sexta-feira, abril 13, 2007

Cervejinha de quinta-feira: 12 de abril.

Apareceram na cervejinha de ontem: Carlos Augusto (Coelhinho), Alex Fantini, Paulo Petermann (Paulo Ébrio) e dois amigos, Marcos (Quinho - filho do João Marques - Cri), Tachinha, José Derval, Eustáquio Tadeu (Siri), Hélcio Rezende, Noraldino (Chibeta), Rosemiro (Turco), Helvécio (Jaburu), Tito (Coruja-Maquita) e, na mesa ao lado, o Milton, ex-seminarista da Borda do Campo.
O tratante do Frei Cristóvão que disse que iria voltar às cervejinhas deu bolo, apesar de ter combinado para o Paulo Ébrio pegá-lo lá no Provincialado.
Vamos ver se na próxima semana ele cumpre com a palavra.

Artigo do Rosário: Teologia de Sangue IV

Leia abaixo mais um artigo enviado pelo Rosário.

Paz plena...Irmãos e companheiros de evolução do ENFRADES, que a PAZ habite o coração de cada um. Temos que entender a VERDADE e depois divulgá-la, mesmo que isto não seja aceito por ninguém. A Teologia de Sangue foi e ainda é um grande enigma para os teólogos, que ainda não entenderam que DEUS É SÁBIO, PERFEITO e tem AMOR em plenitude para com todos. Paz plena...
Rosário.
170 - Teologia de sangue – publicado em 13/04/2007.Estou comentando o texto "Paixão de Cristo" do leitor Stenio Jardel Medeiros dos Reis, publicado no dia 11. 4 nesta página, no qual discorda do escritor Paulo da Silva Neto Sobrinho, que escreveu sobre a "Teologia de sangue" em 4.4. Agradeço muito ao leitor, pois nos deu mais oportunidades de esclarecer e comentar mais sobre a absurda e infantil conclusão que chegaram os teólogos cristãos. Tanto os teólogos católicos como os protestantes ensinaram e ensinam o que o leitor escreveu: "A morte de Jesus e sangue derramado na cruz foi a maneira encontrada por Deus para que a humanidade fosse salva e regenerada do pecado de Adão e Eva". Que santa ignorância.Deus é bom, sábio e perfeito, isto todos aceitam. Agora defender que Deus só perdoou à humanidade porque os perversos traíram, crucificaram e mataram Jesus na cruz, é de uma tamanha ignorância e infantilidade teológica, pois assim considera a Deus como o pior dos tiranos. Ninguém nunca ofendeu a Deus, então esta teologia de que o sangue de Jesus já nos salvou é uma pura mitologia pagã. Hoje, os próprios teólogos cristãos, consideram as religiões, que ainda fazem sacrifícios de sangue de animais ou de seres humanos, como religiões pagãs. Se na atualidade isto é um ato pagão, antigamente também tinha que ser. Quem evoluiu foram os seres humanos e, não, Deus.Rosário
Américo de Resende.
Ex-professor da UFMG.
Belo Horizonte, 11/04/2007

terça-feira, abril 10, 2007

Artigo do Frei Cristóvão. Fórum Social II - Nairóbi -

Leia abaixo outro artigo do Frei Cristóvão sobre o Fórum Social Mundial.

FORUM SOCIAL MUNDIAl (FSM)
7a. Edição – Nairóbi – Quênia – 20-25/01/2007.

III. - Desafios – Contrastes – Críticas – Agenda 2007-2008
Carece, antes de tudo, considerar os Fóruns como um processo e não como um evento. Com sua dinâmica própria e com sua metodologia de base, está sujeito a uma lógica onde a diversidade, a pluralidade e sua dimensão experiencial são valores norteadores e, por isso mesmo, flexíveis, sujeitos a altos e baixos. Não tem sentido críticas de certos analistas políticos de que os Fóruns estão se esvaziando, uma vez que seu peso social não se concretize, historicamente, em peso político. Em outras palavras: não basta o social para se chegar a construir um outro mundo. Torna-se necessário conquistar o poder político, o Estado, para mudar, transformar o mundo. Velha polêmica, no mundo da esquerda. Teremos que retomar essa questão. Reinventar o Poder, dar-lhe um sentido humano-libertador, é um desafio histórico. Sem um acúmulo coletivo de condições subjetivas e objetivas, perde-se seu caráter processual. Quem acredita e participa do Fórum está consciente disto.
Desde Porto Alegre (2001), foi crescente a participação de nossos vizinhos sul-americanos; em particular, de nossos irmãos índios e de seus descendentes. Veja o que está acontecendo na Bolívia, Peru, Equador! O salto do social para o político é notório, evidente. Muito aprenderam com os Fóruns. A discussão sobre a implantação da Alca como que se evaporou da agenta oficial. Hoje fala-se em ALCA 2, os assim chamados tratados bilaterais, com a estratégia de enfraquecer ou boicotar o Mercosul!
A rica agenda programada, tanto para 2007 como para 2008, deixa entrever a pujança dos Fóruns como espaço privilegiado no sentido de se transformarem em Escolas de Cidadania, isso a nível mundial. O desabrochar dessa dinamis social em efeitos políticos transformadores do Poder, do Estado, é questão de tempo. É o que a História nos ensina.
Os reflexos deste Fórum para a própria África só o tempo nos dirá. Foram dois anos de preparação. Intensa mobilização da sociedade civil. Um sangue novo percorreu as veias das organizações africanas, ainda fragilizadas e desarticuladas. Novas redes destas organizações surgiram; e essas se articularam nas redes internacionais. A pauta africana começa a circular na agenda da sociedade civil internacional.(Grajev, Oded, Fórum Social na África, in Folha de SP, Tendências/Debates, 6/2/2007: A3)
Agenda 2007-2008
· O primeiro Fórum Social dos Estados Unidos ( junho – Atlanta).
· O Fórum Social Nordestino (julho – Bahia).
2008
· Está prevista uma série de eventos nos dias 26-27 de janeiro em conexão mundial, ao ensejo dos 6 anos da invasão do Iraque.
A estratégia consiste em acelerar a expansão global do processo, reforçar as redes e ampliar as mobilizações e campanhas.(Idem).
Problemas novos vão surgindo com a marcha da História: o aquecimento global, a concentração crescente de renda e riqueza, o conseqüente acirramento dos conflitos, frutos do atual modelo de globalização constituem ameaças irrefutáveis ao planeta terra, à toda sua biodiversidade. Um outro mundo, diferente de Davos, não só é possível, mas também urgentemente necessário (Ibidem)

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

Artigo do Frei Cristóvão. Fórum Social - Nairóbi

Leia abaixo o texto enviado pelo Frei Cristóvão sobre o Fórum Social Mundial, em Nairóbi.

FORUM SOCIAL MUNDIAL (FSM)

Um espaço de política, alegria e também de controvérsias

7A. Edição – Nairóbi – Quênia – 20-25/01/2007

II. O quê que aconteceu em Nairóbi.

O Positivo
Além do fato em si de ter –se realizado na África (Veja as reflexões anteriores: no.I, podemos apontar outros pontos positivos, pontos esses apontados pela Imprensa Mundial.
Os temas específicos africanos foram abordados, além dos eixos tradicionais que norteiam tais eventos, assim como: as relações entre Europa- África, a dívida, a fiscalização internacional, a terra, a Aids, a luta contra a miséria. A realidade africana marcou e deu o tom ao evento, como se esperava e como se planejara, já que a maioria dos participantes era originários do continente africano. As cores e a cosmologia africanos inundaram o Foro e seu conteúdo (Iolanda Fresnillo
A criação de uma Semana Global contra a Dívida.
Sua repercussão mundial:” o Fórum é o lugar e também o momento para encontrarmos, para compartilhar experiências e visões, para alentarmos mutuamente e retornar aos nossos lugares de origem, na América, Ásia, África, Europa, Oceania para gritar mais alto que nunca que outro mundo é possível e que estamos dispostos a construí-lo. Não há nenhum lugar do mundo donde nossa voz não possa ser ouvida.(Wangan Maalthai, prêmio Nobel da paz – 2006).
A passeata dos “tuktuk” (veículo de três rodas usado como táxi em áreas urbanas), e das “bodas bodas” (bicicletas que se converteram em um popular meio de transporte em muitas partes do país), portando o lema do FSM:” A luta dos povos, as alternativas dos povos”.
A caminhada e presença do assentamento de Kiberia (7 k. ) É o maior assentamento do país e de todo o Chifre da África, com sua população superior a 700 mil pessoas.
O confronto com a pobreza: os delegados tiveram que encarar a pobreza : choças de barro, carência total de saneamento, mau cheiro dos riachos contaminados, falta de saneamento e serviço de todo tipo;
As críticas à política econômica neoliberal dos países ricos que perpetua a pobreza de milhões de pessoas, cujos governos são submetidos aos compromissos da dívida externa. Os países africanos gastam cerca de US$ 15 bilhões ao ano no pagamento de sua dívida externa, em um continente onde mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza (Chico Whitaker).(Joice Mulama).
O papel das mulheres comunicadoras nas rádios comunitárias. Através delas colocam a agenda feminista ante a opinião pública e promovem a interlocução com governos, visando impulsionar políticas públicas para mulheres de comunidades nas programações das rádios. A importância de abordar temas como aids, violência, aborto e participação das mulheres nesses programas. Usar as rádios para a educação das mulheres no processo eleitoral. (Painel: “Mulheres e o Poder”).
A retomada da discussão de como conseguir o autofinanciamento do Fórum e assim se libertar do patrocínio de Fundações e de Governos favoráveis às causas populares, governo de esquerda. A autonomia metodológica e programática dos Fóruns pode ser ameaçada.
A Campanha lançada em Nairóbi exigindo que a Copa de 2010 sem opressão trabalhista. Os trabalhos devem ser decentes. A flexibilização das leis trabalhistas na Construção e Madeireiras são fatos reais. Sindicalistas denunciaram essa prática e temem que, com a oferta de emprego na construção, as empresas possam impor aos trabalhadores condições piores. Idêntica alerta e reivindicação foi feita por sindicalistas europeus quanto às obras da Eurocopa 2008 a se realizar na Suíça
A Agenda prevista para 2008. Nada menos de 380 eventos pelo mundo afora.
A presença carismática de Kenneth Kuanda, ex-presidente da Zâmbia. Kuanda foi o fundador do Partido da Independência Nacional da Zâmbia, criado em 1960, quando o país ainda vivia sob o domínio branco da então Rodésia – hoje Zimbáque. Quatro anos depois, a Zâmbia conquistou sua independência e Kuanda tornou-se presidente. Por cerca de 25 anos, ele governou a nação com base numa política que foi chamada de inclusiva, por uns, e de autoritária, por outros. Nacionalizou empresas importantes, apoiou os movimentos rebeldes de independência do Zimbábue e só deixou a presidência em 1991.
Kuanda como que se transformou ser um símbolo daquilo que os africanos buscam até hoje: liberdade. “Somos uma rica variedade da nossa humanidade, preocupada com o nosso futuro” (K.Kuanda).
Hollywood no FSM: presença inusitada do ator americano Danny Clover. `´É pela segunda vez que se faz presente ao FSM. Militante de longa data da organização Transafrican Fórum, criada há 30 anos para lutar contra o Apartheid na África do Sul. A mudança das políticas de opressão, segundo ele, depende dos movimentos sociais: “ Vocês é que podem parar estas políticas de opressão. Isto depende de vocês”.
Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

Artigo do Frei Cristóvão: Humanismo franciscano V.

Leia abaixo o 5º artigo do Frei Cristóvão sobre o Humanismo Franciscano.

HUMANISMO FRANCISCANO E SUA ATUALIDADE (V)

Francisco: sua personalidade de base.

Seria possível descrever a personalidade de base da pessoa de Francisco? Essa questão procede, já que um dos princípios básico da Teologia nos ensina que “Gratia non destruit naturam, supponit”: a graça, (a ação de Deus), não destrói a natureza, mas, antes, a supõe e a perfaz

Autores modernos, tais como J Jorgenson, J.Green. L.Boff, H.Chesterton, E. Leclerc, já se mostram interessados em detalhar a personalidade do santo de Assis..
Índole, carácter, gênio, temperamento.: são termos diferenciados, usados por autores, especialistas e suas respectivas escolas.

M.Sheller, na esteira de Heidegger, mostra sua preferência pelo termo “índole”, no sentido de “existência”: “aquilo que se manifesta na forma peculiar de sua própria singularidade” (Merino, J. Antônio, Humanismo Franciscano – franciscanismo e o mundo atual “,tradução Frei Celso Márcio, FFB, Petrópolis, RL, 199:37).

O nosso povo, na sua singeleza e simplicidade, resume tudo numa expressão bem plástica: “jeitão”. Cada um tem sua maneira de ser, seu jeitão de viver: “Lá em casa tenho cinco filhos. Assim como os dedos da mão, cada um é cada um; cada qual e cada qual”. Percebe a idiocidade de cada um, via intuição!

Seria reducionismo de nossa parte exigir de seu biógrafo Tomás de Celano, detalhes sistematizados da índole de Francisco. Ainda, no mais, a intenção de Celano era proselitísta: descrever a vida de Francisco no intuito de acelerar sua canonização como santo. O que aconteceu dois anos após sua morte.

Os autores modernos são mais exigentes em termos de veracidade histórica. Garimpam nos escritos de Francisco, em especial, em seu Testamento, traços de sua personalidade. “I Fioretti” (Florzinhas), em que pese seu gênero literário folclórico e beatificante, deve ser usado com cautela e prudência. São narrativas piedosas de Francisco e de seus primeiros companheiros. De certo devem ter um “fundamento in re”, um lastro de verdade, de historicidade.

Vamos apontar algumas características, na minha percepção, que os escritos de Francisco, a biografia de T.Celano e os “I Fioretti” deixam entrever de sua personalidade:

Francisco não foi um vadio, um depravado; mas, antes, um jovem alegre; um jogral, isto é, um poeta e cantor popular. Jogral se opõe a Trovador: poeta e cantor refinado, freqüentador dos salões da corte de uma aristocracia decadente.
Jovem idealista, como seus pares, se arma como cavaleiro e parte para a guerra contra a Comuna vizinha, Perúgia. Na prisão, dois anos, se manifesta como quem sustenta o moral dos companheiros de infortuno.
Não tinha lá grande tino para comerciante e futuro administrador na oficina do Pai. Coração magnânime, mão aberta, decepcionou o pai com suas dádivas generosas.
Temperamento poético, romântico, intuitivo era capaz de gestos repentinos. O strip-tease na praça de Assis, diante do bispo Guido , podestá da Comuna, é emblemático Na audiência , acompanhado por alguns co-irmãos, com o papa Inocêncio III, saltitou com entusiasmo e coração embalado, a ponto de ser motivo de mofa por parte de alguns cardeais!
Fioretti está cheio de lances inesperados de Francisco e de seus primeiros irmãos. As peripécias de frei Junípero e a ingenuidade de frei Leão nos revelam algo de sua personalidade. Não podemos esquecer o diálogo com frei Leão sobre a “Perfeita Alegria”
Poeta, dotado de grande sensibilidade, trata cada confrade, cada pessoa de modo concreto e personalizado. O seu modo de relacionar com Frei Rufino, com os irmãos enfermos, com a Irmã Clara e companheiras; com os sacerdotes, embora pecadores; com cada ser vivo, deixam transparecer seu amor e respeito por toda a criação. Veja o Cântico das Criaturas.
Uma alma profundamente piedosa, religiosa. Um místico. Na atualidade pode-se detectar três megatendências que nos reportam a são Francisco: Ecologia, Mística e Espiritualidade.
O resgate dimensão sagrada da Natureza, como ecossistema portadora da energia vital da qual todos somos oriundos, foi intuída por Francisco. Fala-se então da “Presença Total” que Francisco sentia de Deus como Amor, Deus-Ágape, criador de tudo o que existe como expressão e revelação de sua Bondade intrínseca. Mística, Espiritualidade. Francisco sintonizava-se com o élan vital que permeia tudo. Hoje em dia fala-se de “pan-en-teismo. Cientista que marcaram a modernidade e pós-modernidade ( Blaise Pascal, Einstein – Neil Bord – Maturana – Teilhard de Chardin, entre outros), quando atingiam os limites da razão, quedavam-se emudecidos em face à dignidade de cada pessoa e da grandiosidade do universo.
Fizeram a experiência do numinoso, do divino, do mistério. Os místicos fazem a experiência de momentos de plenitude, seja via a natureza, do belo, do estético ou do encontro. Francisco intuiu e experienciou a dimensão do divino, do mistério no percurso de sua abertura e conversão ao Deus-Pai, Deus-Amor, revelado na encarnação, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré.

Foi uma pessoa ética enquanto puro de coração, capaz de amar sem possuir O respeito por tudo o que foi criado e sua atenção pelos “leprosos” de seu tempo, a ponto de identificá-los a Jesus crucificado, são sinais de sua grandeza d´alma. Ético enquanto humano.
Nossa tentativa foi procurar entender o porquê deste carinho e atração que a figura de Francisco exerce dentro da Igreja; mas, sobremaneira, fora da Igreja, entre pessoas que cultivam o seu Deus a sua maneira, na busca de um sentido de vida que desabroche no compromisso com um mundo mais humano e fraterno. São tantos que buscam se humanizar. Francisco, como pessoa humana, se projeta como inspiração para uma multidão de “boa-gente” com as quais nos deparamos nas Pastorais Sociais, nos Movimentos Populares, nos diversos Foros Sociais Mundiais.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com