sábado, janeiro 26, 2008

Diário da motorista loira

Não tenho preconceito racial ou de QI, mas estou enviando este diário enviado pela Stella, uma antiga colega do curso de Técnico de Contabilidade, lá pela década de 60, logo após sair do seminário.

DIÁRIO DE UMA MOTORISTA LOIRA

5 de janeiro - Passei no exame de direção! Posso agora dirigir o meu próprio carro, sem ter que ouvir as recomendações dos instrutores, sempre dizendo "por aí é sentido proibido!",
"Vamos sair da contra-mão!", "Olha a velhinha!", "Freia! Freia!", e outras coisas do
gênero. Nem sei como agüentei estes últimos dois anos e meio...
8 de Janeiro - A Auto-Escola fez uma festa de despedida para mim! Fiquei muito emocionada ! Os instrutores nem sequer deram aulas! Um deles disse que ia à missa... Juro que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se, para comemorar.
Achei simpática a despedida, mas penso que a minha carteira não merecia tal exagero. Eles foram muito generosos! Umas gracinhas mesmo!
12 de Janeiro - Comprei meu carro e, infelizmente, tive que deixá-lo na concessionária para substituir o pára-choque traseiro pois, quando tentei sair, engatei marcha-a-ré ao invés da primeira. Deve ser falta de prática!
Também...há uma semana que não dirijo...
14 de Janeiro - Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair da concessionária, que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiveram a mesma idéia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos buzinando como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5 km por hora. Os outros gostaram e buzinaram ainda mais. Foi muito legal...
22 de Janeiro - Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em grandes letras "ATENÇÃO ÀS MANOBRAS" e marcaram, com tinta branca fluorescente, um lugar bem espaçoso para eu estacionar e, para minha segurança e conforto, proibiram os filhos de saírem à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...
10 de Fevereiro - Os outros motoristas tem hábitos estranhos. Além de acenarem muito, estão sempre gritando. Não escuto nada, por estar com os vidros fechados, mas parece que querem dar informações. Digo isto porque julgo ter percebido, através de leitura labial, um deles dizendo "Vai para casa ". Não sei como ele adivinhou para onde eu ia! Acho isso espantoso. De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão que desce os vidros, vou tirar muitas dúvidas.
19 de Fevereiro - A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje meu primeiro passeio noturno e tive de andar sempre com o farol alto aceso, para ver direito. Todos os motoristas com quem cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram o farol alto e alguns chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadas. Talvez para espantar algum bicho. Sei lá.
26 de Fevereiro - Hoje me envolveram num acidente. Entrei numa rotatória e como tinha muito carro (não quero exagerar mas deviam ser, no mínimo, uns quatro!), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonta e bati no monumento no centro da rotatória. Acho que deviam limitar a circulação nas rotatórias a um carro de cada vez.
3 de Março - Estou em maré de azar. Fui buscar o carro na oficina e, logo na saída, troquei os pés, acelerando fundo em vez de frear. Bati num carro que ia passando, passando todo o lado direito. O motorista , por coincidência, era o inspetor que me aprovou no exame de direção. Um bom homem, sem dúvida.Insisti em dizer que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de repetir para si mesmo:
"É tudo minha culpa! É tudo minha culpa! Que Deus me perdoe!"

Jeito de falar do mineiro

Leia abaixo o jeito de falar dos mineiros (habitantes do estado de Minas Gerais, Brasil).
Tive que identificar direitinho o que é mineiro pois o Blog do Tachinha, além de ser acessado por internautas de todo o Brasil já foi acessado, também, por internautas de outros países: Argentina, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Itália, por enquanto.
Este texto foi tirado do Boletim Redex, enviado semanalmente pelo Geraldo Pena, de Ouro Branco, como meio de comunicação dos ex-seminaristas salesianos.
O texto é do escritor Carlos Drumond de Andrade e foi enviado pelo Ascânio Maria de Oliveira, de Uberlândia - MG

AS MINEIRAS

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.

Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque!

Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde.

Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.

Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar").

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.

Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz de direito, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.

Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.

Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?"

Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.

Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, "olá, me escutem, por favor,".

É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "pêxonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu pêxonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de "bonitim", "fechadim", e por aí vai.

Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.

No supermercado, não faz muitas compras, ele compra "um tanto de côsa". O supermercado não estará lotado, ele terá "um tanto de gente".

Se a fila do caixa não anda, é porque está "agarrando" [aliás, "garrando"] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.

Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do "tanto de bom" que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!! Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "ce acha que eu faço isso"? com algumas toneladas de ironia...

Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "Ô dó dôcê". Entendeu? Não? Deixa para lá.

É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:- Ah, nem... O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.

Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "Nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.

Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"?

Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.

É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...

Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...

Tem tantos outros...

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema.

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.

Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas... Ques côsa? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade".

E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: Ele pôs a culpa "ni mim".

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "prôcupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim.

A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o "tchau" em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês".

É útil deixar claro o destinatário do tchau.


(Esta veio do J. Sossai)

Hoje, estando na sala dos professores da faculdade onde trabalho, um colega novato me perguntava sobre "et al." ou e col. e outros detalhes que são utilizados nas citações bibliográficas. Expliquei que costumo recomendar aos alunos que evitem utilizar expressões latinas, pois geralmente não sabem como são lidas, nem seu significado, acontecendo o mesmo com os leitores. Por exemplo, o famoso "op. cit." não poderia ser lido como "ó psit", pois daria a impressão de que estávamos chamando alguém cujo nome não conhecemos. Expliquei que os finais das palavras é que dão o significado das mesmas em latim. No caso, encontrando esta última expressão, teria que ler "opus citatum" (bem, a estas alturas, nem eu mesmo sei se está correto), e não simplesmente "ó psit". Certa ocasião, em um trabalho de especialização veio a expressão "e teal" ("et al.).

A conversa com meu colega estava animada, quando outro professor relatou que, em um internato em MG, a quadra de esportes havia sido toda remodelada, sendo o piso de cimento substituído por tacos. Para preservar o piso, foi escrito em local bem visível e com letras garrafais: "Não é permitido jogar calçado". Logo abaixo, foi escrita a seguinte frase: "Dura lex, sed lex".

Eis que, na prova oral de latim, a um aluno não muito versado na matéria, foi feita exatamente a seguinte pergunta: qual a tradução da frase "Dura lex, sed lex". Como havia alguns colegas sentados em carteiras próximas, aguardando sua vez, o aluno virou-se levemente de lado, estufou o peito, sinalizando que "essa era mole". Sem tergiversar traduziu: "Não é permitido jogar calçado".

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Cervejinha de quinta-feira: 24 de janeiro de 2008.

A cervejinha desta quinta-feira contou com as presenças do Jaburu, Alex Fantini, Noraldino (Chibeta), José Lembi (Pelado), Manoel Gomes (Seriema), Carlos Augusto (Coelhinho), Adeir, Amaury, Aloísio Tirado (Jaó), Antônio Vale (Cogumelo), Valjean (Canela), Francisco Motta (Chiquinho), Gilberto Zanoli (Rato), Júlio Cézar (Julinho), Tachinha, o visitante de Brasília: Abelardo, o recém-ordenado padre José Elias Fiúza.
Estiveram lá, também, a Maristela e seu marido americano Michael. A Maristela é professora da dança ula-ula e como já tinham ido lá uma vez, gostaram e voltaram para tomar cervejinha com a turma.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Página/blog interessante

Visitem este Blog que achei hoje: Favoritos. É uma página interessante e que indica centenas de links separados em vários assuntos. Vale uma visita e ser colocado nos seus Favoritos/Bookmark.

Diário do Aloísio Tirado (Jaó)

Antigamente, nos tempos dos dinossauros, em 1958, não havia Blog então o Aloísio Tirado (Jaó) começou a escrever, e depois não foi em frente, um diário de suas atividades no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont, Minas Gerais, dos frades franciscanos da Província de Santa Cruz (Minas Gerais e sul da Bahia).
O Jaó estudou no seminário de 1958 a julho de 1960.

"Diário" do seminarista Jaó (como escrito no original, inclusive o desenho na capa)
Minha vida no Seminário
(1° ano de seminarista)

Aloísio Campos Tirado
2° ano
Nº 142

Fevereiro de 1958
Dia 7 de fevereiro às 8 horas da manhã despedi-me da minha família e vim rumo ao seminário.
Chegando aqui almocei e fui visitar as dependências. Vi um belo açude e dois campos de futebol. Vi
também a fazenda pertencente ao seminário, onde tem outro açude com lindos patos nadando. Frei Daniel me pôs o apelido de Jaó, no mesmo dia que cheguei. Chegada a noite eu fui dormir, no começo estranhei dormir em um dormitório, mas depois acostumei. Hoje é segunda feira depois de após
páscoa. "Fiz um prova de Latim. Amanhã terá de Religião.
São oito e cinco da noite, está quase na hora de irmos à capela rezar a oração da noite e depois ir dormir.
Dia 15 de abril de 1958
Comunguei hoje e rezei o responso de S. Antônio. Agora estou no estudo estudando religião.
Já fizemos a prova.
São agora 5,5 hs da tarde. Estamos no estudo, estou estudando História Sagrada.
Hoje depois das 3 hs da tarde do dia de 16de abril de 1.958 receberei o cordão de S. Francisco. Ano que vem entrarei, se Deus quiser na ordem terceira.
Dia 21 de abril mandei carta de felicitações pelo aniversário do papai.
Dia 4 de maio mande carta de felicitações para a vovó.
Maio de 1958
Hoje é dia 21 de maio de l .958. Dia 17 fiz aniversário e recebi doces.
Dia 25 de maio de 1.958, pentecostes. Domingo. Cantei no coro, no sanatório de Palmira em Santos Dumont. Estava na 2a voz. Depois da missa comemos bolos e sanduíches.
Dia 26 de maio, matamos uma aula e teve ensaio da 1ª voz da missa.
Dia 27 de maio
Já tive duas aulas, agora mesmo Bate para a 3ª aula.
Dia 5 de junho
Hoje teve um ótimo piquenique em Campo Alegre.
Dia 8 de junho
Hoje tivemos de ir à casa do Alfaiate do seminário para tirar a medida do novo blusão do uniforme.
Dia 9 de junho
Morre hoje às 4 da madrugada D. Justino, em Juiz de Fora, Bispo da Paróquia de Santos Dumont
Amanhã haverá missa de requiem.
Hoje fui ao dentista
Suspendeu-se hoje as duas últimas aulas pela morte de D. Justino.
Dia 10 de junho
Hoje não houve missa de Requiem por causa da chegada de Frei José; hoje à noite haverá uma festinha em honra do mesmo frei.
Dia 11 de junho
Houve a missa de Requiem, e nosso bispo foi enterrado hoje.
Tem passado aqui no céu helicópteros.
Dia 17 de junho
Hontem fiz prova de matemática hoje de Religião. Hoje passou por aqui um Helicóptero.
Joguei no campão e meu time ganhou de 3 x 0.
Hoje de manhã, no refeitório. Frei Daniel nos anunciou a queda de um avião, onde estava e morreram Nereu Ramos, outras autoridades, e um padre.
Morre hoje em Divinópolis Fei Hilário, um dos freis que eram daqui.

Dia 19 de junho
Não sei que vai acontecer, estamos de manhã ainda, depois da missa NADA aconteceu, boa noite (espere) tomei injeção e cheirei remédio para sinusite.
Dia 20 de junho
D. Geraldo nos visitou hoje.
Dia 21 de junho
Dia de S. Aloísio Gonzaga. Estou muito alegre.
Dia 22
Frei Ismael me deu parabéns pelo onomástico meu, ocorrido ontem.
Dia 23
Hoje Prova de Português (oral)
Como meu lábio estava rachado por causa do frio comprei manteiga de cacau na farmácia do seminário. Hoje não tomei injeção e nem cheirei mentol.
Junho julho agosto de 1958
Hoje é véspera de provas que acontecerá?
Fiz com argila, duas tartarugas e um sapato holandês.
Dia 6 de agosto
Acabou-se as férias, fizemos piquenique no Chico Albano, e ontem demos um passeio no fortunato onde nadamos.
Dia 3 foi a festa do diretor, cantei no solo da 2ª voz (3 meninos)
Ontem cantei o solo de novo, mas faltando 2 solos da 2ª voz cantei com o solo da 1ª
Hoje começara, as aulas. Joguei Futebol e dei o baile. Estou no estudo
Semana passada fizemos retiro, e frei Orlando veio cá. Hoje teve, agora à noite, ensaio do coro com Frei David, que ficou no lugar do Frei Pacíano.
Dia 7 de Agosto
Teve missa, acordamos às 51/2 da manhã. Agora estamos no estudo.
Já tivemos duas aulas, agora estamos preparando-nos para a 3ª aula
Dia 13 de agosto
Estou estudando mais, ontem comprei chuteira pois a outra me machucou o pé. Frei Daniel vai vendê-las
Recebi carta de casa
Dia 20 de Agosto
Vou ser Maria, numa opereta, na festa do Frei Ismael, a opereta se chamará João e Maria,
Mês Agosto/outubro
ontem e hoje está ventando que é uma calamidade. Toda hora, tem areia voando.
Dia 25 de Agosto
Inauguraram a nova ponte do seminário.
Dia 8 de outubro
Dia 16 de setembro trabalhei em uma opereta na festa de F. Ismael, ela (opereta) se chama João e Maria, eu fui a Maria
hoje dia 9 de outubro morre Pio XII em Roma, vítima de um derrame celebral
Mês outubro/novembro
Dia 16
Hoje foi sueto ...
Dia 28
Hoje às 11/2 horas no Brasil, foi eleito em Roma o novo Pontífice, o Cardeal Angelo Roncalli, agora Papa João 23. Por este motivo suspenderam-se hoje as duas aulas da tarde
Dia l de Novembro
Festa de todos santos, o coro cantou a missa pastorum à 4 vozes, que foi irradiada pela rádio cultura Santos Dumont.
Dia 3 de Novembro
Hoje comemorou-se "finados" porque ontem foi domingo . Assistimos 4 missa, 2 rezadas l dialogada e l cantada, na qual ajudei.
(AQUI TERMINA O "DIÁRIO" DO JAÓ; O SEMINÁRIO TERMINOU, PARA ELE, EM JULHO DE 1960)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Artigo do Frei Cristóvão: Campanha da Fraternidade 2008.

Leia abaixo o artigo enviado pelo frei Cristóvão sobre a Campanha da Fraternidade 2008.


CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2008

Tema: Fraternidade e Defesa da Vida
Lema: Escolhe, pois, a Vida (Dt 30,19)

Não poderia ser mais oportuna a escolha da VIDA, a defesa da VIDA como tema da CF-2008. Isso porque a VIDA, no seu sentido mais lato possível, está seriamente ameaçada. A causa primeira é a própria concepção de Desenvolvimento, agora amparado pelo sistema capitalista na sua quarta versão histórica, o Capitalismo Pós-Industrial, o Capitalismo Eletrônico-Virtual. Chegamos à aberração de um mercado de dinheiro gerando dinheiro em proporções ilimitadas. Eu me pergunto se chegaremos a um dia que no desjejum, e pelo resto da jornada, vamos comer moedas de ouro, ou devorar notas de dólar, de iene, de libra ou de yuan!.

O sistema capitalista é, por essência, necrófilo, isto é, depredador. Vai arrancando da Mãe-Natureza tudo de que precisa para manter a corrida insensata em busca de mais-valia, de lucro, de mais dinheiro, enfim.
Veja a contenda entre os ecologistas e os magnatas do mundo das finanças! A Terra com seu ecossistema maior já perdeu de 28 a 30% de sua capacidade regeneradora, isto é, de recompor através de sua lógica interna, de seu equilíbrio dinâmico, de tudo o que lhe é usurpado. As mudanças climáticas estão aí para provar os fatos; e, contra fatos, não há argumentos.

Quanto à Campanha da Fraternidade, sua origem, seu crescimento e evolução de seus temas, basta adquirir o manual da Campanha, versão-2008. Não deixa de causar estranheza constatar que alguns bispos e sacerdotes boicotaram a CF, alegando que ela desrespeita o calendário litúrgico, oficializado e imposto a todo o ocidente pela Cúria Romana com o beneplácito do Papa. Baita de um processo de racionalização! No fundo, rejeitam a proposta libertadora da mensagem do Rabi da Galiléia, Jesus de Nazaré, da qual a CF é uma expressão.

Ora, o raciocínio é claro como um dia cheio de sol: uma leitura (hermenêutica) espiritualizante, para não dizer, fundamentalista do evento histórico de Jesus de Nazaré e de sua mensagem de Vida para todos, em especial, para os excluídos da História, os impossibilita de se comprometerem com a CF que tem, todo ano, um apelo, como forma de penitência em preparação para celebrar a Páscoa (Paixão-Morte-Ressurreição do Senhor).
Um apelo para superar um problema social que constitua um empecilho na vivência da fraternidade universal. Ora, a Liturgia é um excelente instrumento para constatar o grau de comprometimento com a Vida e com a Justiça de toda e qualquer proposta de caminhada pastoral.

As Igrejas Evangélicas, o Movimento Neopentecostal, seja de versão católica ou de versão evangélica, como tantos outros movimentos religiosos de nossos dias, foram tragados pelo sistema capitalista: o sucesso, o bem-estar pessoal, conjugal, familiar, profissional, a paz de espírito e a recuperação da auto-estima são as propostas que o alimentam financeiramente. Para se convencer disso basta percorrer pela TV os diversos e variados programas religiosos. Justiça, compromisso com a VIDA, busca de uma alternativa para um novo ordenamento político-econômico mundial (Uma nova geopolítica), são valores ausentes ou, então, reinterpretados de um modo espiritualizante e individualista. A Religião-do-Mercado para garantir sua sobrevivência adornam a pílula: apresentam um doce Jesus que pode resolver todos os seus problemas, dúvidas e angústia. Um Jesus sem o seu Calvário, sua Cruz, conseqüências de seu Projeto Libertador, de seu compromisso com a Vida, com a Justiça

Bem, voltemos à CF-2008. Temos que ampliar nossa noção de VIDA, que vai além da defesa do nascituro, do direito do doente terminal de morrer dignamente; de não brincar com a vida com experiências biogenéticas que põem em risco a estrutura ôntica do feto; de fazer do ser humano cobaia tendo em vista a descoberta de novos medicamentos para combater enfermidades que põem em risco a vida da pessoa em questão. Não nos esqueçamos que o fascismo utilizou esta prática. Edgar Morim, em seus escritos, nos adverte de que Ciência sem Ética nos reconduz a uma situação de barbárie.

Quem sabe não seria oportuno adotar como penitência, com vontade de mudar algo que se faz necessário em nossa vida, reaprender a cuidar e celebrar a vida!
Fico enojado ao assistir os noticiários televisivos: tanta violência, tanto desrespeito à Vida e tanto cinismo por parte dos homens públicos e dos donos do dinheiro! A Imprensa prima por nos mostrar um panorama catastrófico, como ibope, evitando apresentar as causas de tantos males e sofrimento. O que ameaçaria a razão de ser do sistema, abalaria suas estruturas! E mais: cortaria o financiamento da publicidade!!

Sejamos, porém, mais otimistas do que pessimistas. Apesar de tudo, o ano de 2007, apresentou algo que alimenta nossa esperança. Vejamos alguns fatos:
• O despertar de uma consciência ecológica, planetária
• A mobilização com relação à questão do aquecimento global jamais foi tão forte
• A insustentabilidade, por parte do governo dos EUA, de continuar como maior poluidor do mundo
• Pela primeira vez na história a humanidade deve trabalhar em conjunto para garantir a qualidade de vida das gerações futuras
• Os conflitos e divergências entre povos ou nações já não são solucionados por apenas duas potências mundiais (EUA e União Soviética – tempo da Guerra Fria); muitos outros povos, muitas outras nações, participam da solução. Um representante de Papua-Nova exerce pressão sobre os delegados norte-americanos
• A possibilidade de se obter células-tronco além de embriões humanos
• Cientistas que usam células-tronco na busca de cura para males que afligem milhões de pessoas não serão mais chamados de assassinos por grupos religiosos conservadores e poderão sair dos tribunais e voltar aos laboratórios
• A clonagem de seres humanos é vista pela maioria dos cientistas como algo inútil sob o ponto de vista médico quanto eticamente indefensável.
• O maior acelerador de partículas que promete responder a várias questões fundamentais da física (origem da massa e a possibilidade de que as forças da natureza sejam manifestações de uma só, o campo unificado) passa a funcionar ainda este ano (CF. Gleiser, Marcelo, `Celebrando a vida`, caderno `Mais`, Folha de S.Paulo, SP, Ciência, 06/01/2008:7).

Nossos votos são de que a CF-2008 some forças no sentido de fortalecer essa corrente positiva que alimenta nossa esperança e nos interpela para que demos nossa porção de compromisso para torná-la história na história de nossas vidas.
Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com.
Convento S.Francisco das Chagas - Carlos Prates, BH: 18/01/2008.

domingo, janeiro 20, 2008

Foto com identificação dos participantes

O Tachinha, para quem não sabe, tem uma página com mais de 4.000 fotos no endereço do Flickr.
Neste endereço tem mais de 40 álbuns. Vá em "mais álbuns" e no álbum Turmas do Seminário veja a foto: 1956 - Foto geral da turma.
Nesta foto o Tachinha colocou a identificação de quase todos os que estão na foto, graças a ajuda do Abelardo, Noraldino (Chibeta), dom Belisário e outros.
Para identificar as pessoas basta passar o mouse sobre a foto que aparece o nome do dito cujo. Clique na foto para aumentá-la.


Você pode ver a tal foto neste endereço: 1956 - Foto geral da turma, mas nele a foto não tem a tal identificação, a qual só é possível no próprio álbum.

Clique na foto, tanto na que está diretamente nesta página do Blog, bem como na que você abrir no endereço acima.
No Flickr qualquer pessoa pode fazer comentários sobre as fotos e também identificar os participantes das mesmas e, para isso, basta fazer inscrição no endereço e que é gratuita e você pode também incluir o meu nome em "contatos" pois quando o Tachinha (eu) fizer alguma inclusão de fotos você é avisado por e-mail.
Para os que não sabem ou não participam do grupo do Enfrades, esta foto é da turma dos seminaristas de 1956 no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont, estado de Minas Gerais, Brasil.