sábado, agosto 27, 2005

Encontro ex-seminaristas do Caraça:


Os ex-seminaristas do Caraça estarão realizando. nos dias 3 e 4 de setembro, os 60 anos de criação da AEALAC - Encontro dos Ex-alunos Lazaristas e Amigos do Caraça. O Tachinha já participou por duas vezes do encontro da turma do Caraça, e o Caraça é um local muito bonito - sagrado.

Cervejinha de 25.08:

A cervejinha de quinta-feira, dia 25.08, estava com uma boa freqüência. Lá estavam o Helvécio (Jaburu), Tachinha, Aloísio Melo (Jaó), Ildeu (Coelho), Carlos Augusto (Coelhinho), Carlos César (Palito), Antônio Vale (Cogumelo), José Lembi (Pelado), Dante (Elefante), Rogério, ex-seminarista de Lavras e Corupá (SC) que está querendo participar do Coral Gregoriano. No final chegaram o Fábio e o Vinicius, filhos do João Marques (Cri).

terça-feira, agosto 23, 2005

Castigo do Tachinha:

O Tachinha, depois de 2 anos e 3 meses afastado para fins de aposentadoria, devido a erros e aberrações administrativas foi obrigado a voltar a trabalhar na Secretaria de Desenvolvimento Econômico - Rua Rio de Janeiro, 471 - 12º andar, na Praça Sete, antigo prédio do Bemge. Tel.: 2129-9324 - 2129-9300 (geral).
Para tentar reverter este "golpe baixo" ele vai ter que entrar na Justiça para ver se consegue corrigir tal disparate e, para contemporizar, ele vai ver se consegue algum órgão público onde possa, mesmo a contra-gosto, ficar enrolando numa coisa sem muito compromisso.
Quem souber de algum bom advogado na área administrativa do estado é só indicar para ele, ou para migo mesmo.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Artigo do Frei Cristóvão:

Um Juiz Direito, Direito – Um Delegado, Honesto – e um Pároco “Porreta”!

De como consertar uma cidade, usando os meios normais.

A propósito da crise ético-moral-política que vive o país, e que se vai prolongando mais do que devia, lembrei de algumas experiências pastorais que vivi durante quase cinqüenta anos de ministério.
A primeira foi em Novo Cruz, norte de Minas, diocese de Araçuaí. A cidade não era comarca, portanto sem Juiz de Direito; muito menos tinha delegado, e sim um sargento que comandava o destacamento policial local. Sargento João. Gente boa, porém, enérgico. Era meu aluno no Colégio Estadual da cidade e companheiro de futebol; jogava com a gente no time dos estudantes .
A segunda, em Nanuque. Essa com mais intensidade e maior risco de minha própria vida, envolvendo gente “importante”, madames e caterva da “elite” financeira e latifundiária, cabos eleitorais etc. (Fui ameaçado por duas vezes de morte; gente amiga, a turma do futebol da madrugada, me protegeu!!)
Em Nanuque o caldo engrossou porque a notícia vazou por ingenuidade de mocinhas-pedicuri e para abafar o caso estabeleceu-se uma operação-limpeza-de-arquivo, sendo que uma delas foi assassinada; a outra ameaçada, em plena tarde, numa família onde trabalhava. E isso no coração da cidade.
Nossos freis trabalharam por muitos anos em Nanuque. Lá construíram as duas igrejas-matriz, Imaculada Conceição e S. José. Com muita luta e esforço pessoal construíram o Colégio Sto. Antônio, onde muitos deles lecionaram e do qual fui diretor.
Mais tarde foi criada a paróquia S. José, aproveitando a divisão natural da cidade pela ponte sobre o rio Mucuri.
Naqueles tempos falar em Pastoral de Conjunto ainda era novidade. De sorte que as duas paróquias caminhavam cada uma para o seu lado! Somente na festa de Corpus Christi é que os srs. Párocos se comunicavam pastoralmente!
A procissão saia de cada matriz e se encontrava no meio da ponte, e, então, segundo a alternância do ano, um pároco passava o ostensório para o outro pároco, finalizando a comemoração na respectiva matriz!!. “Oh tempora, oh mores!
Veio o Vaticano II e na fase preparatória tornou-se comum discutir a necessidade de se implantar uma Pastoral de Conjunto para atender aos sinais dos tempos e aos condicionamentos do processo de industrialização-urbanização-êxodo rural e concentração fundiária.
Com o Capítulo Provincial de 1988 e convicto de que mais no meio do povo estaria mais motivado para viver a vocação e o carisma francisclariano, apresentei um projeto ao novo governo provincial para unificar as duas paróquias e começar uma caminhada pastoral inspirada nas orientações das conclusões do Vaticano II e sua inculturação à realidade latino-americana via Medellín (1968) e Puebla (1979).
Dois confrades holandeses toparam começar a nova experiência comigo naquela cidade.
Lembro-me como se fosse hoje: peguei meus bagulhos (roupa e livros), enchi o fusca 1.6, de Betim rumei direto a Nanuque. Cheguei, na cidade, pela tardinha, antes da missa das 19h. Atravessei a cidade rumo ao bairro Vila Nova e no topo do morro, contornei a avenida na direção esquerda que dá acesso, novamente ao centro da cidade. Parei o carro, dele saí e contemplei a cidade: a avenida Santos Dumont, a Igreja S. José, o Colégio Santo Antônio, a Pedra Negra que, imponente enfeita e domina a cidade, a Igreja N. Sra. da Conceição, a prefeitura, os galpões abandonados da Holambra, o fórum, a rodoviária, o Clube Pedra Negra, o prédio onde funcionou o Colégio “Stela”, construído pelas irmãs........, a rodovia que liga Teófilo Otoni à rodovia 101, o campo de aviação, a nova ponte que divide a cidade e, por fim, o rio Mucuri. O rio Mucuri e a gigantesca pedra, frontal a uma parte da cidade, dão o toque geográfico-ecológico a Nanuque.
E, então, me uni profundamente a Deus rogando sua proteção e bênçãos ao nosso projeto, como que pressentindo que a tarefa seria árdua e dantesca. Fechei o pedido: “Seja o que Deus quiser, se estou aqui é porque sinto por Ele chamado e estarei a seu serviço, a serviço do seu Reino.
Toquei para a casa paroquial da igreja da Imaculada, onde frei Luiz Aguiar, meu conterrâneo lá de Pará de Minas, me esperava no portão da casa. Naquele dia celebrei a missa das 19h, com pouca gente assistindo e já comecei minha falação! Como padre novo tomei como princípio de que em toda e qualquer eucaristia que celebrasse, faria um pequeno comentário das leituras ou festa do dia. Três minutos, no máximo cinco.
A epopéia de Nanuque daria para escrever um livro. Frei Oscar, D.Hugo, frei João José van der Slot, os confrades falecidos Simão, Peregrino e Jerônimo são e foram testemunhas de tudo.
Relato tudo isso a troco de quê?
Nas paróquias que estive mais à frente tinha como estratégia conhecer bem o sr. Juiz de Direito e manter bons relacionamentos com o sr. Delegado.
O primeiro juiz direito, no início de nossa caminhada em Nanuque, não era flor que se cheirasse. Um pelegão. Chegou a prejudicar-me no processo que respondi, impetrado pela UDR, recentemente criada na região com sede em Nanuque. Tentei mantê-lo sob controle! O promotor era o sr. Nedens Ulisses Freire Vieira. Mantivemos bons contatos. Dele colhi preciosas orientações de como agir em muitas ocasiões. O delegado era um ex-aluno meu da Faculdade de Direito de Divinópolis (FADOM). Visitava, constantemente, a delegacia; era recebido no seu gabinete e recomendava que não queria saber de arbitrariedades, torturas com os meus irmãos presos! Tinha alguém do Movimento Estudantil que trabalhava na delegacia e me punha a par das ocorrências. O pároco “porreta” seríamos nós os três freis, recém-chegados!
Nos “imbróglios” que espocaram mais para frente, mantive a estratégia de sempre ser a cabeça dos acontecimentos, resguardando os meus confrades holandeses de possíveis retaliações.
As irregularidades na Prefeitura e durante as eleições eram denunciadas no altar; a onda de violência referida acima por causa da droga; as pedreiras que funcionavam irregularmente no perímetro urbano, com o transporte clandestino de cargas de dinamite, nos ônibus da Gontijo (Nanuque chegou a ficar 45 dias sem brita e as denúncias e apurações foram investigadas pelas forças armadas); o respeito ao horário do silêncio etc, etc. foram paulatinamente debeladas.
O meu colega de turma, Camilo Prates, o primeiro juiz de direito no período de nossa permanência em Nanuque que o diga! À frente da Comarca foi um Juiz de Direito, muito direito. Posteriormente, Arutana, como juiz, desenvolveu esplêndido trabalho no sentido de moralizar as campanhas eleitorais, e como Juiz de Direito da Comarca, amansou muitos latifundiários que tinham e ainda têm o vício de confundir o seu latifúndio com a cidade onde residi!
Mais recentemente, já em 2002, encabecei todo o processo de cassação do sr. prefeito, gestão 2002-2004. Só depois que o Tribunal de Justiça decretou o afastamento do prefeito e se iniciou o processo de sua cassação é que a “elite” política (Rotary –Lions, Lojas Maçônicas, Associação Comercial, Sindicato dos Produtores Rurais, OAB, Federação das Associações de Bairros) mesclada com o “Comando Delta”, aderiu ao movimento. Uma vez concretizada a operação-cassação abocanharam do Poder local, sem o menor reconhecimento do nosso trabalho. Em todo caso a cidade voltou à sua normalidade, e o ex vice-prefeito começou a consertar a “máquina, avariada pelos desatinos do período da administração anterior”.
O então prefeito cassado tinha seus jagunços (5) que o protegiam. No processo de “impeachement” para garantir a votação favorável, um grupo de pessoas cotizou, na base de 15 mil reais, o voto de três vereadores. E todo mundo na cidade sabia, quem movimentou a operação, e quais os vereadores, venais, que venderam seu voto; vale dizer sua consciência. O advogado de defesa tentara subornar o então presidente da Câmara na razão de 50 mil reais!. A prática do “Mensalão” vem de longe!!.
Creio que em nossa Província, principalmente nas paróquias do interior está carecendo de um Juiz de Direito, direito; de um Delegado, honesto; e de um Pároco “Porreta”!
Se não conserta tudo dá para ajeitar muita coisa!
Frei Cristóvão Pereira ofm.