sexta-feira, março 30, 2007

Artigo do Rosário: Teologia de Sangue

Leia abaixo o último artigo enviado pelo Rosário:

Paz plena... Paz plena... Paz plena... Irmãos e companheiros de evolução. Um grande abraço para todos do ENFRADES.Todos nós temos uma grande responsabilidade no atual estágio evolutivo do Planeta Terra. Juntos e unidos na construção do Reino de Deus iremos conseguir o melhor para todos: a PAZ PLENA. Somos também garimpeiros da Verdade. Sobre a Teologia de sangue comento ainda que é muito difícil para teólogos cristãos e judeus aceitarem as minhas ideias sobre a mesma, porque isto exige também a aceitação de que a BÍBLIA NÃO É A PALAVRA DE DEUS, pois sacrifícios de sangue foram feitos em todo o universo bíblico. Paz plena.. Rosário.
169 - Teologia de sangue - publicado em 30/03/2007.Parabéns ao leitor Luciano Ribeiro pelo artigo "Origem da fé" (Opinião 26/3), no qual fez comentários a dogmas, que tiveram suas origens em crenças pagãs. Gostei muito da referência feita a um dos maiores absurdos proferidos pelos teólogos, que defenderam que Deus só perdoou à humanidade do pecado de Adão e Eva porque o sangue de Jesus foi derramado na cruz.Defender que a humanidade só se reconciliou com Deus, o plenamente bom, sábio e perfeito, só porque alguns homens traíram, julgaram injustamente, torturaram, condenaram à morte e mataram o Mestre Jesus na cruz, mostra realmente uma total ignorância teológica. Essa teologia de sangue, que consta em toda a Bíblia, nos apresenta um Deus sanguinário, vil e guerreiro, que só aplaca a sua ira com sangue, é irracional e muito pagã.Os mesmos teólogos, que aceitam os sacrifícios de sangue da Bíblia, chamam as religiões, que ainda fazem sacrifícios de animais e até humanos na atualidade, de crenças pagãs e que agem assim por causa da ignorância de seus adeptos. Se no presente a matança de animais em cultos religiosos não está correta, também não estava nos tempos antigos, então quem aperfeiçoou foram os seres humanos e não Deus.Rosário Américo de Resende, ex-professor da UFMG. Belo Horizonte, 28/03/2007.P.S.Esta VERDADE tem que ser compreendida e divulgada, mas até com relação ao jornal O TEMPO, que é um veículo da mídia, que nos permite este trabalho, alguns artigos ficam sem serem publicados, como este a seguir, que não foi publicado:
72 - Teologia de sangue.
Cada ser humano é um espírito criado e é único, mas está em evolução, então ainda não é perfeito.O processo evolutivo é individual e coletivo, então os espíritos semelhantes se aproximam e formam grupos. Toda vez que existe uma união de espíritos encarnados e desencarnados com novos objetivos tem-se aí o início de uma nova religião, que sempre deveria ser mais evoluída, mas não é, pois existem espíritos que querem usurpar o lugar de Deus, o primeiro e único. Mas também existe a união de espíritos com objetivos inferiores, como: conquistar o poder na base da ilegalidade, da força e da traição, nestes casos os espíritos desencarnados afastam, o movimento fica apenas humano e acaba por si mesmo.Como tudo se evolui, então também as religiões vão se evoluindo e os dirigentes vão ensinando o que é bom para o nosso aperfeiçoamento. Na Bíblia do princípio ao fim, do Gênesis ao Apocalipse, temos as práticas dos sacrifícios de sangue e das ofertas, como também os ensinamentos de viver bem, perdoar, amar e ser sempre fiel. Os sacrifícios de sangue foram feitos em torno de uma exigência de espíritos desencarnados, que se passavam por Deus, mas eles queriam trazer os encarnados sob o domínio do medo e as ofertas são atos livre realizados pelos seres humanos para demonstrarem a fidelidade deles para com os seus deuses ou os espíritos desencarnados que os ajudavam e ajudam.Deus é bom e nunca exigiu nada de nós, nem sacrifícios de sangue e nem ofertas, pois somos livres. Digo que os sacrifícios de sangue são prejudiciais para o nosso aperfeiçoamento ou são as corrupções das religiões e as ofertas são boas, pois demonstram a nossa fidelidade para com Deus. Então todo aquele que diz: "O sangue de Jesus já me salvou", está ainda preso na ignorância da bitolação religiosa e todos os que ainda usam da prática dos sacrifícios de sangue cultuam espíritos de níveis não muito evoluídos.
Rosário Américo de Resende.
Ex-professor da UFMG.
Belo Horizonte, 29/08/2006.

Cervejinha de quinta-feira: 29 de março

A cervejinha de ontem estava em clima de Quaresma e Semana Santa pois apareceram poucas bocas para beber: Tachinha, Carlos Augusto (Coelhinho), Eustáquio Tadeu (Siri), Antônio Vasconcelos (Bolão) e Marcos Vasconcelos (Quinho, filho do João Marques - Cri).
O Tachinha, como tem que marcar o ponto todas as semanas e fazendo as contas, deve ter faltado apenas a umas 30 quintas-feiras das mais de 1.300 que já passamos bebericando lá na Savassi.
Como sempre na mesa ao lado estava o Milton, ex-seminarista da Borda do Campo.
A notícia boa do dia é que o Helvécio (Jaburu) já tinha tido alta pela manhã e, inclusive, estava com vontade de dar uma passada lá.
Jaburu, graças a Deus, você já está bom e prepare-se para pagar uma rodada de cerveja na quinta-feira depois da Semana Santa.

quinta-feira, março 29, 2007

Artigo do Frei Cristóvão: Humanismo franciscano IV

Aí vai o último artigo da leva enviada pelo Frei Cristóvão.

HUMANISMO FRANCISCANO (IV)

SEU FUNDAMENTO: Os Valores Axiais do Evangelho.

Depois de uma longa caminhada, através de um processo acumulativo de experiências que abalaram sua vida, sua existência (conversão), Francisco descobriu o que Deus queria dele. Qual era a sua vocação, dizemos nós, hoje: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que devia fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho” (Test.4).

Forma de Vida “.Embora Francisco não fora uma pessoa” estudada; “talvez não fizera curso superior; muito menos doutorado ou mestrado em Teologia, nos impressiona seus conhecimentos bíblicos. Seus escritos, sua Regra; o Testamento estão recheados de passagens da Escritura Sagrada. Sua ordenação ao diaconato visava mais conseguir a permissão oficial para pregar e não ser considerado herege. Certamente para ser admitido como diácono recebera uma formação básica exigida no seu tempo. Sua identificação crescente com o Rabi da Galiléia lhe deu uma estima e consideração para com os textos evangélicos: são palavras sagradas, palavras de Deus. Conhecia textos e mais textos dos Evangelhos e os interpretava de maneira concreta no cotidiano de seus ouvintes, convidando-os à conversão. Mais tarde, autores franciscanos vão chamá-lo de” Vir Evangelicus “:” O Homem Evangélico ““.
“...a todos os meus irmãos que pregam, oram ou trabalham, sejam clérigos ou leigos, que tratem de se humilhar em tudo, nem se envaidecem interiormente de belas palavras ou obras...” (“Dos pregadores”, Regra não-bulada da Ordem dos Frades Menores: 19). É conhecida a admoestação que Francisco fez a Santo Antônio, teólogo: que ensine Teologia aos irmãos, “sem, porém, perder o espírito de oração” (Carta a santo Antônio de Pádua).

Como entender, na atualidade, sua afirmação: “viver segundo a forma do santo Evangelho”? (Test. 4).
Na tradição clássica de Aristóteles (Física) e da Escolástica (Metafísica) tudo o que existe, tudo o que podemos captar pelos nossos sentidos, se compõe de dois elementos : matéria e forma (hilomorfismo), A “Forma” caracteriza o ser e o distingue dos demais. Com o avanço das Ciências Físicas e das Ciências Humanas (Física Quântica – Holismo), temos que reinterpretar o que a tradição nos legou. Reinterpretar supõe uma nova linguagem. Nova terminologia. A mudança de paradigma supõe uma nova hermenêutica.

Platão distinguia “Eros”: amor posse; de “filia”: amor barganha; e essa de “ágape”: amor doação. Freud centralizou suas reflexões sobre o “desejo” que brota de nossa carência como ser finito; Adler, dissidente de Freud acreditava que a pulsão mais forte no “Homo” seria a “vontade-de-se-fazer valer”; afirmar-se, conquistar sua eidade. Berson chamou este dinamismo de “pulsão vital”, o desejo de viver, de viver em plenitude; Teilhard de Chardin fala do “estofo da matéria”, do espírito ("vous") que informa a matéria. A física quântica fala da energia fundante da qual tudo brota e evolui. E.Mounier chega à conclusão de que “ser é amar”; e de que nós não “nascemos para morrer e sim para ser”. Max Scheller, admirador de Francisco, desenvolveu a tese de que o ser humano sofre de uma empatia estruturante enquanto um “ser-para-os outros.”. Sofremos todos de uma empatia, um sentir comum (emphatein) que nos impulsiona para a busca do outro, e vice-versa.

Francisco intuiu tudo isso e fez de tudo isso “forma” de sua vida. Daí a atualidade do Humanismo Franciscano. Via no Jesus histórico, encarnado, a epifania, por excelência, de um Deus que é Amor. Posteriormente, a Escola Franciscana, na linha de Alexandre de Hales e Boaventura, vai desenvolver esta intuição experienciada por Francisco e os irmãos da primeira Fraternidade: Deus é o Sumo Bem, “Summa beatitudo”. Voltamos ao Deus revelado por Jesus: Deus é amor, é ágape: isto é amor doação.
No meu entender, “viver segundo o santo Evangelho” seria “formar”, "in-formar” a vida a partir de uma experiência fundante que transforma as raízes do nosso ser; afeta e transforma as regiões mais abissais do nosso eu. S.Jung chamaria essas camadas mais profundas de cada um de nós mesmos de arquétipos. O evento Jesus de Nazaré seria a arqueologia que passou, paulatinamente, a sedimentar sua vida, sua existência. Seria a “forma”, o referencial norteador de sua nova opção de vida.

Os textos evangélicos referenciais: Mt 10: Discurso Sobre A Missão Dos Apóstolos; - 6.7-13: A Verdadeira Oração
a) O discurso sobre a missão.
Trata-se da primeira missão dos apóstolos. Segundo a tradição reinante “a casa de Israel” seria a primeira destinatária da salvação messiânica. Após a ressurreição, os discípulos, não só os apóstolos, seriam enviados mundo afora: O Reino de Deus se destinado a todos. O que eles tem a ofertar é a paz,, a reconciliação com Deus-Pai, o dom messiânico por excelência (Jo 20, 21-23).
As recomendações de como devam ir contrapõem ao modo de como os fariseus se comportavam em suas excursões missionárias em busca de prosélitos: evitar as impurezas previstas pela Lei. O alforge com o dinheiro era para garantir a hospedagem e a compra da alimentação que eles mesmos preparavam, sem se contaminar. Os discípulos deviam ir com os bolsos vazios e o coração cheio da misericórdia do Deus encarnado no Rabi da Galiléia. A convivência pela partilha da comida e da hospedagem, era parte integrante da missão.
b) A verdadeira Oração.
Francisco é tido como o santo do Pai-Nosso. Aos irmãos iletrados, impossibilitados de rezar o Ofício Divino, recomendava 70 Pai-Nossos pela manhã; outros setenta pela parte da tarde; outros tantos pela noite.
Há uma questão aberta entre os exegetas :se o texto do Pai-Nosso seria antes uma síntese dos ensinamentos de Jesus. Um judeu aprendia a rezar já como criança. Aos cinco anos já sabia de cor a Torá; com sete o Talmud; com doze a Meshina. O Deus de Jesus é Pai de todos. Um Deus socialista. Sua vontade é que o seu Reino seja Vida para todos. Por isso “o pão de cada dia” seja “Pão Nosso. O perdão é condição de vida em comum; torna possível a fraternidade universal (adelfocracia – consciência de espécie, consciência planetária e cósmica ). E que nos livre da tentação de desacreditar que isso é impossível. Pois, é o Plano, o desígnio do Pai.
Frei Cristóvão Pereira ofm. freicristovao@gmail.com

Artigo do Frei Cristóvão: Humanismo franciscano III

O jovem Cristóvão Pereira mandou a primeira parte mas não mandou a segunda.



HUMANISMO FRANCISCANO (III)

EXPERIÊNCIA FUNDANTE

Seria possível aproximarmo-nos do que se entende por “Experiência Fundante”? No caso concreto, existencial e pessoal de Francisco de Assis, que no jargão conhecido da espiritualidade cristã, denominamos de conversão? Quais seriam os instrumentos visíveis, históricos através dos quais se sentiu tocado, chamado por Deus? Teríamos como que garimpar no que sabemos de sua vida; perscrutar seus escritos e assim estabelecer um consenso comum básico que possibilite aclarar este questionamento básico.

Ou, então, teríamos uma série de acontecimentos que se foram acumulando no decorrer de sua vida até chegar à explosão: “ “Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles.”..(Test.1). “E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho...”(Test.4).

Este passo decisivo de sua vida não foi precedido de outros, aparentemente menores em termos de densidade existencial, mas indispensáveis para que chegasse a esse, de caráter mais envolvente e fundante? O ideal de ser um cavaleiro, comum a todo jovem da época; o fracasso, a desilusão com a derrota no confronto com a Comuna vizinha, Perúgia; os dois anos na prisão insalubre; a doença após a libertação; o tempo de incerteza e escuridão passado nas grutas de Assis; a leitura dos trechos evangélicos na pequena capela de São Damião? Tudo conta, tudo pesa. Em tudo isso sentia, experienciava que Deus queria algo de diferente com ele, com sua vida.

1. O que se entende por “experiência”? Mais precisamente, por “experiência fundante”?
Trabalhando semântica e filologicamente com o conceito “experiência”, talvez as coisas se aclarem um pouco mais. Vamos trabalhar com duas versões na tentativa de assimilar melhor o conceito:
Experiência teria as seguintes raízes:
a). “ex,” de origem latínica conotando um movimento de dentro para fora, de baixo para cima. Seria como que um puxar para fora, fazer eclodir. Temos várias palavras que deixam entrever esse movimento: eclodir, explodir, emanar, educar, elucidar, excelência, etc.
Já o sufixo “peri”, também de origem latínica, sugere a intensidade na ação em direção, em busca de. Daí temos, entre outros, os conceitos: perímetro, preâmbulo, percalço, pirâmide, perambular, peripatético, périplo, periferia, perigo, perífrase, percurso, etc.
“Iens”, também do latim, participio presente de “ire”. Juntando tudo chegamos ao seguinte: experiência seria algo, uma força, uma energia, uma “dinamis”, um “axé” que nos coloca em posição de ida, de busca, de procura intensa e refinada do conhecimento da própria Vida, do que venha a ser viver. Esta intensidade é que nos enriquece e nos acumula desta força interior que brota de dentro para fora, das raízes do nosso ser.
Esta primeira achega devo ao enfrade João Marques, o nosso “Kri, ex-seminarista franciscano, de quando de nossas discussões e diálogos. João Marques foi quem fez a apresentação de meu primeiro livro: “ Anemia Antropológica – Alternativas”.
b). “Ex-peri-ência”
J. Antônio Merido, na sua obra “Humanismo Franciscano, Franciscanismo e o Mundo Atual , FFFB, tradução de Frei Márcio Teixeira OFM, Petrópolis. RJ:1999: 50, define experiência da seguinte maneira: “etimologicamente, ex-peri-ência” é o conhecimento prático do Homem em contato imediato com a realidade. Isso implica que o Homem deve sair de si mesmo (“ex”), para dirigir-se ao circunstante (“peri”), e poder captar as qualidades das coisas que estão aí (“entia).

Esta experiência originária supõe que o Homem seja excêntrico e abertura; que seja relação e que esteja capacitado para comunicar-se, inter-comunicar-se e captar o sentido do outro....

c. Experiência e Vivência

Hermógenes Harada, com a profundidade e sutileza que lhe são peculiares, faz distinção entre experiência e vivência. No linguajar comum é constante a confusão dos termos. Distingue o nosso confrade entre “um Homem de grandes vivências e um Homem de grande experiência. Vivência, segundo ele, é ato momentâneo, quase sempre empolgante e envolvente, uma espécie de esquentamento casual que vai e vem, sem trabalho árduo da conquista tenaz, continuada e constante. Ela nos pega de repente, faz perder a cabeça, mas logo esfria, deixando atrás de si uma saudade, um susto, sem se acumular numa energia firme e duradoura. A vivência, por isso, não transforma a raiz do ser da pessoa. Embora seja envolvente e intensíssima, inebriante. É na verdade abstrata, indeterminada, vaga e volúvel, com o tempo se esvai, passa. A cultura de massa prima por grandes vivências e aversão ao duradouro da experiência. Importa viver, viver intensamente o presente!

Experiência é diferente. Não indica o que sentimos, o que nos envolve, o que fazemos como no caso da vivência. Indica antes o sazonamento da identidade da pessoa, que com o tempo cresceu e cresce como um modo de caminhar a Vida. ... Se a experiência é o crescimento do ser no caminhar a Vida, ela é antes movimento do crescimento e não coisa fixa, predeterminada, fora de nós” (Harada, Hermógrmes, manuscrito, CEFEPAL, Petrópolis, RJ.)

2. Qual seria a experiência fundante do Santo de Assis?

Uma série de acontecimentos foi se acumalando na vida de Francisco, como o vimos acima. O ápice de sua caminhada foi atingida com a comunhão mística com o crucificado no monte Alverne e se consumou nos estigmas visíveis em seu corpo. Certamente que houve um ponto de partido, um início de subida de morro que foi se acumulando através de outras experiências marcantes pelas quais foi passando.
O dom de irmãos parece ter sido o “insigth” decisivo para a descoberta do que o Senhor reservara para ele.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

Artigo do Frei Cristóvão: Humanismo franciscano.

O Frei Cristóvão, depois de algum tempo de "silêncio obsequioso" enviou 3 artigos sobre humanismo franciscano. O dito cujo está sumido da cerveja há um bom tempo...

HUMANISMO FRANCISCANO E SEUS REFLEXOS NA ATUALIDADE (1)

O “Modus Vivendi” do Franciscano

Fui convidado pela turma de nossos estudantes de Filosofia para coordenar uma tarde de estudo sobre o Humanismo Franciscano e sua Atualidade. Oportunidade rara para retornar ao tema e tentar sua contextualização. De modo especial, agora, que estamos em plena preparação para celebrar os 800 dá aprovação e publicação da Regra de Vida elaborada pelo Santo de Assis, já, então, vivendo em fraternidade com alguns companheiros.

Procurei enfatizar o porquê a pessoa de Francisco de Assis , lá do séc.XIII, se faz presente na Modernidade e Pós-Modernidade, sendo uma figura muito simpática no imaginário popular como também no meio acadêmico entre pessoas de pouca prática religiosa, porém, de grande sensibilidade humana, preocupados com um padrão de vida mais humano e digno para o nosso povo sofrido, empobrecido e marginalizado.
Não deixa de ser emblemático o fato de que o Santo de Assis tenha sido apontando, juntamente com M Ghandi, Matin L.King e Teresa de Calcutá, entre as personalidades que marcaram o séc.XX.

O resultado da pesquisa feita pela revista Times merece confiabilidade, uma vez que a iniciativa partira do próprio periódico. Portanto, sem qualquer conotação apologética.
Vou tentar sintetizar os pontos mais relevantes de meu bate-papo com a moçada.

Pergunta inicial: “Afinal de contas, pra quê a gente, vocês estudam Filosofia? Qual a importância da gente empanturrar a cuca com tantas teorias de tantos pensadores ou Escolas Filosóficas? Como isso afetaria minha vida, meu modo de viver e de ser?

Procurei passar para a turma, e isso já dentro da Escola Franciscana, uma Tradição cultivada pelos Orientais de que a razão de ser da Filosofia é tornar-nos sábios, segundo a semântica do próprio conceito: “Filos– Filei:” amante, amar; “Sofia”: sabedoria.
Na Tradição Oriental uma pessoa sábia inspira confiança por si mesma por ser alguém experimentada na arte de bem viver. Distila autoridade quando fala. De sua vida, de seu ser emana bondade de coração, grande de ser. Resumindo: uma pessoa sábia é uma pessoa bondosa, generosa, desprendida, ética. Numa palavra: é uma pessoa humana.
Conclusão: a gente estuda filosofia para se conhecer melhor; conhecer melhor os outros; desvelar as razões mais profundas do que venha a ser a vida e de como bem vivê-la. Tornar-se sábio é tornar-se humano. O estudo da Filosofia para o oriental e para o franciscano vem a ser: aprimorar a experiência de que ser sábio tem muito a ver com ser humano, bom, ético

O Sermão do Morro (Mt 5-6-7) no seu prólogo, sua abertura solene começa com: “as Bem-Aventuranças. Bem-aventurados, felizes. Ser bem-aventurado é mais do que ser feliz, isto porque a bem-aventurança é um dom messiânico; um dom que nos é ofertado diretamente por Deus”.

“Bem-Aventurados os puros de coração” por verão a Deus. Coração para o semita é centro da vida, do qual brotam nossos desejos, sentimentos, aspirações e saber. Não se trata, primeiramente, de pureza moral, muito menos de pureza sexual. Trata-se, antes de tudo, de uma pureza de ser, de uma pureza ôntica, fluindo das raízes do ser da pessoa.
Na Bíblia temos os assim chamados Livros Sapienciais, entre os quais figuram os salmos. Pouco falam de Deus, de Javé; e muito da vida, do cotidiano da nossa existência. Indicam o caminho da Vida, do bem-viver; onde devemos depositar nossas esperanças, sossegar nossos desejos, encontrar a felicidade.

Uma das razões da volta ao sagrado, da multiplicação de tantos movimentos religiosos, de tantas igrejas, em especial de igrejas neo-pentecostais, e do Movimento Neo-Pentecostal na Igreja Católica (O Movimento Carismático) estaria nesta secura espiritual dos nossos tempos. O “Homo” Moderno e Pós-Moderno como que ficou enfastiado de tanta Ciência, de tanta Tecnologia como expressão da “razão-instrumental”, essa, por sua vez, concretização de nossa vontade-de-poder O Mito do crescimento, do desenvolvimento ilimitado e infinito, vai-se esvaziando de credibilidade uma vez que o próprio planeta Terra é limitado em seus recursos que possibilitam uma vida digna para a humanidade. Em vista a este materialismo prático, a esta busca desenfreada de prazer, de bem-estar e de qualidade de vida, um consumismo exarcebado, nos afastamos do sendo primevo do que venha ser a Vida e de como bem vivê-la.

Sentimos uma carência de sentido, do porquê existimos.. De espiritualidade, numa palavra.
É conhecida a reação de Sócrates quando passava pelo mercado central de Atenas: “ de quanta coisa não necessito para ser feliz”. Na modernidade os Shoppings-Center substituíram as Catedrais da Idade Média, onde se presta culto ao dinheiro, ao mercado ,à moda, ao estato social.

Ainda mais: os problemas maiores da Humanidade, tais como a miséria, a fome, as endemias, as desigualdades sócias, as discriminações sócio-religiosas, a violência, as guerras não foram superados mediante tanta ciência, tecnologia e dinheiro produzindo dinheiro na ciranda das bolsas de valores e nos paraísos fiscais.

O estudo da Filosofia nos capacita analisar e criticar a imagem de “Homo” que História foi nos deixando (Antropologia Cultural – Antropologia Filosófica), e o conseqüente mundo, sociedade dela oriunda. Nos habilita a sermo-nos-nós mesmos: “Um sendo em busca do Ser” (Heidegger) O franciscano se considera, antes de tudo, um “Homo Viator”, um viajante, um peregrino do “Sumo Bem”. Franciscano chama o Deus de Jesus Cristo, como “Pai, Altíssimo, Bom Senhor, Sumo Bem”. Considerava tudo, tudo como dom gracioso e gratuito de Deus. De nada queria se apossar.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

terça-feira, março 27, 2007

Operação do Jaburu: Graças a Deus.

Graças a Deus a operação do Helvécio Chaves (Jaburu) foi bem sucedida e ele só colocou uma "extent" ??? (uma mola que se coloca na veia para desobstrui-la). Ele iria colocar duas, mas como ele me falou que a outra veia já está véia não foi possível realizar a operação na veia véia.
Ele está "hospedado" no quarto 18 (na hospedagem anterior ele estava, sob protesto, no quarto 24) no Prontocor, na Rua Sergipe quase esquina de Av. Getúlio Vargas.
Jabura, saia logo para voltar ao batente e pagar umas cervejas para nós, pobres mortais, podermos bebemorar e agradecer a Deus o sucesso da operação.

domingo, março 25, 2007

O (arce)bispo reclamou: surtiu efeito

Pois é, quem pode, pode, basta o (arce)bispo reclamar para surtir efeito. Vejam abaixo:
"Precisou de um arcebisto reclamar para o nobre escriba resolver manter atualizado o blog. Cansei de falar que, depois de aposentado, havia ficado "preguiçoso". Afinal este blog não é mais do tachinha já que é o ponto de encontro de todos os enfradistas. Falando no blog, excelente." Dante