sábado, janeiro 26, 2008

Jeito de falar do mineiro

Leia abaixo o jeito de falar dos mineiros (habitantes do estado de Minas Gerais, Brasil).
Tive que identificar direitinho o que é mineiro pois o Blog do Tachinha, além de ser acessado por internautas de todo o Brasil já foi acessado, também, por internautas de outros países: Argentina, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Itália, por enquanto.
Este texto foi tirado do Boletim Redex, enviado semanalmente pelo Geraldo Pena, de Ouro Branco, como meio de comunicação dos ex-seminaristas salesianos.
O texto é do escritor Carlos Drumond de Andrade e foi enviado pelo Ascânio Maria de Oliveira, de Uberlândia - MG

AS MINEIRAS

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.

Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque!

Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde.

Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma.

Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar").

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.

Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz de direito, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço.

Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem.

Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?"

Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.

Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, "olá, me escutem, por favor,".

É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "pêxonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu pêxonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de "bonitim", "fechadim", e por aí vai.

Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.

No supermercado, não faz muitas compras, ele compra "um tanto de côsa". O supermercado não estará lotado, ele terá "um tanto de gente".

Se a fila do caixa não anda, é porque está "agarrando" [aliás, "garrando"] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.

Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do "tanto de bom" que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!! Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "ce acha que eu faço isso"? com algumas toneladas de ironia...

Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "Ô dó dôcê". Entendeu? Não? Deixa para lá.

É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:- Ah, nem... O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.

Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "Nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.

Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"?

Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.

É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...

Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...

Tem tantos outros...

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema.

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.

Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas... Ques côsa? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade".

E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: Ele pôs a culpa "ni mim".

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "prôcupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim.

A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o "tchau" em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês".

É útil deixar claro o destinatário do tchau.


(Esta veio do J. Sossai)

Hoje, estando na sala dos professores da faculdade onde trabalho, um colega novato me perguntava sobre "et al." ou e col. e outros detalhes que são utilizados nas citações bibliográficas. Expliquei que costumo recomendar aos alunos que evitem utilizar expressões latinas, pois geralmente não sabem como são lidas, nem seu significado, acontecendo o mesmo com os leitores. Por exemplo, o famoso "op. cit." não poderia ser lido como "ó psit", pois daria a impressão de que estávamos chamando alguém cujo nome não conhecemos. Expliquei que os finais das palavras é que dão o significado das mesmas em latim. No caso, encontrando esta última expressão, teria que ler "opus citatum" (bem, a estas alturas, nem eu mesmo sei se está correto), e não simplesmente "ó psit". Certa ocasião, em um trabalho de especialização veio a expressão "e teal" ("et al.).

A conversa com meu colega estava animada, quando outro professor relatou que, em um internato em MG, a quadra de esportes havia sido toda remodelada, sendo o piso de cimento substituído por tacos. Para preservar o piso, foi escrito em local bem visível e com letras garrafais: "Não é permitido jogar calçado". Logo abaixo, foi escrita a seguinte frase: "Dura lex, sed lex".

Eis que, na prova oral de latim, a um aluno não muito versado na matéria, foi feita exatamente a seguinte pergunta: qual a tradução da frase "Dura lex, sed lex". Como havia alguns colegas sentados em carteiras próximas, aguardando sua vez, o aluno virou-se levemente de lado, estufou o peito, sinalizando que "essa era mole". Sem tergiversar traduziu: "Não é permitido jogar calçado".

12 comentários:

  1. Fineza verificar a autoria dos textos antes de publicar no seu blog!
    Essa crônica foi escrita pelo Procurador Geral da República, Sr. Felipe Peixoto Braga Netto e publicada em seu livro "As coisas simpáticas da vida", como pode ser verificado no link http://www.releituras.com/ne_fpbnetto_sotaque.asp
    Ele é maceioense e desde o dia 07/12/07 é cidadão honorário de Belo Horizonte.
    Você o conheceu em minha casa, no meu aniversário, bem como o referido livro e a crônica! Mas o elevado teor alcoólico, acabou fanzendo-o esquecer...
    Bjs,
    Angel.

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  2. "Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô."

    Não é assim que se escreve o jeito do mineiro falar,porquêeu sou mineira e sei.
    vou te mostar a forma correta:

    "Sô cê vê qui não vai dá pá chega na hora,ocê liga aqui i fala:Ou num vai dá pra chega ai na hora nao sô!

    OBS:nao tem "R" na frente de fala,chega,no meio de pà(para).
    Os "E's" nos finais das palavras são substituidos por "I's".
    E "S's" em finais de palavras como:sapoS,uvaS,computadores...enfim todas as palavras no prural são citadas no singular.ex:

    "Us patu du vizim vuaru pru quintal daqui di casa."

    entendeu?
    bzÔ gente fui!!

    beju prô cêis!
    kkkkkkk

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  3. vcs tao por fora! haha. eu so mineira uai! cs acham que eu nao sei? nd a ver isso que vcs colocaram ai em cima ,pq a gnt nao fala que nem caipira! =DD

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  4. tem tudo a ver siim
    algumas coisa como côsa realmente nao mais e resto tudo tah certo
    e minero tbm falo muito noiz vai noiz foi
    e so ce le e coloca numa frase q vc falaria q vc vai ve q e assim sim

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  5. mttttt legal..rsrsr
    eu namoro uma mineira...e sou carioca...meu deus é a coisa mais linda de ouvir...e tem um outro q vc não disse..."Tá na onde?"...é gostoso d++++!!!!
    e o pior de tudo que os mineiros falam que a gente que tem sotaque..rsrrs

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  6. Adorei... muitomês... ahuahauahu
    é assim mesmo que a gente fala...o mais engraçados são - "um tande coisa" - "um tende gente" - "on c mora?" - "onde c pensa q c vai?" - e por aí vai... não é toda hora que falamos assim... principalmente se for com uma pessoa que não entende, mas quando bate aquela preguiça de ficar conversando... é batata... adeus formalidade...

    Tchau prôcs

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  7. Muito otário, a pessoa q escreveu esse post, Mineiro sabe falar sim, somos mineiros e não analfabetos, vai estudar sobre sociolinguistica idiota.

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  8. Pois é, senhor Anônimo, o seu comentário está publicado. Agradeço a sua visita ao meu blog, seja sempre bem-vindo.

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  9. aqui antes de falar dos mineiros aprende

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  10. Outro anônimo? Aqui está o seu comentário. Aprender o quê? Vai querer dizer que nós, mineiros, não falamos nem o famoso UAI?

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  11. para mim os mineiros sao as melhores pessoas desse mundo nao e pq sou mineira que estou falando isso mais e pq a maioria fala mal mais muito mal mermo dos minero

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