da vida moderna, à fidelidade conjugal e familiar, a dependência do jogo de azar e da dependência química, etc.
São testemunhos de leigos-cristãos para cristãos-leigos.

Alguns desafios:

1. Fidelidade e dependência à Igreja-Hierárquica sem questioná-la e exigir dela fidelidade ao núcleo duro da mensagem evangélica.
2. Dependência do “guru” que está à frente do grupo. Caso esse vem a se transformar num testemunho-negativo, a decepção pode levar muitos ao afastamento do grupo e da própria Comunidade Eclesial.
3. Fazer da pertença ao Grupo momentos de terapia na superação de seus problemas existenciais. Uma vez superados, voltam à rotina do seu cotidiano existencial. Faltou-lhes aprofundamento bíblico-teológico de sua fé.
4. A fuga momentânea das agruras e do peso do cotidiano de cada dia pode favorecer uma atitude fundamentalista, dogmática e moralmente, falando. A condenação do mundo ao invés de se comprometer em transformá-lo em mais humano e justo.
4. Combinar os propósitos da RCC (Momentos de Louvação – O batismo no Espírito Santo) com diretrizes evangelizadoras da CNBB, da Diocese, da Paróquia.
5. O processo de conversão é algo de muito íntimo e pessoal no qual estão em jogo a graça de Deus e o mistério profundo da liberdade humana. Podemos criar condições que favoreçam a abertura do coração aos apelos da convocatória da ação santificadora e libertadora do Deus de Jesus Cristo. O que requer veracidade de vida, doçura de coração e sutileza de espírito. O francês, na vertente de Pascal, usa a expressão “finesse”. A tramela de nosso coração só se abre por dentro. Compete a cada um abrí-la ou mantê-la trancafiada!

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

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