sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Artigo do Frei Cristóvão.

Leia abaixo o último artigo enviado pelo Frei Cristóvão:
O QUE FAZER?

Do particular para o global. A simbiose e sintonia do pessoal com o coletivo
“Eu- com - Nós - Nós –com - eu”

Estamos, todos, quer queira ou não, envolvidos, comprometidos com a crise política.
Uma análise crítico-histórica da situação política nos possibilita vislumbrar alternativas de superação. Não basta apenas lamentar, incriminar o governo por tudo o que nos acontece E “ficar na sua”, esperando o que vai acontecer!
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Fortalecimento das Instituições Democráticas

Depois de mais de duas décadas de um regime ditatorial, às duras penas, conseguimos fazer a transição para um regime democrático, ainda em fase de consolidação.
Veio a anistia, negociada após um consenso mínimo entre torturadores e torturados .
No momento o que importava era assegurar a abertura política e volta às instituições democráticas. O acerto com a verdade dos fatos seria questão de tempo!

Tivemos a Constituição de 88, cunhada de “Constituição Cidadã” embora “Constituinte” e não soberana e autônoma. O movimento “Diretas-Já” mobilizou o país. As eleições foram indiretas, confinadas às forças políticas do Congresso Nacional. Elegemos Collor e forçamos o Congresso a destituí-lo. Tivemos dois períodos presidenciais FHC e a transição de um Governo para outro sem traumas e turbulências maiores que pusessem em risco o próprio regime político.

Ora tudo isso são valores políticos, conquistas democráticas que não devem e nem podem ser menosprezadas, mas antes, preservadas e consolidadas. Muito embora as pesquisas apresentam dados desoladores: 78% acreditam que existe corrupção no governo Lula; 64% dizem que a maioria dos políticos do seu partido está envolvida em casos de corrupção e 67% pensam que o PT pagou o chamado “Mensalão”; 46% desaprovam o Congresso Nacional.
A estratégia da oposição é perversa: aniquilar o PT, preservar o presidente Lula, cuja política econômica é do agrado da elite oligárquico-financeiro-industrial. Durante a campanha eleitoral não faltarão petardos para detoná-lo de vez. Estratégia essa, no presente momento, falaz e enganadora!

O que importa, antes de tudo e acima de tudo, é um projeto para o país que vá ao encontro das necessidade básicas e primárias do povo. Uma Democracia mais madura pensa primeiro no projeto para o país e, só então, cobra dos partidos e candidatos, compromisso e fidelidade ao mesmo.

“Pensar globalmente e agir localmente”, é o princípio básico da Ecologia.
ªGrasmsci nos deixou a lição de que há a “Revolução Permanente”, fundamentada na Educação e construção de uma nova “Cultura Política”, e a “Guerra de Posições”, a “guerra das trincheiras”.

A primeira é a estratégia, onde se quer chegar; já a segunda seriam as táticas a serem aplicadas segundo as circunstâncias. Perde-se, por vezes, uma batalha para não se perder a guerra.

A Revolução Permanente supõe estratégia de longo alcance, planejamento, condições objetivas e subjetivas para a virada da mesa. Tudo isso vai acontecendo, como efeito “bola-de-neve” através da “Revolução Cultural. Temos, então, a Revolução Global e Revolução Celular.

A imagem da “galinha e do ovo” pode ajudar a elucidar a proposta. Não se trata de saber qual é o primeiro e mais importante. Não há galinha sem ovo e nem ovo sem galinha. A galinha está dentro do ovo; o ovo dentro da galinha! Ambos existem, se supõem e se completam. Há uma sincronização de visão e ação.

Em política a mudança pessoal não pode e nem deve se isolar da mudança do conjunto, das estruturas. A conversão pessoal dá-se dentro do processo de mudança das estruturas. E a mudança dessas fortalece e aprofunda aquela.

Indignado com a situação global (Crise Política), munido de uma crítica estrutural da Realidade, me comprometo com a mudança da mesma, a partir da mudança de minha ótica e procuro envolver, de modo organizado, no meu entorno vivencial, seja familiar, profissional e social.

O que faz a diferença é que em grupo somos nós que vamos estabelecer a direção que a “bola-de-neve”, no seu avolumar-se, queremos que tome o direcionamento, criando condições coletivas objetivas e subjetivas, para a mudança estrutural.

A Revolução Global acontecerá no bojo do acúmulo de forças, energias, realizações, agora planejado, com largo apoio da maioria, do povo ansioso por vida, justiça, prazer e alegria de viver.

Frei Cristóvão Pereira ofm.
freicristovao@gmail.com