terça-feira, abril 08, 2008

Artigo do frei Cristóvão: Muita paixão e nada de bilis.

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Frei Cristóvão.


MUITA PAIXÃO E NADA DE BILIS

Política se faz com Paixão e não com Bílis
“Um coração inteligente e uma inteligência amorosa” (FC)
“Sede simples como as pombas e prudentes como as serpentes” (Mt 10,16).
“Guardai-vos dos homens: eles vos entregarão aos sinédrios e vos flagelarão em suas 'sinagogas’ (Mt 11,17).

O mundo da Política é marcado por conflitos e tensões. Conflitos ideológicos, isto é, são confrontos no modo de entender o que venha ser Sociedade, Poder, Partidos, Eleições, Estado, Economia; o que se entende por Política: o modo de como tudo isso seja ordenado.

Em tempo de eleições a coisa esquenta, as divergências se eclodem, o choque de interesses vem à tona! Por vezes, as malquerenças chegam às vias de fato. Fulano ou sicrano carece ser eliminado, uma vez que constitui uma real ameaça na conquista do paço municipal, ou nele continuar, juntamente com seu grupo de campanha e atender aos interesses de grupos que o financiaram e exige retorno.

Assim as eleições constituem verdadeiros divisores-de-água; a gente fica sabendo quem é quem, de que lado fulano está; porque sicrano “fica em cima do muro” para não ser prejudicado nos seus negócios ou perder sua freguesia (Comerciantes – funcionários públicos, clero etc.).

A bem da verdade, se fizermos um levantamento mais criterioso dos atuais partidos do nosso cenário político, a divisão ideológica entre eles deixa muito a desejar. São, na sua maioria, liberais, ou nem tanto. São grupos de interesses afins que se aglutinam para ter o poder nas mãos!

Temos assim os partidos intitulados de esquerda, defensores de um novo ordenamento da “Pólis”, tendo o “Princípio Socialista” como norteador básico (PCB, PSOL, PSTU, PSB, PV, PT).

O PT, uma vez no Poder, se afastou de suas origens, defendendo um “Reformismo Revolucionário”, como alternativa viável dentro dos quadros políticos de nosso regime presidencialista. Um Reformismo Revolucionário que cheira mais “Social Democracia” do que uma proposta realmente socialista. Veja o governo de Lula: um governo de composição, um verdadeiro “balaio-de-gato”. Gente da ultradireita, centro direita, direita, gente da ultra-esquerda, esquerda, centro-esquerda, gente que prefere não se identificar dentro do quadro acima pontuado. A arenga entre PT e PSDB é mais briga de família, são primos-irmãos!

Brigam para conquistar o Poder ou nele se perdurar. É uma luta para conquista da hegemonia na correlação das forças políticas do momento. Como no nosso atual regime presidencialista torna-se impossível governar o país sem que se tenha maioria no Congresso Nacional, impõe-se a negociação. O Congresso transforma-se num balcão de negócios, onde vale tudo! Veja o caso do “Mensalão”. É um vício que vem de longe. A aprovação do Orçamento da Nação vai nesta direção. As emendas são negociadas “pari passu”! O mesmo se dá na distribuição de cargos nos diferentes escalões do governo. São mais de 23 mil cargos comissionados a serem ocupados pelas diferentes forças políticas que formaram a coligação vitoriosa.

O caso do PMDB, o maior partido do país, é emblemático. Enquanto MDB tinha sua razão de ser na luta pela redemocratização do país. Uma vez estabelecido o “Estado de Direito”, perdeu sua identidade. Transformou-se num partido de caciques regionais que disputam a hegemonia política regionalizada. Não forma novas lideranças e nem tem gabarito para lançar candidato à presidência da república! Temos aqui, talvez, uma hipótese explicativa porque o período eleitoral se transforma em tempos quentes, quando os conflitos se eclodem e porque nesta época muita gente mostra seus dentes; põem suas unhas de fora! Os humores e odores empestam o coração, ofuscam as inteligências. É quando muita gente apela, parte para a ignorância!

Li, alhures, que “político” é aquele que, uma vez eleito, não pensa em outra coisa senão em garantir sua reeleição! Já um estadista, mesmo antes de ser eleito, é um republicano; alguém que tem um Projeto alternativo para o país, para o Estado; o qual continuará a defender, mesmo caso não venha a ser eleito.

É um apaixonado pela sua cidade, por sua pátria. Paixão, nesse caso, se aproxima mais do que se entende por mística, força interior, uma “dinamis” existencial que o torna capaz de remover “as pedras” no percurso de sua caminhada de homem público. Ele vive de um sonho. È portador de uma utopia. É um político apaixonado, amoroso e inteligente! Garimpando no mundo político da atualidade, felizmente, é que a gente encontra políticos deste naipe. Merecem nosso respeito. Para eles a gente tira o chapéu! E, quem sabe, merecem, novamente, o nosso voto.
Frei Cristóvão Pereira ofm..
http://teologiapolitica.blogstop.com

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