quarta-feira, março 01, 2006

Piada - Sogro muy amigo.

Envio abaixo uma piada que recebi. Ter tem um sogro deste é fria!.

Sogrão amigo!
A filha entra no escritório do pai, com o marido a tiracolo e indaga sem rodeios:
- Papai! Porque você não coloca meu marido no lugar do seu sócio que acaba de falecer?
E o pai responde de pronto:
- Olhe filha! Converse com o pessoal da funerária! Por mim, tudo bem...

Artigo do Frei Cristóvão: A ideologia necessária.

Leia abaixo o último artigo enviado pelo Frei Cristóvão:

A IDEOLOGIA NECESSÁRIA

“Todo ponto de vista é a vista de um ponto”
“Amicus Platus sed magis amica Veritas”

Nossa leitura da Realidade e de nós mesmos é sempre uma achega, uma aproximação; portanto, um conhecimento analógico, parcial, incompleto e inacabado.
Conta-se o seguinte lance de um missionário europeu em terras da China, convidado para falar sobre os valores cristãos, numa universidade de Xangai.

Corria tudo bem, exposição brilhante, lógica e coerente. No final: a casca-de-banana: “estes valores são universais e categóricos, válidos para todos os tempos e culturas”.
Nisso, um estudante, lá do fundo do auditório, o interpelou:
“Prezado Sr, tenho certa resistência em afirmar que “isso” ou “aquilo” é verdadeiro porque, até o momento, acredito apenas em três verdades: a minha, a sua e a verdade verdadeira da qual somos todos peregrinos”
!
O mundo eclesiástico e eclesial está inoculado por um vírus que vem de séculos: Ideologia se contraporia à Ciência, à Objetividade, à Espiritualidade, à Evangelização. São por demais críticos, porém, por demais sensíveis a qualquer crítica, vendo nela uma ameaça ao que fundamenta sua fé, sua estabilidade existencial.

A curiosidade epistemológica faz avançar a Ciência, sem neutralizar, contudo, toda e qualquer crítica epistemológica à própria epistemologia.
Epistemologia procura estabelecer os critérios básicos para que toda qualquer disciplina tenha o mínimo de objetividade, e, com isso, o mínimo de fidelidade ao real de sua pesquisa e de suas conclusões.

È bom, de quando em vez, refrescar a memória e retomar alguns pontos básicos:
1) O Conhecer não se identifica com o Ser. É uma aproximação, uma achega, uma adequação da Razão à Realidade: “Adequatio intelectus rei” (Aristóteles – S. Thomaz de Aquino).

2) Com isso todo conhecimento não é unívoco, mas antes, analógico.

3) A distância entre o Conhecer e o Ser é que dá margens para que haja Ideologia, ou melhor dizendo: Ideologias. Tomamos aqui Ideologia como Cosmovisão, como Mundividência, um conjunto de teses-hipóteses sobre a Realidade em toda a sua abrangência; sejam minhas, de minha escola de pensamento; seja de uma época, de um período da História.
.
4) É impossível evitar ideologias e deixarmos de ser ideólogos. O fundamentalismo, além de ser uma atitude de vida, consiste justamente nisso: fazer do meu ponto de vista, de nossa idéia ou tese uma ideologia absoluta; uma doutrina irrefutável, única e absoluta. “Um pensamento único”.

5) O Topismo: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Isto vale para mim, para o meu oponente, para todos. Temos aí a chave para possibilitar o diálogo em busca de mais verdade. De minha verdade, de sua verdade. É a “nossa verdade”. O que não quer dizer que seja a verdade em si.

6) A necessidade do “feed-back”; de se fazer a ressalva: “segundo o meu modo ver”; salvo melhor parecer”; “enquanto me consta”... Humildade epistológica é característica do sábio. “Só sei que nada sei” (Sócrates).

7) Os métodos: indutivo (Ciências Empíricas); dedutivo (Ciências Humanas); dialético (O pensamento em movimento), são maneiras, instrumentos de como se aproximar da Realidade em sua diversidade e dinamicidade. Através destas ferramentas conseguimos lampejos de sua verdade intrínseca.

8) A maturidade epistemológica seria esta postura, esta maneira de ser e de ver a Realidade em movimento, sempre cambiante. Há um como que conflito entre conhecer e ser no sentido de que a Realidade é complexa e dinâmica; enquanto que nossos conhecimentos tendem, pela rotina, a se fixarem, petrificarem-se. “Sempre foi assim...” O novo incomoda, nos questiona e põe em jogo nossas estabilidades. Muitos são “preguiçosos, intelectualmente”. Afinal, pensar é perigoso!

9) A melhor maneira de se chegar a isso é o trabalho em grupo, a reflexão enturmada, o diálogo com os outros e com a própria Vida.

Em sendo assim, quem sabe nos libertemos da tirania da Economia do Mercado, do Neoliberalismo como ideologias definitivas, acabadas; o estágio definitivo ao qual a Humanidade alcançou. Suas distorções (globalização da miséria, da fome, da morte) são erros de percurso. Embora exija a morte de milhões, não há algo de melhor engendrado pelo homem. Suas vítimas são justificáveis em benefício de gerações futuras que deles vão se beneficiar em sua plenitude!
Afinal, para que pensar em mudar, uma vez que já temos as chaves para solucionar todos os problemas da vida em sociedade. O busilis da problemática não está como a sociedade está ordenada, e sim no modo como buscamos solucioná-lo!!

“O problema não está na sociedade, mas no indivíduo que não sabe se adequar a ela”! (Margaret Tacher). Isso não é ideologia, mas antes, ideologismo.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com