quarta-feira, agosto 17, 2005

Artigo do Frei Cristóvão: Reforma Política III.

REFORMA POLÍTICA (III)

Sem a Sociedade Organizada não haverá reforma política estrutural. Não podemos nos contentar com remendos, nem mesmo com “remendões”!

Além de uma crítica à política econômica, com alternativas voltadas para as causas populares, com alterações na política do superávit fiscal, usado apenas para pagar os juros e serviços da dívida externa e garantir a credibilidade de nosso mercado aos investidores externos, investimentos esses, na sua maioria, de curto prazo, portanto, investimentos de caráter especulativo.

O controle da entrada e saída de capital impõe-se como sinal de mudança da Economia Política. São condições prioritárias que devem embasar a necessária Reforma Política.

Em outras palavras: a Política controlando e administrando a Economia. No processo crescente de globalização neoliberal houve uma reversão da situação com a Economia, a flutuação mercado condicionando, engolindo todo e qualquer projeto político.

Se o sr. Presidente pretende continuar à frente da Nação e fiel ao Partido que ajudou fundar, sua credibilidade como a do seu Partido vai depender de sua reconversão às suas origens, deixar de ser um Partido de Quadros e ser um Partido de Massa. Voltar a ser um Partido de Mudanças e não um Partido da Ordem. Fidelidade às causas populares reivindicadas pelos Movimentos Populares e setores da pequena e média Classe Média, seus eleitores privilegiados.

Ora, a Reforma Política não pode ser construída sob acordos (“Acórdão”), entre os Partidos que compõem o atual Congresso Nacional, cuja credibilidade nunca esteve tão baixa.

Fala-se em exclusão de showmícios, de proibição de signos partidários na boca das urnas, de limitação das contribuição financeiras de empresas, que não podem ultrapassar a faixa de 150.000 reais, com a exigência de ser válidas para as eleições-2006.

São remendos que dificultam o “caixa dois” nas campanhas. Mas não bastam. Carece de mais austeridade.

Uma Reforma Política séria e austera não acontecerá com a composição conservadora do atual Congresso.

Só a Sociedade Organizada invadindo e ocupando as ruas, praças, a exemplo das “Diretas Já” é que nos garantirá uma reforma que desejamos. Caso contrário teremos um protelamento na busca de sanar pela raiz os vícios de nossas campanhas eleitorais.

Entre as propostas-compromisso do 11o. Intereclesial de Base (Ipatinga-julho:2005) figuravam o fortalecimento dos Movimentos Sociais, da luta pelas causas populares. A 4a Semana . Social Brasileira da CNBB endossa essas propostas.

A Igreja Católica, através de suas Pastorais Sociais, tem muito a contribuir com tudo isso

Frei Cristóvão Pereira ofm.

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