terça-feira, abril 10, 2007

Artigo do Frei Cristóvão. Fórum Social - Nairóbi

Leia abaixo o texto enviado pelo Frei Cristóvão sobre o Fórum Social Mundial, em Nairóbi.

FORUM SOCIAL MUNDIAL (FSM)

Um espaço de política, alegria e também de controvérsias

7A. Edição – Nairóbi – Quênia – 20-25/01/2007

II. O quê que aconteceu em Nairóbi.

O Positivo
Além do fato em si de ter –se realizado na África (Veja as reflexões anteriores: no.I, podemos apontar outros pontos positivos, pontos esses apontados pela Imprensa Mundial.
Os temas específicos africanos foram abordados, além dos eixos tradicionais que norteiam tais eventos, assim como: as relações entre Europa- África, a dívida, a fiscalização internacional, a terra, a Aids, a luta contra a miséria. A realidade africana marcou e deu o tom ao evento, como se esperava e como se planejara, já que a maioria dos participantes era originários do continente africano. As cores e a cosmologia africanos inundaram o Foro e seu conteúdo (Iolanda Fresnillo
A criação de uma Semana Global contra a Dívida.
Sua repercussão mundial:” o Fórum é o lugar e também o momento para encontrarmos, para compartilhar experiências e visões, para alentarmos mutuamente e retornar aos nossos lugares de origem, na América, Ásia, África, Europa, Oceania para gritar mais alto que nunca que outro mundo é possível e que estamos dispostos a construí-lo. Não há nenhum lugar do mundo donde nossa voz não possa ser ouvida.(Wangan Maalthai, prêmio Nobel da paz – 2006).
A passeata dos “tuktuk” (veículo de três rodas usado como táxi em áreas urbanas), e das “bodas bodas” (bicicletas que se converteram em um popular meio de transporte em muitas partes do país), portando o lema do FSM:” A luta dos povos, as alternativas dos povos”.
A caminhada e presença do assentamento de Kiberia (7 k. ) É o maior assentamento do país e de todo o Chifre da África, com sua população superior a 700 mil pessoas.
O confronto com a pobreza: os delegados tiveram que encarar a pobreza : choças de barro, carência total de saneamento, mau cheiro dos riachos contaminados, falta de saneamento e serviço de todo tipo;
As críticas à política econômica neoliberal dos países ricos que perpetua a pobreza de milhões de pessoas, cujos governos são submetidos aos compromissos da dívida externa. Os países africanos gastam cerca de US$ 15 bilhões ao ano no pagamento de sua dívida externa, em um continente onde mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza (Chico Whitaker).(Joice Mulama).
O papel das mulheres comunicadoras nas rádios comunitárias. Através delas colocam a agenda feminista ante a opinião pública e promovem a interlocução com governos, visando impulsionar políticas públicas para mulheres de comunidades nas programações das rádios. A importância de abordar temas como aids, violência, aborto e participação das mulheres nesses programas. Usar as rádios para a educação das mulheres no processo eleitoral. (Painel: “Mulheres e o Poder”).
A retomada da discussão de como conseguir o autofinanciamento do Fórum e assim se libertar do patrocínio de Fundações e de Governos favoráveis às causas populares, governo de esquerda. A autonomia metodológica e programática dos Fóruns pode ser ameaçada.
A Campanha lançada em Nairóbi exigindo que a Copa de 2010 sem opressão trabalhista. Os trabalhos devem ser decentes. A flexibilização das leis trabalhistas na Construção e Madeireiras são fatos reais. Sindicalistas denunciaram essa prática e temem que, com a oferta de emprego na construção, as empresas possam impor aos trabalhadores condições piores. Idêntica alerta e reivindicação foi feita por sindicalistas europeus quanto às obras da Eurocopa 2008 a se realizar na Suíça
A Agenda prevista para 2008. Nada menos de 380 eventos pelo mundo afora.
A presença carismática de Kenneth Kuanda, ex-presidente da Zâmbia. Kuanda foi o fundador do Partido da Independência Nacional da Zâmbia, criado em 1960, quando o país ainda vivia sob o domínio branco da então Rodésia – hoje Zimbáque. Quatro anos depois, a Zâmbia conquistou sua independência e Kuanda tornou-se presidente. Por cerca de 25 anos, ele governou a nação com base numa política que foi chamada de inclusiva, por uns, e de autoritária, por outros. Nacionalizou empresas importantes, apoiou os movimentos rebeldes de independência do Zimbábue e só deixou a presidência em 1991.
Kuanda como que se transformou ser um símbolo daquilo que os africanos buscam até hoje: liberdade. “Somos uma rica variedade da nossa humanidade, preocupada com o nosso futuro” (K.Kuanda).
Hollywood no FSM: presença inusitada do ator americano Danny Clover. `´É pela segunda vez que se faz presente ao FSM. Militante de longa data da organização Transafrican Fórum, criada há 30 anos para lutar contra o Apartheid na África do Sul. A mudança das políticas de opressão, segundo ele, depende dos movimentos sociais: “ Vocês é que podem parar estas políticas de opressão. Isto depende de vocês”.
Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com

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