sábado, março 22, 2008

Cervejinha de quinta-feira: 20 de março de 2008.

Leia abaixo o e-mail enviado pelo "correspondente" do Enfrades em Belo Horizonte sobre a cervejinha da última quinta-feira:

Tachinha,
Lamentando sua justificável ausência (ida a Juiz de Fora, em visita a seus caros parentes), estiveram presentes na cervejinha de ontem, quinta-feira santa, o José Derval, Amaury, Valjean (Canelinha), Carlos Augusto (Coelhinho), Alex Fantini e Jaburu.
O Milton (da mesa ao lado) deve ter ido, com certeza, ao Rio para prestigiar o seu Mengão.
Feliz páscoa para você e seus familiares.
Jaburu.

P.S.: Estou postando esta mensagem aqui de Benfica, bairro de Juiz de Fora e à tarde vou ao Seminário lá em Santos Dumont para os preparativos para o nosso encontro deste ano nos dias 4 a 6 de julho.

terça-feira, março 18, 2008

Dica de página

Para quem gosta de navegar na Internet à procura de páginas interessantes aí vai a dica de uma página enviada pelo Marco, filho do Amaury.
Na página você encontra dicas de sites interessantes sobre vários assuntos.
A página é a All My Faves

segunda-feira, março 17, 2008

Artigo do frei Cristóvão: Do anátema ao diálogo.

Leia abaixo mais artigo enviado pelo frei Cristóvão.

DO ANÁTEMA AO DIÁLGO

Lá se foram 45 anos depois do Concílio Ecumênico (1963-1967) João XXIII foi quem o convocou, com forte resistência, por parte da Cúria Romana. Muitos funcionários da Cúria pensavam que o Concílio seria, no máximo, um encontro festivo e fraterno da Igreja (Hierarquia) consigo mesma; tanto assim que levaram uma pauta de trabalho para manter as rédeas em suas mãos. Houve a reviravolta inesperada: os padres conciliares rejeitaram o esquema de trabalho apresentado votando uma outra pauta de trabalho aprovada em plena aula conciliar, adotando a metodologia VER-JULGAR-AGIR, utilizada pela Ação Católica e, posteriormente, pelas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e pela Teologia da Libertação. Entendidos no assunto afirmam que seriam necessários, ao menos, 50 anos para se completar sua assimilação pelas bases cristãs. O mesmo pode-se dizer do documento de Aparecida (2007).

A Cúria ressentida começara um longo trabalho de, senão boicotar, pelos menos, minimizar os avanços da Igreja em termos de abertura e diálogo com o Mundo Moderno. O Pontificado de João Paulo II se incumbiria desta tarefa inglória e desastrosa para a Igreja Católica e, por extensão, para o mundo; em particular, para o Ocidente, agora, em pleno processo de secularização. A Cristandade em compasso de extinção, malgrado seus adeptos e defensores.

Foram `anos de chumbo`, da volta à `grande disciplina`. Tivemos um longo pontificado que governou a Igreja se escudando nos assim chamados Movimentos (Opus Dei, Concílios de Cristandade, Comunhão e Libertação, Focolarinos Catecumenato; e mais recentes e mais perto de nós: O Movimento Carismático (detentores da `Rede Vida`, com presença forte na TV Canção Nova), Legionários de Maria, Arautas de Cristo. Esses mantém seminários nos quais são formados os futuros presbíteros, com a frustrante missão de dar continuidade ao Movimento Anti-Concílio. Triste sina! O seminário de São Paulo, onde Bento XVI se alojou, acolhe mais de 400 seminaristas, bispos de muitas dioceses enviam seus vocacionados para lá. No mais, hospedagem, estudos, tudo de graça. O dinheiro deve vir, certamente, dos Movimentos acima referidos. Com o tempo, teremos mais e mais presbíteros doutrinados segundo a cartilha da Cúria Romana. Como a maioria dos presbíteros não passam de `pequenos doutores de Teologia `(expressão de J. Conblin: 2007), os futuros presbíteros se manterão afinados com a Cúria Romana; e o `povão` lascado continuará passando fome, explorado e com quase nenhuma participação política consciente, questionadora e co-autora de um mundo mais justo e humano.
Ora, João Paulo II governou a Igreja investindo largamente nesses Movimentos. Mais ainda: com todo um processo de centralização do poder em sua pessoa, na Cúria Romana e nos bispos titulares de suas dioceses. Com isso enfraquecendo a colegialidade episcopal que se fazia atuante nas Conferências Episcopais, sejam elas nacionais como a nossa CNBB; seja intercontinentais (CELAM).

Ora, o então cardeal Ratzinger, hoje Bento XVI, como Secretário de Estado do Vaticano, esteve a frente de todo esse processo. Durante o pontificado de João Paulo II, nada menos de 160 teólogos foram notificados pela Cúria Romana, proibidos de lecionar nas Faculdades Teológicas, como também de publicar seus estudos e pesquisas. Entre nós, o caso mais recente, foi Juan Sobrinno. Leonardo Boff tornou-se um caso nacional e mundial!

Pastoralistas previam que a Igreja no XXI seria a Igreja da alegria, da misericórdia e do Espírito Santo. Uma Igreja carente de Pastores e não tanto de Mestres e Doutores. Ora, Bento XVI é um doutor, um catedrático formado sob a influência do pensamento teológico europeu; mais precisamente, alemão. Seu forte é Cristologia, deixando em segundo plano toda a pneumatologia (A presença e atuação do Espírito Santo na História, na Igreja, na minha, na sua vida). Veja sua primeira Encíclica `Spe Salvi facti sumus` (`É na esperança que somos feitos`)

A discussão sobre o fato de que a Teologia seja ou não uma Ciência continua em pé. Os desafetos à Teologia alegam que não pode haver ciência sem liberdade de pesquisa e respectiva publicação de seus trabalhos; esses, por sua vez, abertos ao diálogo científico, sujeitos à crítica e a uma possível rejeição. Ora, segundo eles, estes requisitos de ordem epistemológica são negados no interno da Igreja, uma vez que estão subordinados a instâncias superiores: à Tradição, ao Magistério.

Sem liberdade de pesquisa e de publicação da mesma não há credibilidade quanto ao cunho científico das reflexões teológicas. A rejeição à visita do papa, por parte de alunos e professores, da Universidade `Sabenza` (Roma/janeiro/2008), onde proferiria uma conferência, poderá ter por motivação que seu método não teria cunho científico! Quanto ao questionamento sobre a cientificidade da Teologia vem de longe. Trata-se, no fundo, de uma reta postulação da problemática e questionável relação entre `Fé e Ciência`. (Conf. Ducoc, Chistian, A Teologia no Exílio, o desafio da sobrevivência da teologia na cultura contemporânea, Ed.Vozes, Petrópolis, RJ: 2006.)

BentoXVI, não é um pastor, é um mestre, doutor em Teologia, com a especialidade em Cristologia. O mundo atual tem sede de espiritualidade, de mística, de ética, de luzes sobre o sentido de Vida, de sábios, e não tanto de dogmas, doutrinas, de doutores; de respeito mútuo entre as Religiões; de diálogo ecumênico e inter-religioso na busca de mais justiça e solidariedade.

Para nós, sul-americanos e caribenhos o desafio maior não é ausência de Deus, de um ateísmo militante, e sim o desafio da fome, da miséria, de libertação de um neocolonialismo econômico das megaempresas e instâncias financeiras que dominam o mercado mundial e mantêm nossos governos submissos aos seus interesses imediatos, entre os quais, o primeiro é locupletar suas burras como garantia para novos investimentos. Veja a `bolha` imobiliária nos EUA.
Uma nova evangelização, cá entre nós, é convocada a passar pelo viés da defesa da Vida (Campanha da Fraternidade-2008) como condição de credibilidade e de fidelidade ao núcleo duro da mensagem evangélica: a justiça do Reinado de Deus anunciada e vivenciada pela práxis de Jesus de Nazaré (Mt 5-6-7; Lc 4, Mt 25,31ss. J 10,10); e não por imposição doutrinária; e, muito menos, por anátemas e condenações. Uma evangelização propositiva e não impositiva, seria a mais adaptada aos nossos dias.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com
Convento S.Francisco das Chagas, 03/02/2008, Carlos Prates, Belo Horizonte.