sábado, agosto 06, 2005

Convite do Frei Jacir.

Caríssimo irmão,
Paz e bem!
Gostaria de convidá-lo para participar do lançamento do meu novo livro: A vida secreta dos apóstolos e apóstolas á luz dos Atos Apócrifos, que saiu pela editora Vozes. Desta vez procurei discutir a questão da apostolicidade e, mais do que isso, recolher as histórias e Atos de Apóstolos e Apóstolas que não estão no livro Atos dos Apóstolos da Bíblia canônica. Em anexo você poderá ver mais informações sobre o livro e o dia do lançamento (19 de agosto), no qual farei também uma conferência sobre o tema e será servido um coquetel.
A sua presença será muito importante.Um abraço fraterno.Frei Jacir de Freitas Faria, OFM
http://www.bibliaeapocrifos.uaivip.com.br/

Artigo do Frei Cristóvão:

ESPIRITUALIDADE LIBERTADORA

“O Espírito vivifica, a Letra mata”(2Cor, 3,6)

Muito feliz e muito atual o tema-eixo que norteou todo o processo preparatório e o próprio 11 Intereclesial de Base, realizado, mês passado, julho: 2005, em Ipatinga, diocese Itabira-Coronel Fabriciano: “Espiritualidade Libertadora.”
Ecologia-Mística-Ética, podem ser consideradas as três megatendências que pervadiram o final do séc. XX, e perduram através do séc. XXI. Por aí sopram os ventos da História. Por estes vieses um “Novo Mundo torna-se possível” e, mesmo, necessário. Por essas vias uma nova Igreja é possível; torna-se necessária, como rezamos e pedimos, tantas vezes, durante o 11 Inter. Em linguagem teológica, fala-se em “Sinais dos Tempos”, verdadeiros “lugares teológicos”.
O que passa e acontece no mundo, repercute, inevitavelmente, no interno da Igreja, na maneira do como evangelizar, do como propor o evento Jesus de Nazaré, sua práxis, ao homem de nossos dias. Estamos, por assim dizer, no coração da temática: o que se entende por uma fé inculturada. E, como os termos ou conceitos se desgastam com o tempo e com o seu uso, hoje já se fala de uma “Fé Encarnada”.
Transpondo-nos para o nosso tempo: como entender o que venha a ser uma “Espiritualidade Inculturada”? ou, então: uma “Espiritualidade Encarnada”?
No meu livro: “Anemia Antropológica e Alternativas”, Graf.Colégio Frei Orlando, BH:2003 trabalhamos com mais vagar sobre o que se entendia e sobre o que se entende por espiritualidade nos dias de hoje. Aliás, o tema é constante nas publicações mais especializadas.
Nesta reflexão vamo-nos ater as CEBs: como a nossa gente, o povo da “CMINHADA”, vive sua espiritualidade. O que, afinal, os mantém de pé, sempre em marcha, não obstantes, as pedras do caminho, seja na própria Comunidade, na Igreja e no Mundo, na Sociedade nos quais estão inseridas e dos quais são partes integrantes. Qual a energia, a força, o axé, o gás que os fazem tão esperançosos e resistentes?
Espiritualidade: vem de “espírito”. No hebraico temos “nefesh”, “ruah”; no grego: “vous”; no latim:”spiritus”; já entre nós: “espírito”. Os matizes semânticos do termo vão variando, segundo o contorno cultural que o envolve; mas, é possível captar um consenso de fundo que vai perpassando os tempos e suas variações.
Pode-se dizer que sem espiritualidade não há utopia, sonho, vontade de lutar, der mudar, seja a si mesmo quanto as coisas, a sociedade, as estruturas que as suportam. O mesmo pode-se dizer do agente de pastoral, daquele que exerce qualquer ministério na Igreja, na Comunidade. Do Papa ao sineiro que convoca a Comunidade; sem espiritualidade, se transformam em “Funcionários do Reino”, segundo a famosa obra que provocou tanta reação de quando de sua publicação, “Os Funcionários do Reino”.
O quê é espiritualidade? Marcelo de Barros, monge beneditino, tem escrito muito sobre a temática. Em Ipatinga, na Coletiva do dia 27, num momento de inspiração, assim a definiu: “É o agir de Deus em nós. É a energia, o espírito de Deus que movimenta, agiliza o que há de bom em cada um de nós “.
Ampliando suas reflexões, diríamos que é o grude, a argamassa, o cimento que mantém as coisas, as pessoas, os grupos, os movimentos, as pastorais, aglutinados, articulados, organicamente unidos.
Falar de “Espiritualidade Libertadora, explicava Marcelo, é uma redundância, o mesmo que dizer que” a roda é redonda “!”.
O que quer dizer, portanto, que toda espiritualidade é libertadora; caso não o seja, não é espiritualidade; cheira à mistificação, à alienação, à fuga, à manipulação.
Claro que há uma variedade de espiritualidade, como vários e diversos os caminhos que conduzem a Deus. O que não se pode perder de vista é a sua força transformadora, sua convocação à mudança, seja pessoal, seja coletiva, grupal e sócio-político-econômica. Sua dimensão profética, sua verve revolucionária.
Exemplos na Bíblia são abundantes; veja, a titulo de ilustração, o capítulo 11 da carta aos Hebreus. Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Teresa de Ávila, o apóstolo dos leprosos S. Damião, Gand, Hamaskhul, Tereza de Calcutá, D. Helder Câmara e tantos, tantos outros.
No dia-a-dia, no cotidiano de nossas vidas deparamos e esbarramos com tanta gente boa, honesta, solidária movidas pela “espiritualidade-de-gente-boa”, como José, esposo de Maria, como explica L.Boff na sua obra sobre José: “São José: a personificação do Pai”, Campinas, SP: Verus Editora, 2005.
Espiritualidade seria como ver a realidade a partir do Espírito de Deus, do Deus da Vida, da Justiça, da Paz, que foi o Deus de Jesus de Nazaré e, portanto, ´Deus dos que se põem a caminho no Caminho do rabi de Nazaré.
Numa visão ecumênica e do “diálogo inter-religioso” uma pessoa espiritualizada é toda pessoa, boa, honesta, ética que coloca o melhor de si em prol da Vida, de sua preservação e de sua defesa. Numa palavra: todo humanista é movido por uma espiritualidade, por um fogo interior que o faz acreditar e lutar por um Mundo Novo.
Ora, se considerarmos o Marxismo como um Humanismo, todo marxista convicto e coerente é uma pessoa movida por uma espiritualidade!!
Para nós cristãos: o compromisso com e por um mundo segundo os desígnios, o plano de Deus. Na Bíblia, no Novo Testamento, fala-se em Reino de Deus. O centro da práxis de Jesus. O núcleo duro de sua Fé.
Frei Cristóvão Pereira ofm.

Artigo do Frei Cristóvão:

CEBS E O “MENSALÃO

As Comunidades eclesiais de base constituem celeiros donde brotam as lideranças, os agentes sociais na Igreja e na Sociedade.

O quê é uma CEBs?

É um modo de ser da Igreja. Assemelham-se muito com as comunidades cristãs, criadas já na metade do primeiro século, e que hoje se espalham mundo afora.
Embora sejam tipicamente rurais e de conotação própria de nosso povo dos morros, das favelas das cidades de médio e grande porte. Nas grandes cidades, nos grandes centros urbanos já se destacam os variados grupos de cristão que se reúnem para momentos de estudo sobre a Bíblia e fazer uma análise de conjuntura, aprofundar a fé e renovar seus compromissos com o mundo e sua transformação num mundo mais humano, solidário e fraterno.Nela se celebra uma liturgia inculturada, comprometida com Deus da Vida, o Deus do rabi da Galiléia.
Daí que para as CEBs Política e Fé se implicam e se imbricam. Sua fundamentação teológico-biblíca brota da Teologia da Libertação, malgrado a resistência do “baixo e alto clero; como também de cristãos tradicionais e fundamentalistas! Onde houver injustiça, exploração do pobre, do “menor”, aí a expressão de fé só pode ser a partir de uma fé libertadora. É a passagem de um “aleluia de louvação” para um "aleluia libertário"!

“Mensalão

Um amigo meu, com um salário mequetrefe brincava comigo: “Com o salário que recebo, ficaria contento de ser um “mensalista”, já que para ser “mensalão”, tem que crédito na praça, um mínimo de bens e de capital!
A origem do “mensalão”, da corrupção deve ser buscada lá atrás, já na corte de Portugal: o regime político cunhado pelo nome de Patrimonialismo, que consiste em confundir, identificar o público com o privado, fazer do cargo público um bico para se locupletar. É lançar mão sobre o erário em benefício de si mesmo e de seus apaniguados!
Da Corte de Portugal esse vírus político foi inoculado nas veias de todos que se aportaram. E cá chegaram para pilhar, saquear, roubar as riquezas de nossas gentes e de nossas terras. Basta relembrar a criação das Sesmarias. O latifúndio vem daí, como a mentalidade de seus administradores, “caciques” e “coronéis”, donos de tudo e faziam a justiça segundo seus interesses e seus humores! Fomos viciados a ser “espertos”, levar vantagens em tudo, enriquecer-se não importa os meios e não importa que esteja lesando o povo inteiro, o país, a nação.
Ora a lógica das CEBs é a partilha, a participação, a solidariedade, a fraternidade. Um modo inteiramente novo de se relacionar uns com os outros, de construir um modo diferente de produzir e comerciar os meios necessários para garantir a sobrevivência. Enfim: uma nova Sociedade, uma nova Política, uma nova Sociedade, uma nova Igreja. Veja os exemplos da Economia Solidária, a prática do escambo, de compras coletivas, dos mutirões, dos 16o mil voluntários que prestam serviços a milhões de pessoas em suas entidades ou Ongs.
Já no Estado-Patrimonialista a lógica é bem diversa. Aí reina o individualismo, seja ele pessoal ou grupal. È a lógica do mercado, da competição e concorrência, do mercado, do capital.
Como ser honesto, ético, humano num mundo impregnado dessa lógica. Se eu der um “bonzinho”, outros me eliminarão, não sobreviverei. Daí importa que eu seja “o rei”; ou pelos menos, “amigo do rei”.
Num regime patrimonial a corrupção faz parte do “pão-de-cada-dia”. A impunidade campeia de alto a baixo. O que se exige de todos é que esteja no Poder, com parte do Poder. Uma vez no Poder fazer tudo para nele permanecer, ampliá-lo. Os adversários têm que eliminados, ou, no mínimo, isolados ou enriquecidos. Essas foram às orientações que Maquiavel deu ao príncipe do qual fora vassalo e servido, e, depois, descartado! Hoje se fala “assessor”.
Como sanar essa situação. Extirpá-la de todo, creio não ser possível. Pelo menos estreitar os limites, o campo de sua ação, me parece viável.
Além da infra-estrutura básica para se viver bem investir na Educação, em todos os seus níveis, para ser mais humano, ético, republicano.
O que vale lá fora, na Sociedade, vale também na Igreja!!
As CEBs são verdadeiras escolas para se crescer na Fé e no exercício da cidadania ativa.
Se um novo mundo é possível e se faz necessário; o mesmo pode-se dizer da Igreja: uma nova Igreja é possível e se torna, também, necessária. Só os alienados políticos não vêem; só os míopes na fé não percebem.
“Quem tem ouvidos para ouvir, que o ouçam” (Mt 13,9).

Frei Cristóvão Pereira ofm.

Artigo do Frei Cristóvão:

A MULHER E AS CEBS

CEBS: Comunidades eclesiais de base

É a maneira de ser da Igreja originária, e a nova maneira de ser da Igreja nos tempos. As Cebs constituem a célula-mater da Igreja.
Já nos primórdios da modernidade e, de modo especial, na pós-modernidade, um novo paradigma civilizacional desponta no horizonte da evolução da Humanidade. Seus primórdios são manifestos no mundo de hoje. Entre os quais apontamos a globalização da vida, da economia, da política (geopolítica), da Ecologia, surge a consciência cósmica e planetária, a informática, o mundo da virtualidade; de viagens (turismo), aumenta a mobilidade social, o número de escolas, faculdades e campos universitários; as mudanças no processo produtivo, no mundo do trabalho com as máquinas inteligentes, etc., etc..
Ora, tudo isso vai afetar o mundo da mulher, sua maneira de ser e de se comportar. Lá se foram os tempos de que as mulheres invadiam as ruas e avenidas balançado calcinhas multicoloridas! Hoje, elas reivindicam para si valores humanos.
Ela vai tomando consciência de sua própria consciência, de que é gente, quer ser tratada como pessoa, cidadã ativa e criativa.
Este novo paradigma abre espaço para que a mulher se descubra como pessoa. Sua realização pessoal vai além, sem excluir, sua vocação de amiga e companheira do homem. Ser esposa, mãe são valores sublimes. Mas, no mundo moderno e pós-moderno, vai exigir dela valores, antes, proibitivos, dos quais era privada.
O francês tem uma expressão que diz tudo o que, nós homens, pensávamos e, muitos ainda pensam assim: “Soyez belles e taisez vous” ( Sejam belas e calem-se!).
As mulheres vão, cada vez mais, assumindo funções e responsabilidades na sociedade, malgrado a resistência dos homens, dos “machistas” renitentes.
As conseqüências de tudo isso é que vão fazendo uma verdadeira revolução que podemos denominá-la como “A revolução da cordialidade”. Esse foi o tema do meu segundo livro: “A revolução da cordialidade, o papel da mulher no novo paradigma civilizacional” – Graf. Do Colégio Frei Orlando, BH: 2004).
A propósito, a mulher, a partir do princípio feminino, tem uma concepção, uso e exercício do Poder próprio e específico, todo seu.
Para ela a VIDA é o valor supremo e tudo o mais, inclusive a Economia, o Mercado, a Política existem em função desse valor maior.
Tudo deve ser direcionado na promoção e defesa da Vida. E, ela, que faz a experiência de carregar a vida dentro de sua própria vida, tem muito a nos ensinar, a nós homens, no tocante ao modo como articulamos e organizamos o mundo de nossos relacionamentos, no modo como construímos a Sociedade na qual vivemos.
E as Cebs, em sua vida, a Mulher? Basta observar nossas igrejas, nossos comunidades, nossas pastorais, as Cebs! A grande maioria que aí se faz presente e presta serviços (ministérios), é constituída de mulheres. 80%!
Da faxineira à ministra da eucaristia, da Palavra, além da coordenação de tantas pastorais, as mulheres marcam sua presença.
A mulher, nas suas Comunidades se descobrem que podem ser mais do que esposa, mãe de família. Aí descobrem outros talentos, outras capacidades e carismas que o universo da casa, do lar, tantas vezes, embotam, recalcam. Elas reivindicam sua cidadania no lar, na sociedade, na Igreja.
A Teologia Feminina, baseada em textos bíblicos e nas patriarcas (Sara, Judite, Éster, Ana, Maria e tantas outras), denunciam uma situação injusta de uma Igreja Kirial. Defende o direito da mulher-cristã de exercer o ministério sacerdotal em plenitude: presidir a ceia eucarística!.
Frei Cristóvão Pereira ofm.

Artigo do Frei Cristóvão.

Leia abaixo o arquivo enviado pelo frei Cristóvão sobre o PT.

ESTOU DE RECESSO!!

- É possível resgatar PT? Refundá-lo?!

A pústula supurou! O remédio é espremer o resto do carnegão e fazer uma cirurgia para extirpar as raízes danosas! Analistas há que afirmam, talvez, seja este o bem que o PT poderia prestar à nação, ou melhor dizendo, ao povo brasileiro.
Corrupção nos Bingos, nos Correios, “Mensalão, Millor Fernandes prefere falar em ”Mensalama “, o “Cuecão”, o “Dizimão”, lavagem de dinheiro, corrupção passiva no INSS do RJ, para ficar nos maiores. E Deus sabe o que poderá vir pela frente!
Meus confrades me perguntam se ainda estou no PT!. Respondo que estou de recesso. Recesso ideológico-programático! As águas estão por demais agitadas, turvas para se tomar uma decisão mais radical. Em todo caso há muitos “fdpts” no PT que não merecem mais minha confiança!!

A origem de tudo: Uma “Cultura Patrimonialista” (as raízes)

O Patrimonialismo identifica o público com o privado. É um vírus político que foi inoculado em nosso sangue desde priscas eras. Vem de nossos colonizadores. A ausência de um espírito republicano perdura até nossos dias.
Relembro o nosso confrade frei Egídio, de quando lúcido. Ele gostava de uma pendenga quando sentávamos juntos lá no refeitório; sejam elas de cunho teológico (sua ojeriza dos Calvinistas); e mesmo de cunho histórico: “Os portugueses fizeram um grande mal ao Brasil. Cá chegaram só para roubar”!
De fato, uma boa parte da tripulação não era flor que se cheira! Bandidos, ladrões, criminosos, gente da raia miúda, dos quais a Corte queria se livrar. Uma espécie de limpeza de arquivo.
A colonização portuguesa se diferençou muito da espanhola, da criação do Novo Mundo na América do Norte. Não avançaram mais de 60 km da costa. Em caso de ameaças de maior porte tinham as galeras ancoradas na costa, o mar. No mais: pilhar escolas? Só nas Missões Jesuíticas. Mais tarde, foi proibida a instalação de qualquer indústria. Isso como exigência do Reino Unido que dominava o mundo civilizado ocidental de então através de suas Esquadras.
Fomos educados e formados na escola e na arte de “roubar”! De pilhar, de levar sempre vantagem; de se enriquecer não importando os meios! Este foi o inconsciente coletivo que nos foi impingido.
Daí esta confusão, esta identificação do público com o privado. De fazer da Prefeitura, do Estado, o meu latifúndio. Se eu não sou o rei, faço de tudo para ser amigo do rei!
Temos a mentalidade do “barnabé”; do funcionário público apadrinhado! O que busco é um emprego público, com bom salário e nada de trabalho!
As raízes do furúnculo só serão extirpadas com uma boa cirurgia, através de um longo processo educativo, com mais justiça social, reformas de base, o que demanda um bisturi bem afiado e uma vontade política embasada num apoio popular expressivo. O que a elite não quer e faz de tudo para boicotá-las.

O sistema em si é perverso, injusto e aético
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O sistema capitalista fundamentado no mercado, no lucro, na concorrência e na eficiência, numa sociedade assimétrica como a nossa, só tende à corrupção, ao suborno, à impunidade. Burlar as leis, usar de propinas, “comprar fulano”; conquistar o poder, não importa por quais meios, e nele se perpetuar não importa como!
Mais tarde, Maquiavel, tornar-se-ia conhecido com sua obra “O Príncipe”, onde desenvolve estas artimanhas.
Já Max Weber, em seu famoso discurso sobre “Ciência e Política – Duas vocações”, faz a distinção entre a “Ética de Princípios (de Convicção) e a Ética da Conveniência; deixando entrever que no pragmatismo do cotidiano do mundo da política há como que uma cortina de fumaça que ofusca a transparência da retidão nas e das decisões políticas. Na verdade o que se diz, se discute e se decide nos plenários das Câmaras e Congressos, nas mais das vezes, são encenações, teatro, uma vez que tudo já foi deliberado nos bastidores ou na calada da noite.
Corrupção sempre haverá e o poder se deixa corromper, facilmente, em se tratando de dinheiro, de nomeações ou barganha de cargos.
Uma Democracia Social e Participava como contraponto a uma Democracia Liberal, Formal não deixa de ser um instrumento para diminuição da margem da corrupção e da impunidade. As chances de punir os corruptos se ampliam.
Não podemos esquecer que o luxo das cortes colonizadoras foi instituído e gozado acima do sangue, da morte de milhões de escravos e gente do povo colonizado!
Afinal, é possível ser uma pessoa honesta, ética, cristã num mundo onde o capital é que decide quem é quem? Nadar contra a correnteza exige muito treinamento!
Um outro mundo é possível e se torna sempre mais necessário, se nós o quisermos e nos organizarmos para tal. Um novo paradigma civilizacional desponta no horizonte da História, no qual o “homo solidarius” será maioria e terá as redes do poder em mãos.

O quê fazer, relembrando Lênin?

Antes de tudo, não descrer nas instituições democráticas. Nossa Democracia é frágil, vulnerável. Adolescente. As pesquisas estão aí: 78% acreditam que existe corrupção no governo Lula; 64% dizem que a maioria dos políticos do seu partido está envolvida em casos de corrupção e 67% pensam que o PT pagou o chamado “mensalão”; 46% desaprovam o Congresso Nacional e os políticos. (Comparato F.K., Opinião, Folha de S.Paulo, A3, 05/08/2005. Cifras por demais alarmadoras!) O processo de consolidação de nossa democracia se impõe de per si.
A estratégia da Oposição é perversa: aniquilar o PT, preservar o presidente Lula, cuja política econômica é do agrado da elite oligárquica financeira e industrial. José de Alencar é uma incógnita. No período eleitoral de 2006, torra-se o atual presidente e busca-se um candidato de consenso. Fala-se em Nelson Jobim.
“Pensar globalmente e agir localmente”, é o princípio básico da Ecologia. A. Gramsci falava de “Revolução Permanente” e de “Guerra de Posições. A primeira é a estratégia, onde se quer chegar; já a segunda (Guerra de Posições - Guerra de Trincheira), seriam as táticas a serem aplicadas segundo as circunstâncias. Perde-se, por vezes, uma batalha para não se perder a guerra.
A Revolução Permanente supõe uma estratégia de longo alcance, planejamento, avaliação, condições objetivas e subjetivas para a virada da mesa. Tudo isso se dá através da “Revolução Cultural”.
Hoje já se fala em “Revolução Global” e “Revolução Celular”. A “Revolução Celular” começa comigo, com você e meu entorno vivencial; com a diferença de que somos nós que vamos formando uma bola de neve e a direcionamos na direção que queremos. A bola-de-neve, no seu avolumar-se cria as condições coletivas, objetivas e subjetivas para a virada da mesa.
Não podemos aceitar a distinção falaciosa, entre Política e Economia, defendida pelo Governo e por analistas. Ela não procede numa situação brutal de desigualdade social reinante no país. Esta dissimetria tem-se intensificado com a implantação da Política Neoliberal, desde a década de 70. A Revolução Global acontecerá através de uma ação política planejada, largo apoio popular.

Alternativas de ação
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Além de consolidar as instituições democráticas, podemos apontar algumas alternativas para a superação da crise:
- as Cpis para apurar o desvio de dinheiro público, devem ser levadas em frente e não acabar em mais uma pizza;
- a pressão social com a mobilização do povo, mediante a mediocridade do atual Congresso, é indispensável e insubstituível;
- a Reforma Política, a mudança da Legislação Eleitoral, incluindo a Reforma Partidária, fidelidade partidária, representação proporcional no Congresso; financiamento público de campanha, revisão do regime presidencial;
- fim do dispositivo constitucional da reeleição e do mandato de 5 anos.
È possível chegar-se a isso com este Congresso? Claro que não! São “experts” em votar em própria causa!
Mas, afinal, alguma coisa deve ser feita. Em 2006 teremos eleições majoritárias! O que se conseguir antes constituem os primeiros passos para se chegar a mudanças mais profundas. Volta-se a falar de novo na implantação do Parlamentarismo, no qual a queda do primeiro ministro acarreta a dissolução do Congresso e convocação de novas eleições!
Há reivindicações de mudanças constitucionais que vão se aflorindo na opinião pública:
- introduzir no dispositivo da Lei, formas de plebiscito e de referendos quando temas de interesse geral estejam em jogo. O que é de interesse de todos deve ser decido por todos. São formas para ampliar a participação do povo, a fonte legítima de todo poder. Ele é o autor do Poder; os políticos, funcionários públicos, atores. Assim era costume na Igreja originária no tocante à escolha do papa, dos bispos e coordenadores das Comunidades.
Mediante à concretização destas mudanças, resolvi entrar em regime de recesso!!
Frei Cristóvão Pereira ofm.