sábado, agosto 06, 2005

Artigo do Frei Cristóvão:

A MULHER E AS CEBS

CEBS: Comunidades eclesiais de base

É a maneira de ser da Igreja originária, e a nova maneira de ser da Igreja nos tempos. As Cebs constituem a célula-mater da Igreja.
Já nos primórdios da modernidade e, de modo especial, na pós-modernidade, um novo paradigma civilizacional desponta no horizonte da evolução da Humanidade. Seus primórdios são manifestos no mundo de hoje. Entre os quais apontamos a globalização da vida, da economia, da política (geopolítica), da Ecologia, surge a consciência cósmica e planetária, a informática, o mundo da virtualidade; de viagens (turismo), aumenta a mobilidade social, o número de escolas, faculdades e campos universitários; as mudanças no processo produtivo, no mundo do trabalho com as máquinas inteligentes, etc., etc..
Ora, tudo isso vai afetar o mundo da mulher, sua maneira de ser e de se comportar. Lá se foram os tempos de que as mulheres invadiam as ruas e avenidas balançado calcinhas multicoloridas! Hoje, elas reivindicam para si valores humanos.
Ela vai tomando consciência de sua própria consciência, de que é gente, quer ser tratada como pessoa, cidadã ativa e criativa.
Este novo paradigma abre espaço para que a mulher se descubra como pessoa. Sua realização pessoal vai além, sem excluir, sua vocação de amiga e companheira do homem. Ser esposa, mãe são valores sublimes. Mas, no mundo moderno e pós-moderno, vai exigir dela valores, antes, proibitivos, dos quais era privada.
O francês tem uma expressão que diz tudo o que, nós homens, pensávamos e, muitos ainda pensam assim: “Soyez belles e taisez vous” ( Sejam belas e calem-se!).
As mulheres vão, cada vez mais, assumindo funções e responsabilidades na sociedade, malgrado a resistência dos homens, dos “machistas” renitentes.
As conseqüências de tudo isso é que vão fazendo uma verdadeira revolução que podemos denominá-la como “A revolução da cordialidade”. Esse foi o tema do meu segundo livro: “A revolução da cordialidade, o papel da mulher no novo paradigma civilizacional” – Graf. Do Colégio Frei Orlando, BH: 2004).
A propósito, a mulher, a partir do princípio feminino, tem uma concepção, uso e exercício do Poder próprio e específico, todo seu.
Para ela a VIDA é o valor supremo e tudo o mais, inclusive a Economia, o Mercado, a Política existem em função desse valor maior.
Tudo deve ser direcionado na promoção e defesa da Vida. E, ela, que faz a experiência de carregar a vida dentro de sua própria vida, tem muito a nos ensinar, a nós homens, no tocante ao modo como articulamos e organizamos o mundo de nossos relacionamentos, no modo como construímos a Sociedade na qual vivemos.
E as Cebs, em sua vida, a Mulher? Basta observar nossas igrejas, nossos comunidades, nossas pastorais, as Cebs! A grande maioria que aí se faz presente e presta serviços (ministérios), é constituída de mulheres. 80%!
Da faxineira à ministra da eucaristia, da Palavra, além da coordenação de tantas pastorais, as mulheres marcam sua presença.
A mulher, nas suas Comunidades se descobrem que podem ser mais do que esposa, mãe de família. Aí descobrem outros talentos, outras capacidades e carismas que o universo da casa, do lar, tantas vezes, embotam, recalcam. Elas reivindicam sua cidadania no lar, na sociedade, na Igreja.
A Teologia Feminina, baseada em textos bíblicos e nas patriarcas (Sara, Judite, Éster, Ana, Maria e tantas outras), denunciam uma situação injusta de uma Igreja Kirial. Defende o direito da mulher-cristã de exercer o ministério sacerdotal em plenitude: presidir a ceia eucarística!.
Frei Cristóvão Pereira ofm.

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