sexta-feira, setembro 19, 2008

Artigo do frei Cristóvão: Há salvação para o capitalismo?

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Frei Cristóvão:

HÁ SALVAÇÃO PARA O CAPITALISMO?

“Fora do Mercado não há salvação.”
“ A História atingiu o seu auge. O Fim da História”(Fuquyama)

Muito se falou e ainda muito se escreve sobre o “Fim do Mundo”. Uma interpretação literária dos textos bíblicos (Gênesis-Apocalipse) nos leva a isso.

O “Criacionismo”, a teoria que toma o texto, na sua literalidade, nos levou a crer assim, e assim nossos pais foram educados e nós com eles.

Com isso chegamos a beira do Fundamentalismo, que é entender o texto em si mesmo, sem levar em conta seu entorno cultural. Na hermenêutica fala-se então em: Texto- Contexto-Pretexto. Pretexto é a tentativa de fazer o texto brilhar no cotidiano de nossas vidas, no mundo atual.

E já que vivemos em outro entorno cultural (Física Quântica),no qual o Fundamentalismo não se justifica mais e com ele o Criacionismo, o evolucionismo (“Big Bang”) vai se tornando a interpretação mais plausível. No seu interno, nós cristãos e demais pessoas religiosas temos que interpretar os desígnios de um Deus-Criador, dentro do contexto no qual vivemos.

A coisa se complica. Muita gente torna-se esquizofrênica, passa a viver com o conflito de dois mundos, de duas verdades: a verdade dos textos sagrados e a verdade das conquistas científicas.

É bom lembrar que em certos Estados da América do Norte é obrigatório a doutrina do Criacionismo no ensino fundamental. O diálogo Ciência-Religião, Religião-Ciência, Cientista-Teólogo, Teólogo-Cientista, volta à tona. Não se excluem, antes se completam, numa nova cosmogênese, numa nova antropogênese, tendo a visão holística da Realidade como ponto norteador.

Mas, no momento, estou mais interessado em outra coisa: “Há salvação para o capitalismo? Com ele teríamos chegado ao “Fim da História”? Seria ele o apogeu de nossa evolução, enquanto expressão maior de nossa capacidade inventiva, enquanto construção de um modo de vida humano? A introduçãp a esta reflexão visa refutar o “fundamentalismo econômico” de quem defende o capitalismo neoliberal como “o fim da História”!

Seria ele o último, o mais perfeito sistema econômico de como produzir e distribuir o que necessitamos para garantir nossa sobrevivência e das gerações futuras? Ele se sustenta a si mesmo como totalidade?

Defendemos a tese, e mais do que isso, a convicção de que não. Suas estruturas, o modo como se originou e de como se mantém são suicidas, Trazem em seu bojo os vermes de sua própria destruição. A crise atual do mercado financeiro já não é mais periférico, pontual, mas, estrutural

As contradições intrínsecas do sistema o conduz à sua autodestruição. Faz pensar na metáfora da cobra que se vira para a própria cauda e começa a engolir a si mesma, morrendo sufocada!

O Mercado tornou-se o valor maior, o valor supremo, diante do qual temos que nos submeter. Isso nas Ciências da Religião e na Teologia chama-se idolatria. E os ídolos são vorazes consumidores de vítimas. Na atual evolução do Capitalismo, o Capitalismo Virtual, são milhões.

Segundo a FAO, organismo da ONU para a Agricultura e Alimentação, somos 6,5 bilhões de pessoas no planeta, das quais metade vive abaixo da faixa da pobreza, e 854 milhões sobrevivem com fome crônica (Betto, frei:2008).

O problema da fome não se explica pelo excesso de bocas, pela explosão demográfica. Segundo a mesma FAO, o mundo produz o suficiente para alimentar 11 bilhões de bocas.

E poderia produzir muito mais caso o potencial científico-tecnológico-financeiro fosse direcionado com este intento. O que nos falta é justiça, vontade política para engendrar um novo sistema produtivo e respectiva distribuição.

Certamente será um dos subtemas a ser estudado no Fóro Social das Américas a se realizar na primeira semana de outubro/2008, na Guatemala, como preparação ao Foro Social Mundial, janeiro/2009, em Belém do Pará.

“Um outro mundo é possível, é necessário”!

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

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