quarta-feira, abril 30, 2008

Artigo do frei Cristóvão: Gratuidade.

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Frei Cristóvão.

GRATUIDADE

Pontos para reflexão.

1. Gratuidade, amor gratuito: é o supra sumo do que venha a ser amor. Do grego, temos “ágape”, uma refeição fraterna. Eucaristia.
2. Francisco chamava Deus de o “Sumo Bem”, a Bondade por excelência. Ele faz chover para bons e maus, o sol nascer para todos, sem cobrar retorno ( Sermão do morro, segundo Mateus; da planície, segundo Lucas. “O sol nasce para todos.” Os mais críticos relembram: “mas, a sombra é para poucos”! Entra aqui o mistério da liberdade, origem de um mundo onde gratuidade, o amor desinteressado, pode ser ridicularizado, considerado uma “loucura”. Para os gregos a cruz era um absurdo. Uma loucura! Para os cristãos: a expressão de maior gratuidade!
3. Exemplificar com a parábola do “Grão de Trigo.” Para a nossa vida de humanos, com nossa falibilidade e condição de pecador, o avançar da idade, o exemplo da vela, cuja razão de ser está precisamente em iluminar; com isso ela vai-se desfazendo, deixando de ser. No deixar-de-ser ela é generosa, gratuita.
4. O hino ao amor que S.Paulo nos deixou; certamente, já existente e cantado numa das Comunidades por ele fundada (I cor 13).
5. Veja a carta aos Filipenses, cap.2. A quénosis do Filho de Deus.
6. A Eucaristia: tornar-se “pão” para alimentar a vida de seus seguidores. “Panis Angelicus” “O res mirabilis”.
7. O mistério da Encarnação, fonte de todos os outros mistérios da Práxis de Jesus de Nazaré: sua vida oculta na carpintaria junto com José, homem “justo”, silencioso no cuidar de Jesus infante, sua vida pública, prisão, julgamento, flagelação, coroação de espinhos e crucifixão. Crucificado entre dois ladrões, “extra murus”! O Lava-pés. A convivência e tolerância para com os discípulos, apóstolos e com o povão em geral. Muita gente imbuída de preconceitos, presa pela introjeção de uma Cultura e Religião opressoras, submissão a César de Roma, através das tropas colonizadoras, Herodes, Pilatos e seus cúmplices; pela classe sacerdotal, escribas, saduceus e fariseus .Foram esses que manipularam a multidão, na sua maioria funcionários do Templo, do Sinédrio.
Insuflados por eles, exigiram a condenação de Jesus e a soltura de Barrabás! Veja o texto: “É dando que se recebe. Ser é amar – Amar é ser!
8. Tornar-se um “O Homem Novo”. (Gálatas, 4), pelo batismo e sob a moção do Espírito que o Senhor nos mereceu e nos doou, constitui todo um processo de conversão, (“metánoia”). Temos toda nossa vida para nos deixar guiar por esse Espírito. Estamos em contínuo processo de conversão, de nos tornar um “Homo Novus”. É o que se entende, na atualidade, por espiritualidade, por mística.
9. O santo, o justo, o humanista são movidos pela gratuidade de um Deus amoroso e misericordioso, encarnado em Jesus de Nazaré. Francisco de Assis viveu tudo isso, num processo contínuo de conversão e abertura à ação de Deus em sua vida.

A título de conclusão

Gratuidade: é o modo de ser de tudo aquilo que é gratuito.
Sua origem semântica: do grego “Káris”, dom, doação, graça. Já do latim temos “gratia”; na nossa língua: graça. Uma pessoa cheia de graça. Uma pessoa graciosa.
A sabença popular nos deixou esta preciosidade: quando se encontra com uma pessoa desconhecida, costuma-se perguntar: “Qual é a sua graça”?
Uma pessoa “carismática”, é uma pessoa movida pela gratuidade do amor de Deus.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
Teixeira de Freitas,22/03/2008.
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