sábado, janeiro 17, 2009

Camões e modernidade

Para consolar um grande amigo que deve estar chateado (apesar de estar acostumado com a história de sempre) por más notícias vindas de Montevidéu, estou colocando esta postagem de uma notícia enviada há muito tempo.

Tachinha,
Veja que interessante essa observação feita pelo J. Dângelo em um artigo da Gazeta de São João del-Rei, e que, para curiosidade geral, acho que merece figurar em seu
"pesado" blog. Jaburu.

Novos tempos

No vestibular da Universidade de São Paulo (USP) cobrou-se dos candidatos
a interpretação do seguinte trecho de um poema de Camões:
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer..."

Uma vestibulanda de 19 anos deu sua interpretação em forma de poesia:
"Ah! Seu Camões,
se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão...
Compravas um computador,
consultavas a Internet e descobririas
que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo...

Deve ter sido a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher. Típico da geração BBB, da Malhação, do Chat e do Rave.
Comento:
Triste geração é esta que não entende a mensagem nascida do romantismo.
Tudo deturpa e detesta:
em vez de afeto, o cinismo,
em vez de amor, sacanagem...
Quem tem coração de gelo
não pode entender o apelo
do poeta apaixonado.
Amor? A geração de hoje em dia não pode mesmo senti-lo:
se amarra em pornografia,
só pensa mesmo é naquilo...
E o que é mais surpreendente:
seja com os de mesmo sexo,
ou com os de sexo diferente...

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